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Prefeitura de S.Caetano apresenta plano para revitalizar bairro Fundação

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Auricchio anuncia planejamento de combate às enchentes e fim de impasse na área da Matarazzo


Raphael Rocha
Do dgabc.com.br

06/12/2019 | 23:16


A Prefeitura de São Caetano apresenta hoje plano para revitalizar por completo o bairro Fundação dentro de cinco anos. O planejamento, estimado em R$ 150 milhões, envolve obras de combate às enchentes, de desenvolvimento econômico, de sustentabilidade, de mobilidade urbana e até mesmo para dar vida a um dos maiores problemas do local: o esqueleto do que já foi as Indústrias Reunidas Matarazzo.

Primeiro bairro da cidade, o Fundação foi segregado do resto do município por ser cortado pela linha férrea e por ficar à margem do Rio Tamanduateí, na Avenida do Estado, em desnível da margem. Ou seja, a região, que tem cerca de 20 mil moradores, sofre com constantes cheias e, desde que as Indústrias Matarazzo faliram, na década de 1980, passa por intenso processo de degradação.

Diversos planos de recuperação do bairro foram anunciados, mas poucos avançaram. O prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSDB), se penitencia – ficou oito anos no cargo, entre 2005 e 2012 –, mas avisa que, desta vez, há aporte para tirar do papel o planejamento de renascimento do espaço.

“Vários fatores corroeram a autoestima dos moradores. Meu pai e minha mãe nasceram no bairro Fundação. Antes nascer ali era importante. Hoje, o morador diz que tudo está ruim. A desindustrialização colaborou, comércio foi embora. Resolvemos agora com linhas de operação de crédito, com Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento) e CAF (Corporação Andina de Fomento, banco de investimento da América Latina). Serão quatro eixos.”

O combate às enchentes é o eixo que mais demandará recursos. Serão destinados R$ 36,3 milhões para construção de dois piscinões – um em terreno público, outro em área particular a ser desapropriada. Outros R$ 25,2 milhões irão para obras de macrodrenagem em sete quilômetros de vias à margem da Avenida do Estado. Também haverá investimento de R$ 20 milhões na construção de muros polders à margem do Rio Tamanduateí, para segurar as cheias e R$ 20 milhões para alteamento de vias – uma delas a Rua Mariano Pamplona na altura da Rua Ibitirama.

“Os reservatórios terão capacidade de armazenar de 150 mil a 200 mil metros cúbicos de água, com obra estimada em até 36 meses”, citou Auricchio. Dentro desse pacote também está a reestruturação do Viaduto Independência. O viário será instalado em cima da estrutura atual, mas terá novos suportes e será estaiado (sustentado por cabos) – obra com custo de R$ 22 milhões.

Haverá ainda intervenções em iluminação pública, educação, recapeamento, centros de terceira idade e até consulta pública sobre o futuro do terreno onde abrigou o Edifício Di Thiene, que desabou em junho (veja quadro completo ao lado com as obras). Também são prometidas obras na passagem de nível do bairro.

“Em cinco anos vamos transformar o bairro todo”, promete Auricchio, relembrando a história do local – abrigou, no séculos XVII, XVIII e XIX, monges beneditinos e se consolidou como bairro em 1916. “Sediou a primeira fase de desenvolvimento de São Caetano, tem importância histórica para o município.”

Desenvolvimento na área da Matarazzo

As Indústrias Reunidas Matarazzo chegaram em São Caetano em 1912, transformando o então bairro da Ponte como o principal de uma região que só viria se emancipar três décadas depois. O conglomerado de fábricas se tornou potência, trabalhando com os mais variados produtos: seda, louça e azulejo, papel, papelão e celulose, ácidos, soda cáustica, hexaclorobenzeno, acetileno, carbureto de cálcio e ácido sulfúrico.

Após a falência, em 1980, o esqueleto foi deixado no meio do bairro – já Fundação, depois que, em 1950, o então prefeito Angelo Raphael Pellegrino mudou seu nome. Os diversos projetos para o espaço de 220 mil metros quadrados esbarraram na contaminação do terreno.

A área é grosseiramente dividida em cinco espaços com características de solo ou técnicas diferentes. Há uma completamente descontaminada (nos arredores da Praça Comendador Ermelino Matarazzo), de 50 mil metros quadrados. Outra pertencente à Prefeitura, de 18 mil metros quadrados – onde o Paço realizava a Festa Italiana. Há também espaço de 60 mil metros quadrados com contaminação moderada e fácil processo de remediação. Um quarto local, de 33 mil metros quadrados, de contaminação mais profunda, mas com descontaminação possível. O quinto, de 60 mil metros quadrados, é de alta contaminação e metodologia mais complexa de limpeza.

Há duas semanas, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) autorizou o governo do prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) a construir um parque, no valor inicial de R$ 10 milhões, na área que pertence à municipalidade com adoção de “medidas como a cobertura da área com solo limpo e isolamento com obras de engenharia”.

As demais áreas envolvem plano em conjunto com a iniciativa privada, segundo o prefeito. O tucano revelou que há forte interesse do mercado imobiliário pelo terreno completamente descontaminado da Matarazzo. A ideia é autorizar a construção de empreendimentos, mas forçar que a incorporadora banque a descontaminação completa do espaço onde hoje há alta contaminação. Em uma segunda etapa, esse espaço remediado poderia abrigar torres.

No trecho onde há média contaminação, o objetivo também é autorizar subida de prédios – a empresa ficaria responsável por despoluir o terreno, porém. Além disso, teria de ceder parte do lote, de 2.000 a 3.000 metros quadrados, para que a Prefeitura construa um polo tecnológico. “De fomento de empresa limpa, startups. Vou convidar empresas a virem com IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) zero e desconto progressivo do ISS (Imposto Sobre Serviços) conforme investimento. Gero emprego, renda e conhecimento”, projeta Auricchio, emendando que estima ter apoio da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e do Instituto Mauá de Tecnologia, também da cidade.

As áreas de profunda contaminação seguirão no mapa do Palácio da Cerâmica, que buscará, provavelmente na iniciativa privada, verba para descontaminação.

Nos próximos dias, Auricchio deve publicar, no Diário Oficial, decreto de utilidade pública do terreno da Matarazzo. Também vai criar comissão, com moradores do bairro, para acompanhamento do processo.



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Prefeitura de S.Caetano apresenta plano para revitalizar bairro Fundação

Auricchio anuncia planejamento de combate às enchentes e fim de impasse na área da Matarazzo

Raphael Rocha
Do dgabc.com.br

06/12/2019 | 23:16


A Prefeitura de São Caetano apresenta hoje plano para revitalizar por completo o bairro Fundação dentro de cinco anos. O planejamento, estimado em R$ 150 milhões, envolve obras de combate às enchentes, de desenvolvimento econômico, de sustentabilidade, de mobilidade urbana e até mesmo para dar vida a um dos maiores problemas do local: o esqueleto do que já foi as Indústrias Reunidas Matarazzo.

Primeiro bairro da cidade, o Fundação foi segregado do resto do município por ser cortado pela linha férrea e por ficar à margem do Rio Tamanduateí, na Avenida do Estado, em desnível da margem. Ou seja, a região, que tem cerca de 20 mil moradores, sofre com constantes cheias e, desde que as Indústrias Matarazzo faliram, na década de 1980, passa por intenso processo de degradação.

Diversos planos de recuperação do bairro foram anunciados, mas poucos avançaram. O prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSDB), se penitencia – ficou oito anos no cargo, entre 2005 e 2012 –, mas avisa que, desta vez, há aporte para tirar do papel o planejamento de renascimento do espaço.

“Vários fatores corroeram a autoestima dos moradores. Meu pai e minha mãe nasceram no bairro Fundação. Antes nascer ali era importante. Hoje, o morador diz que tudo está ruim. A desindustrialização colaborou, comércio foi embora. Resolvemos agora com linhas de operação de crédito, com Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento) e CAF (Corporação Andina de Fomento, banco de investimento da América Latina). Serão quatro eixos.”

O combate às enchentes é o eixo que mais demandará recursos. Serão destinados R$ 36,3 milhões para construção de dois piscinões – um em terreno público, outro em área particular a ser desapropriada. Outros R$ 25,2 milhões irão para obras de macrodrenagem em sete quilômetros de vias à margem da Avenida do Estado. Também haverá investimento de R$ 20 milhões na construção de muros polders à margem do Rio Tamanduateí, para segurar as cheias e R$ 20 milhões para alteamento de vias – uma delas a Rua Mariano Pamplona na altura da Rua Ibitirama.

“Os reservatórios terão capacidade de armazenar de 150 mil a 200 mil metros cúbicos de água, com obra estimada em até 36 meses”, citou Auricchio. Dentro desse pacote também está a reestruturação do Viaduto Independência. O viário será instalado em cima da estrutura atual, mas terá novos suportes e será estaiado (sustentado por cabos) – obra com custo de R$ 22 milhões.

Haverá ainda intervenções em iluminação pública, educação, recapeamento, centros de terceira idade e até consulta pública sobre o futuro do terreno onde abrigou o Edifício Di Thiene, que desabou em junho (veja quadro completo ao lado com as obras). Também são prometidas obras na passagem de nível do bairro.

“Em cinco anos vamos transformar o bairro todo”, promete Auricchio, relembrando a história do local – abrigou, no séculos XVII, XVIII e XIX, monges beneditinos e se consolidou como bairro em 1916. “Sediou a primeira fase de desenvolvimento de São Caetano, tem importância histórica para o município.”

Desenvolvimento na área da Matarazzo

As Indústrias Reunidas Matarazzo chegaram em São Caetano em 1912, transformando o então bairro da Ponte como o principal de uma região que só viria se emancipar três décadas depois. O conglomerado de fábricas se tornou potência, trabalhando com os mais variados produtos: seda, louça e azulejo, papel, papelão e celulose, ácidos, soda cáustica, hexaclorobenzeno, acetileno, carbureto de cálcio e ácido sulfúrico.

Após a falência, em 1980, o esqueleto foi deixado no meio do bairro – já Fundação, depois que, em 1950, o então prefeito Angelo Raphael Pellegrino mudou seu nome. Os diversos projetos para o espaço de 220 mil metros quadrados esbarraram na contaminação do terreno.

A área é grosseiramente dividida em cinco espaços com características de solo ou técnicas diferentes. Há uma completamente descontaminada (nos arredores da Praça Comendador Ermelino Matarazzo), de 50 mil metros quadrados. Outra pertencente à Prefeitura, de 18 mil metros quadrados – onde o Paço realizava a Festa Italiana. Há também espaço de 60 mil metros quadrados com contaminação moderada e fácil processo de remediação. Um quarto local, de 33 mil metros quadrados, de contaminação mais profunda, mas com descontaminação possível. O quinto, de 60 mil metros quadrados, é de alta contaminação e metodologia mais complexa de limpeza.

Há duas semanas, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) autorizou o governo do prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) a construir um parque, no valor inicial de R$ 10 milhões, na área que pertence à municipalidade com adoção de “medidas como a cobertura da área com solo limpo e isolamento com obras de engenharia”.

As demais áreas envolvem plano em conjunto com a iniciativa privada, segundo o prefeito. O tucano revelou que há forte interesse do mercado imobiliário pelo terreno completamente descontaminado da Matarazzo. A ideia é autorizar a construção de empreendimentos, mas forçar que a incorporadora banque a descontaminação completa do espaço onde hoje há alta contaminação. Em uma segunda etapa, esse espaço remediado poderia abrigar torres.

No trecho onde há média contaminação, o objetivo também é autorizar subida de prédios – a empresa ficaria responsável por despoluir o terreno, porém. Além disso, teria de ceder parte do lote, de 2.000 a 3.000 metros quadrados, para que a Prefeitura construa um polo tecnológico. “De fomento de empresa limpa, startups. Vou convidar empresas a virem com IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) zero e desconto progressivo do ISS (Imposto Sobre Serviços) conforme investimento. Gero emprego, renda e conhecimento”, projeta Auricchio, emendando que estima ter apoio da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e do Instituto Mauá de Tecnologia, também da cidade.

As áreas de profunda contaminação seguirão no mapa do Palácio da Cerâmica, que buscará, provavelmente na iniciativa privada, verba para descontaminação.

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