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A guinada na carreira de Humberto Martins

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Gabriela Germano
Da TV Press

15/05/2008 | 07:03


Na pele do cirurgião plástico Renato Reis, de Beleza Pura, Humberto Martins anda muito bem vestido. E apesar de o personagem cometer suas vilanias em nome da paixão que sente por Joana, de Regiane Alves, o ator tem recebido carinho nas ruas já que, como ele mesmo diz, "o público perdoa as maldades cometidas por amor".

Por um bom tempo, no entanto, Humberto chamou a atenção nos folhetins por outro motivo. Era aquele que aparecia sem camisa, encarnando valentões metidos a herói, principalmente nas tramas de Carlos Lombardi. Desde América, em 2005, ele interpreta figuras mais sérias e até temidos vilões. O ator acredita que os tempos são outros, que hoje é um profissional mais respeitado, mas nem por isso tem uma vida mais fácil. Confira trechos da entrevista:

Você já interpretou muitos personagens rudes na TV, mas em Beleza Pura dá vida a um médico bem-sucedido e metido. Como é encarnar esse papel?

HUMBERTO MARTINS - É um trabalho de composição que tem vários lados e, para interpretar o Dr. Renato, tenho de me polir bastante. Porque é um personagem principesco, que chega a ser catedrático. É uma figura que tem uma profissão séria, apegado aos livros e aos estudos. Tenho de colocar o meu corpo se movimentando de acordo com a vida de apartamento que ele sempre levou. Há ainda a questão da fala, pois tento não usar uma voz tão grossa. Enfim, é um trabalho físico e orgânico para encontrar o ponto certo. Além disso existe o lado psicológico. Sempre fiz personagens mais decididos, mas em Beleza Pura dou vida a um cara que tem um lado fraco, que é a paixão pela personagem da Regiane Alves. .

Os vilões são mais interessantes do que os mocinhos?

MARTINS - O vilão parece ser mais interessante porque é um personagem com mais carga e você tem de trabalhar vários aspectos. A partir de Kubanacan, em 2003, pedi um vilão para o Carlos Lombardi porque estava meio entediado de fazer mocinhos, estava achando meio chato.

E foi nesse mesmo momento que você não aceitou mais fazer personagens que aparecessem sem camisa em cena?

MARTINS - Na TV não existe a frase ‘eu não quero fazer determinado personagem'. Fiz um pedido para interpretar tipos diferentes de maneira bastante humilde. O mais difícil nessa profissão é conseguir provar para todas as pessoas envolvidas no meio que você é capaz daquilo que ninguém imagina. E só há uma maneira de provar isso: em cena. Essa carreira é um dia após o outro trabalhando sério e nunca pensando no sucesso do personagem anterior. Sucesso é efêmero, tem hora para acabar. Sempre pensei para frente, enxergando que o próximo personagem é que será o melhor. Assim consegui chegar onde estou hoje.

Você já chegou onde queria?

MARTINS - O ano que vem faço 20 anos de Globo e acho que eles foram bem produtivos. Mas acho que tenho apenas meia carreira porque ainda há muito por fazer. De uns tempos para cá, passei a ser um ator mais respeitado, mas já fui tratado de maneira muito desigual.

Você sofreu preconceito de pessoas do próprio meio de trabalho?

MARTINS - Imagine todas as formas que uma pessoa pode ser tratada em um ambiente de trabalho. Eu já fui. Além do Carlos Lombardi, a Glória Perez e o Benedito Ruy Barbosa são autores que acreditaram que eu poderia levar personagens à frente. Mas na turma de alguns diretores e produtores eu não tinha entrada mesmo. No entanto, com o meu trabalho feito de maneira muito responsável, fui mostrando que podia fazer coisas diferentes.

Existe algum arrependimento por ter feito tantos descamisados na TV?

MARTINS - Não. Parti para outros autores que me deram personagens com carga dramática de igual teor aos das novelas do Lombardi. O que as pessoas não vêem é que vivíamos uma época em que o culto ao corpo era muito grande. E eu podia me encaixar nisso. Não foi culpa de nada ou de ninguém, mas foi conveniente. Tinha uma razão disso ser explorado e hoje não tem mais, está fora de moda. De qualquer forma isso me trouxe um certo prejuízo porque fechou os olhos das pessoas que não viam que eu tinha uma consciência maior sobre dramaturgia.

Foi nessa época que o Antonio Fagundes chegou a dizer que não o reconheceu em uma ocasião porque você vestia uma camisa?

MARTINS - É verdade e achei uma brincadeira de muito mau gosto da parte dele. Ainda mais porque é um colega que sempre admirei e admiro. Isso ficou na minha cabeça, me feriu, mas funcionou como um alerta para algo que já sentia: o que vinha fazendo na TV tinha prazo de validade. Hoje realmente vejo que ele se equivocou. Os tempos mudaram e consegui que as pessoas apreciassem meu trabalho de um outro jeito. Tanto que nesta fase já fiz América, Sinhá Moça, Amazônia e agora estou em Beleza Pura. Por isso não guardo rancor em relação ao Fagundes. Não tenho intimidade com ele, mas respeito seu trabalho.

Você disse que já teve de provar muita coisa ao longo da carreira. E hoje, precisa continuar provando?

MARTINS - Agora tenho de provar ainda mais. Para manter a reputação que já conquistei tudo ainda é mais difícil.



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A guinada na carreira de Humberto Martins

Gabriela Germano
Da TV Press

15/05/2008 | 07:03


Na pele do cirurgião plástico Renato Reis, de Beleza Pura, Humberto Martins anda muito bem vestido. E apesar de o personagem cometer suas vilanias em nome da paixão que sente por Joana, de Regiane Alves, o ator tem recebido carinho nas ruas já que, como ele mesmo diz, "o público perdoa as maldades cometidas por amor".

Por um bom tempo, no entanto, Humberto chamou a atenção nos folhetins por outro motivo. Era aquele que aparecia sem camisa, encarnando valentões metidos a herói, principalmente nas tramas de Carlos Lombardi. Desde América, em 2005, ele interpreta figuras mais sérias e até temidos vilões. O ator acredita que os tempos são outros, que hoje é um profissional mais respeitado, mas nem por isso tem uma vida mais fácil. Confira trechos da entrevista:

Você já interpretou muitos personagens rudes na TV, mas em Beleza Pura dá vida a um médico bem-sucedido e metido. Como é encarnar esse papel?

HUMBERTO MARTINS - É um trabalho de composição que tem vários lados e, para interpretar o Dr. Renato, tenho de me polir bastante. Porque é um personagem principesco, que chega a ser catedrático. É uma figura que tem uma profissão séria, apegado aos livros e aos estudos. Tenho de colocar o meu corpo se movimentando de acordo com a vida de apartamento que ele sempre levou. Há ainda a questão da fala, pois tento não usar uma voz tão grossa. Enfim, é um trabalho físico e orgânico para encontrar o ponto certo. Além disso existe o lado psicológico. Sempre fiz personagens mais decididos, mas em Beleza Pura dou vida a um cara que tem um lado fraco, que é a paixão pela personagem da Regiane Alves. .

Os vilões são mais interessantes do que os mocinhos?

MARTINS - O vilão parece ser mais interessante porque é um personagem com mais carga e você tem de trabalhar vários aspectos. A partir de Kubanacan, em 2003, pedi um vilão para o Carlos Lombardi porque estava meio entediado de fazer mocinhos, estava achando meio chato.

E foi nesse mesmo momento que você não aceitou mais fazer personagens que aparecessem sem camisa em cena?

MARTINS - Na TV não existe a frase ‘eu não quero fazer determinado personagem'. Fiz um pedido para interpretar tipos diferentes de maneira bastante humilde. O mais difícil nessa profissão é conseguir provar para todas as pessoas envolvidas no meio que você é capaz daquilo que ninguém imagina. E só há uma maneira de provar isso: em cena. Essa carreira é um dia após o outro trabalhando sério e nunca pensando no sucesso do personagem anterior. Sucesso é efêmero, tem hora para acabar. Sempre pensei para frente, enxergando que o próximo personagem é que será o melhor. Assim consegui chegar onde estou hoje.

Você já chegou onde queria?

MARTINS - O ano que vem faço 20 anos de Globo e acho que eles foram bem produtivos. Mas acho que tenho apenas meia carreira porque ainda há muito por fazer. De uns tempos para cá, passei a ser um ator mais respeitado, mas já fui tratado de maneira muito desigual.

Você sofreu preconceito de pessoas do próprio meio de trabalho?

MARTINS - Imagine todas as formas que uma pessoa pode ser tratada em um ambiente de trabalho. Eu já fui. Além do Carlos Lombardi, a Glória Perez e o Benedito Ruy Barbosa são autores que acreditaram que eu poderia levar personagens à frente. Mas na turma de alguns diretores e produtores eu não tinha entrada mesmo. No entanto, com o meu trabalho feito de maneira muito responsável, fui mostrando que podia fazer coisas diferentes.

Existe algum arrependimento por ter feito tantos descamisados na TV?

MARTINS - Não. Parti para outros autores que me deram personagens com carga dramática de igual teor aos das novelas do Lombardi. O que as pessoas não vêem é que vivíamos uma época em que o culto ao corpo era muito grande. E eu podia me encaixar nisso. Não foi culpa de nada ou de ninguém, mas foi conveniente. Tinha uma razão disso ser explorado e hoje não tem mais, está fora de moda. De qualquer forma isso me trouxe um certo prejuízo porque fechou os olhos das pessoas que não viam que eu tinha uma consciência maior sobre dramaturgia.

Foi nessa época que o Antonio Fagundes chegou a dizer que não o reconheceu em uma ocasião porque você vestia uma camisa?

MARTINS - É verdade e achei uma brincadeira de muito mau gosto da parte dele. Ainda mais porque é um colega que sempre admirei e admiro. Isso ficou na minha cabeça, me feriu, mas funcionou como um alerta para algo que já sentia: o que vinha fazendo na TV tinha prazo de validade. Hoje realmente vejo que ele se equivocou. Os tempos mudaram e consegui que as pessoas apreciassem meu trabalho de um outro jeito. Tanto que nesta fase já fiz América, Sinhá Moça, Amazônia e agora estou em Beleza Pura. Por isso não guardo rancor em relação ao Fagundes. Não tenho intimidade com ele, mas respeito seu trabalho.

Você disse que já teve de provar muita coisa ao longo da carreira. E hoje, precisa continuar provando?

MARTINS - Agora tenho de provar ainda mais. Para manter a reputação que já conquistei tudo ainda é mais difícil.

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