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Elza Soares faz o show ‘Beba-me’ em Santo André neste feriado


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

19/11/2006 | 19:13


Elza Soares é uma fonte musical que brota nesta segunda-feira no Parque Central, com entrada franca em Santo André, no show Beba-me. Após a abertura de Ieda Hils, às 14h, entra em cena a voz rouca e exuberante, orgulhosa de ser negra, e que canta tudo sem preconceito, rock, samba, jazz, blues e hip hop.

Aos 69 anos – ela acha desrespeito perguntar idade a uma mulher – ela mostra clássicos e releitura com arranjos eletrônicos e hip hop. Edmundo (versão de In The Mood), Deixe a Nega Gingar e Estatuto da Gafieira estão no show. Também no repertório, A Carne (Seu Jorge, Marcelo Yuka e Wilson Capellette) tem letra diretamente calcada na reflexão que este Dia da Consciência Negra traz à baila (“A carne mais barata do mercado é a carne negra/ Que vai de graça pro presídio/ E para debaixo de plástico/ Que vai de graça pro subemprego/ E pros hospitais psiquiátricos”).

“A Carne tem minha cara. Amo a pele e a cultura negra. Mas os negros estão desunidos. Nós temos culpa, eu me sinto culpada, mas não me deram direito de sabedoria, de educação”, afirma.

Elza gostaria de ver os negros atuantes e integrados na sociedade, como qualquer cidadão, sem segregação ou distinção em cotas.

“Minha mãe lavava roupa pra fora, e eu, menina, ia com ela. Em toda casa era ‘não tem que discutir com madame’. Quando começei a entender isso, que crueldade! Eu pegava lençol sujo para deitar nele e ver se tinha diferença. Mas qual diferença? Ele era de linho; o meu, de saco; elas comiam em prataria; eu, em lata de goiabada. E minha mãe não usava o elevador principal, só para os brancos. Até o dia em que ela caiu no fosso do elevador de serviço, porque quando pifava o dos empregados, ninguém avisava. Ver a mãe toda quebrada marca, e muito”, diz Elza.


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Elza Soares faz o show ‘Beba-me’ em Santo André neste feriado

Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

19/11/2006 | 19:13


Elza Soares é uma fonte musical que brota nesta segunda-feira no Parque Central, com entrada franca em Santo André, no show Beba-me. Após a abertura de Ieda Hils, às 14h, entra em cena a voz rouca e exuberante, orgulhosa de ser negra, e que canta tudo sem preconceito, rock, samba, jazz, blues e hip hop.

Aos 69 anos – ela acha desrespeito perguntar idade a uma mulher – ela mostra clássicos e releitura com arranjos eletrônicos e hip hop. Edmundo (versão de In The Mood), Deixe a Nega Gingar e Estatuto da Gafieira estão no show. Também no repertório, A Carne (Seu Jorge, Marcelo Yuka e Wilson Capellette) tem letra diretamente calcada na reflexão que este Dia da Consciência Negra traz à baila (“A carne mais barata do mercado é a carne negra/ Que vai de graça pro presídio/ E para debaixo de plástico/ Que vai de graça pro subemprego/ E pros hospitais psiquiátricos”).

“A Carne tem minha cara. Amo a pele e a cultura negra. Mas os negros estão desunidos. Nós temos culpa, eu me sinto culpada, mas não me deram direito de sabedoria, de educação”, afirma.

Elza gostaria de ver os negros atuantes e integrados na sociedade, como qualquer cidadão, sem segregação ou distinção em cotas.

“Minha mãe lavava roupa pra fora, e eu, menina, ia com ela. Em toda casa era ‘não tem que discutir com madame’. Quando começei a entender isso, que crueldade! Eu pegava lençol sujo para deitar nele e ver se tinha diferença. Mas qual diferença? Ele era de linho; o meu, de saco; elas comiam em prataria; eu, em lata de goiabada. E minha mãe não usava o elevador principal, só para os brancos. Até o dia em que ela caiu no fosso do elevador de serviço, porque quando pifava o dos empregados, ninguém avisava. Ver a mãe toda quebrada marca, e muito”, diz Elza.

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