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Diálogo entre Lula e Bush pode ser destravado neste domingo



06/11/2005 | 08:15


Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, George W. Bush, encontram-se neste domingo, em Brasília, no momento em que enfrentam as piores crises em seus governos, com a improvável missão de relançar um diálogo bilateral, que até agora tem se caracterizado pelas boas intenções nas declarações e superficialidade nas ações. Bush, que será recebido na Granja do Torto, vem retribuir a visita de trabalho que Lula lhe fez em junho de 2003. Na ocasião, os dois anunciaram que aprofundariam as relações bilaterais, investindo na cooperação em setores específicos.


Desde então, a relação se intensificou na área macroeconômica e o Brasil ganhou reconhecimento ao assumir o comando da força de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti. Mas o diálogo mostrou-se inócuo e parou noutras áreas. Tornou-se difícil em temas políticos regionais e globais, como a Venezuela e a reforma do Conselho de Segurança da ONU.


Autoridades brasileiras esperam que o presidente dos EUA aborde temas incômodos durante o encontro, como a parceria de Lula com o venezuelano Hugo Chávez e a possível eleição de um antiamericano, Evo Morales – que engrossou a manifestação contra Bush durante a Cúpula das Américas –, para a presidência da Bolívia.


É longa a pauta das conversações entre Brasil e EUA. Inclui a busca do Brasil por um assento no Conselho de Segurança da ONU e passa pela expectativa de ver extinta a ameaça americana de retirar o Brasil do SGP (Sistema Geral de Preferências), pelo qual quase US$ 2 bilhões em mercadorias entram com tarifas reduzidas nos EUA.

Os dois presidentes tratarão da questão dos subsídios agrícolas, embora Lula não pretenda pressionar Bush para que os EUA adotem rapidamente as medidas da OMC (Organização Mundial de Comércio), de eliminação de subsídios ao algodão. Mas não está prevista discussão ou avanço em relação à concessão de vistos ou à Tríplice Fronteira, identificada pelos americanos como um possível foco de terrorismo. Lula aproveitará para lembrar a importância de que sejam assegurados os recursos para a reconstrução do Haiti.


A discussão sobre a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) está empacada. A prioridade são as negociações na OMC.

Dentre os resultados esperados pela área diplomática, destaca-se o fortalecimento dos mecanismos de cooperação nas áreas de ciências espaciais – embora não esteja previsto avanço em relação à Base de Alcântara –, saúde, educação, biodiversidade e nanotecnologia.

A vinda de Bush ao Brasil provocou várias manifestações pelo país. Em São Paulo, cerca de mil pessoas participaram de protesto organizado pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e ocuparam as duas faixas da avenida Paulista.

Cúpula – Poucas horas antes do encerramento, a 4ª Cúpula das Américas caminhava no início da tarde de sábado sobre a linha tênue de um acordo precário em torno de uma declaração política que adiava mais uma vez um confronto sobre o tema mais polêmico do encontro dos 34 líderes eleitos da região – a empacada Alca – e um embaraçoso fracasso do evento.

O presidente Lula cravou claramente a posição do seu governo em relação à Alca ao afirmar sábado que a discussão desse projeto de integração “não é oportuna” neste momento e poderá “atrapalhar” o andamento de negociações mais relevantes para o Brasil – as da Rodada Doha da OMC. Despreocupado com a possibilidade de fracasso da IV Cúpula das Américas, tumultuada pelas discussões polarizadas sobre a Alca, Lula defendeu que os países sul-americanos devam negociar acordos de livre comércio com as nações mais desenvolvidas (leia-se, os Estados Unidos) somente depois de fortalecerem e estabilizarem suas economias.


Durante sua passagem de menos de 24 horas por Mar del Plata, Lula discursou em consonância com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, que defendeu nos últimos dois dias a posição do Mercosul durante os debates da Cúpula das Américas. Essa posição era claramente contrária a qualquer compromisso efetivo dos 34 países envolvidos na Alca com a retomada das negociações, paralisadas desde março do ano passado.                                      



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Diálogo entre Lula e Bush pode ser destravado neste domingo


06/11/2005 | 08:15


Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, George W. Bush, encontram-se neste domingo, em Brasília, no momento em que enfrentam as piores crises em seus governos, com a improvável missão de relançar um diálogo bilateral, que até agora tem se caracterizado pelas boas intenções nas declarações e superficialidade nas ações. Bush, que será recebido na Granja do Torto, vem retribuir a visita de trabalho que Lula lhe fez em junho de 2003. Na ocasião, os dois anunciaram que aprofundariam as relações bilaterais, investindo na cooperação em setores específicos.


Desde então, a relação se intensificou na área macroeconômica e o Brasil ganhou reconhecimento ao assumir o comando da força de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti. Mas o diálogo mostrou-se inócuo e parou noutras áreas. Tornou-se difícil em temas políticos regionais e globais, como a Venezuela e a reforma do Conselho de Segurança da ONU.


Autoridades brasileiras esperam que o presidente dos EUA aborde temas incômodos durante o encontro, como a parceria de Lula com o venezuelano Hugo Chávez e a possível eleição de um antiamericano, Evo Morales – que engrossou a manifestação contra Bush durante a Cúpula das Américas –, para a presidência da Bolívia.


É longa a pauta das conversações entre Brasil e EUA. Inclui a busca do Brasil por um assento no Conselho de Segurança da ONU e passa pela expectativa de ver extinta a ameaça americana de retirar o Brasil do SGP (Sistema Geral de Preferências), pelo qual quase US$ 2 bilhões em mercadorias entram com tarifas reduzidas nos EUA.

Os dois presidentes tratarão da questão dos subsídios agrícolas, embora Lula não pretenda pressionar Bush para que os EUA adotem rapidamente as medidas da OMC (Organização Mundial de Comércio), de eliminação de subsídios ao algodão. Mas não está prevista discussão ou avanço em relação à concessão de vistos ou à Tríplice Fronteira, identificada pelos americanos como um possível foco de terrorismo. Lula aproveitará para lembrar a importância de que sejam assegurados os recursos para a reconstrução do Haiti.


A discussão sobre a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) está empacada. A prioridade são as negociações na OMC.

Dentre os resultados esperados pela área diplomática, destaca-se o fortalecimento dos mecanismos de cooperação nas áreas de ciências espaciais – embora não esteja previsto avanço em relação à Base de Alcântara –, saúde, educação, biodiversidade e nanotecnologia.

A vinda de Bush ao Brasil provocou várias manifestações pelo país. Em São Paulo, cerca de mil pessoas participaram de protesto organizado pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e ocuparam as duas faixas da avenida Paulista.

Cúpula – Poucas horas antes do encerramento, a 4ª Cúpula das Américas caminhava no início da tarde de sábado sobre a linha tênue de um acordo precário em torno de uma declaração política que adiava mais uma vez um confronto sobre o tema mais polêmico do encontro dos 34 líderes eleitos da região – a empacada Alca – e um embaraçoso fracasso do evento.

O presidente Lula cravou claramente a posição do seu governo em relação à Alca ao afirmar sábado que a discussão desse projeto de integração “não é oportuna” neste momento e poderá “atrapalhar” o andamento de negociações mais relevantes para o Brasil – as da Rodada Doha da OMC. Despreocupado com a possibilidade de fracasso da IV Cúpula das Américas, tumultuada pelas discussões polarizadas sobre a Alca, Lula defendeu que os países sul-americanos devam negociar acordos de livre comércio com as nações mais desenvolvidas (leia-se, os Estados Unidos) somente depois de fortalecerem e estabilizarem suas economias.


Durante sua passagem de menos de 24 horas por Mar del Plata, Lula discursou em consonância com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, que defendeu nos últimos dois dias a posição do Mercosul durante os debates da Cúpula das Américas. Essa posição era claramente contrária a qualquer compromisso efetivo dos 34 países envolvidos na Alca com a retomada das negociações, paralisadas desde março do ano passado.                                      

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