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Região tenta se recuperar depois de tempestade

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Santo André, S.Bernardo e Mauá, atingidas por fortes chuvas de sexta, sofrem com caos


Bia Moço
Do dgabc.com.br

25/11/2018 | 07:00


O Grande ABC tenta se recuperar as fortes chuvas que castigaram a região na tarde e na noite de sexta-feira, em especial em Santo André, São Bernardo e Mauá. Foram duas horas de tempestade, suficientes para matar duas pessoas (veja mais abaixo), deixar desabrigados e lojas destruídas.

A equipe do Diário percorreu ontem diversos locais atingidos pelas chuvas e o cenário era de destruição. Lama, lixo nas ruas, casas danificadas, semáforos apagados e trânsito complicado denunciavam o caos instalado nas cidades.

Em Santo André, logo pela manhã, a Prefeitura deu início à reconstrução do muro do cemitério Cristo Redentor, na Vila Pires, que cedeu. Funcionários da Defesa Civil e da Secretaria de Manutenção e Serviços Urbanos realizavam a limpeza, removendo lama, restos de caixão e lixo acumulado, além de realizarem reforço na parte do muro que não foi afetada.

Moradores do entorno relataram susto após a queda da parede, tendo em vista barulho alto e pressão de ar causada nas portas e janelas. “O maior problema foi o cheiro ruim. Logo que os jazigos despencaram, as covas abertas soltaram odor de chorume e estava muito forte. Fora isso, era possível ver restos mortais sendo arrastados pela enxurrada”, relatou Vitor Luis da Silva, 37 anos.

Por motivos de segurança, houve desligamento da energia elétrica e o acesso ao cemitério ficou restrito às equipes da Defesa Civil ao longo do dia, o que causou tumulto na porta do local. Por volta das 10h, famílias chegavam preocupadas com entes que estão enterrados perto da área de desabamento. A jornalista Elide Soul, 55, estava preocupada com o jazigo da família. “Meu pai e meu tio estão enterrados na cova que fica ao lado da que desabou. Houve danos estruturais, não sei se o jazigo da família foi atingido. Quando vi a reportagem vim correndo para cá (cemitério).”

Chefe do Serviço Funerário de Santo André, o ex-vereador Sargento Juliano destacou que quatro jazigos vieram abaixo. “As famílias foram devidamente avisadas e os corpos, reconhecidos. Vamos ceder novos jazigos às famílias sem nenhum custo.”

O prefeito Paulo Serra (PSDB) ressaltou que na madrugada de sexta-feira vistoriou os locais atingidos. “Determinamos o fechamento dos parques ao longo do fim de semana para que toda nossa equipe esteja mobilizada na limpeza e recuperação dos danos causados na nossa cidade. Praticamente 200 pessoas envolvidas.”

A Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo, em Santo André, foi um dos pontos mais afetados. Na manhã de ontem, a via ainda apresentava sinais da enxurrada com lama e lixo espalhados.

Invasão no Jardim Santo André também foi palco da chuva que castigou a cidade. Com quatro barracos prestes a desmoronar, a Defesa Civil, junto com equipe da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) – já que a companhia estadual é proprietária do local –, fizeram vistoria das moradias.

De acordo com a Associação Beneficente do Jardim Santo André e Adjacências, nas áreas invadidas vivem cerca de 4.000 famílias. Todas estão sob risco de desabamento, já que as construções, nas encostas dos morros, não têm estrutura para suportar tempestades como a de sexta-feira.

O casal Clauderly Araújo Gomes, 25, e Ana (nome fictício), 15, tomaram susto grande. A jovem está grávida de sete meses e relatou ter sentido “pânico” quando a terra começou a descer. Com barraco construído com tapumes na parte de trás do morro, a área frontal da moradia foi tomada por barro e teve a estrutura danificada. “Nunca passei por nada parecido”, disse ele.

Já na parte de cima da comunidade, Andrelita Santos Sales, 39, não sabia dizer o que sentia. Seu barraco foi destruído pela enxurrada. Chorando, ela comentou que não sabe para onde ir. “Tenho duas filhas adolescentes, uma de 12 e outra de 15, não tenho onde me alojar para arrumar minha casa. Senti muito medo, e ainda sinto. Se chover de novo não sei o que será de nós.”

Representantes da Defesa Civil disseram que, por hora, o risco dos barracos caírem ou ficarem soterrados é baixo. Entretanto, destacam que com novas pancadas de chuva é possível que o problema se agrave.

Após ter parte do gesso do teto danificado, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Bangu, reinaugurada em abril, funcionou normalmente. Segundo a Prefeitura, os reparos estruturais foram realizados na sexta-feira a noite, logo após o incidente causado por entupimento das calhas.

S.Bernardo confirma 2 mortes por afogamento

A Prefeitura de São Bernardo confirmou ontem a segunda morte devido à tempestade que atingiu o Grande ABC na sexta-feira. Maria Luzinete de Andrade, 63, foi levada pela enxurrada quando estava com sua neta, de 3 anos, no bairro Assunção. A menina está internada em estado grave na UTI do PS (Pronto-Socorro) Central.

A outra vítima era Marcelo Silva, 42. Ele teve óbito confirmado ainda na noite de sexta-feira. O homem circulava de bicicleta, em frente ao Paço, quando foi puxado pela correnteza.

JURUBATUBA - Tradicional centro comercial de móveis de São Bernardo, a Rua Jurubatuba viveu dia de tristeza e desespero. As lojas foram devastadas pela enxurrada.

A equipe do Diário circulou pela via, por volta das 14h, e constatou o prejuízo dos comerciantes. Além de vidros quebrados, a perda de mercadoria, especialmente móveis, foi praticamente total. Calçadas estavam tomadas por lama, lixo e vidro.

Mohamed Ali Jarouche, 48, é proprietário de duas lojas de móveis e decoração e nos dois estabelecimentos o prejuízo foi total. Além dos vidros quebrados, não sobrou mobiliário. “Perdi tudo. Não tenho nem ideia do custo que isso vai me gerar e do tamanho do prejuízo financeiro. Encheu de água as duas lojas, além dos móveis que boiaram e foram embora com a correnteza”.

Já Sales Jaruuche, 54, lamentou prejuízo estimado em R$ 200 mil. Seu comércio estava com lama e próximo à entrada uma cratera no chão se abriu. “Perdi absolutamente tudo. Agora chova o que tiver que chover, não há mais nada para estragar.”

Vendedores de diversas lojas lamentaram a ocasião e pediram apoio do poder público, uma vez que ressaltam sofrer com enchentes há mais de dez anos.

“Hoje (ontem), durante todo o dia, trabalhamos com 150 homens, para remover entulho, retirar lama e desobstruir os bueiros. Posso garantir que 70% de todo dano causado conseguimos reparar. Amanhã (hoje) vamos trabalhar com o mesmo efetivo”, afirmou o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), que lamentou prejuízo dos lojistas.

Em Mauá, em frente à casa que desabou no Jardim Ipê a vizinhança se reuniu para limpar o espaço e tentar resgatar utilitários como fogão, geladeira, micro-ondas e móveis. Embora não tenha havido vítimas no acidente, a Defesa Civil interditou quatro moradias ao redor da principal atingida. No entanto, todos os moradores permaneceram no local.

A dona da residência, a copeira Maria do Desterro Santos Mendes, 58, passou mal quando soube que sua casa havia desabado. Ela está hospedada na casa do filho, no bairro Clube de Campo, em Santo André.

A cidade contabilizou 26 pontos de alagamento, sendo os mais complicados na Avenida João Ramalho, onde houve transbordamento do piscinão.  



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Região tenta se recuperar depois de tempestade

Santo André, S.Bernardo e Mauá, atingidas por fortes chuvas de sexta, sofrem com caos

Bia Moço
Do dgabc.com.br

25/11/2018 | 07:00


O Grande ABC tenta se recuperar as fortes chuvas que castigaram a região na tarde e na noite de sexta-feira, em especial em Santo André, São Bernardo e Mauá. Foram duas horas de tempestade, suficientes para matar duas pessoas (veja mais abaixo), deixar desabrigados e lojas destruídas.

A equipe do Diário percorreu ontem diversos locais atingidos pelas chuvas e o cenário era de destruição. Lama, lixo nas ruas, casas danificadas, semáforos apagados e trânsito complicado denunciavam o caos instalado nas cidades.

Em Santo André, logo pela manhã, a Prefeitura deu início à reconstrução do muro do cemitério Cristo Redentor, na Vila Pires, que cedeu. Funcionários da Defesa Civil e da Secretaria de Manutenção e Serviços Urbanos realizavam a limpeza, removendo lama, restos de caixão e lixo acumulado, além de realizarem reforço na parte do muro que não foi afetada.

Moradores do entorno relataram susto após a queda da parede, tendo em vista barulho alto e pressão de ar causada nas portas e janelas. “O maior problema foi o cheiro ruim. Logo que os jazigos despencaram, as covas abertas soltaram odor de chorume e estava muito forte. Fora isso, era possível ver restos mortais sendo arrastados pela enxurrada”, relatou Vitor Luis da Silva, 37 anos.

Por motivos de segurança, houve desligamento da energia elétrica e o acesso ao cemitério ficou restrito às equipes da Defesa Civil ao longo do dia, o que causou tumulto na porta do local. Por volta das 10h, famílias chegavam preocupadas com entes que estão enterrados perto da área de desabamento. A jornalista Elide Soul, 55, estava preocupada com o jazigo da família. “Meu pai e meu tio estão enterrados na cova que fica ao lado da que desabou. Houve danos estruturais, não sei se o jazigo da família foi atingido. Quando vi a reportagem vim correndo para cá (cemitério).”

Chefe do Serviço Funerário de Santo André, o ex-vereador Sargento Juliano destacou que quatro jazigos vieram abaixo. “As famílias foram devidamente avisadas e os corpos, reconhecidos. Vamos ceder novos jazigos às famílias sem nenhum custo.”

O prefeito Paulo Serra (PSDB) ressaltou que na madrugada de sexta-feira vistoriou os locais atingidos. “Determinamos o fechamento dos parques ao longo do fim de semana para que toda nossa equipe esteja mobilizada na limpeza e recuperação dos danos causados na nossa cidade. Praticamente 200 pessoas envolvidas.”

A Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo, em Santo André, foi um dos pontos mais afetados. Na manhã de ontem, a via ainda apresentava sinais da enxurrada com lama e lixo espalhados.

Invasão no Jardim Santo André também foi palco da chuva que castigou a cidade. Com quatro barracos prestes a desmoronar, a Defesa Civil, junto com equipe da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) – já que a companhia estadual é proprietária do local –, fizeram vistoria das moradias.

De acordo com a Associação Beneficente do Jardim Santo André e Adjacências, nas áreas invadidas vivem cerca de 4.000 famílias. Todas estão sob risco de desabamento, já que as construções, nas encostas dos morros, não têm estrutura para suportar tempestades como a de sexta-feira.

O casal Clauderly Araújo Gomes, 25, e Ana (nome fictício), 15, tomaram susto grande. A jovem está grávida de sete meses e relatou ter sentido “pânico” quando a terra começou a descer. Com barraco construído com tapumes na parte de trás do morro, a área frontal da moradia foi tomada por barro e teve a estrutura danificada. “Nunca passei por nada parecido”, disse ele.

Já na parte de cima da comunidade, Andrelita Santos Sales, 39, não sabia dizer o que sentia. Seu barraco foi destruído pela enxurrada. Chorando, ela comentou que não sabe para onde ir. “Tenho duas filhas adolescentes, uma de 12 e outra de 15, não tenho onde me alojar para arrumar minha casa. Senti muito medo, e ainda sinto. Se chover de novo não sei o que será de nós.”

Representantes da Defesa Civil disseram que, por hora, o risco dos barracos caírem ou ficarem soterrados é baixo. Entretanto, destacam que com novas pancadas de chuva é possível que o problema se agrave.

Após ter parte do gesso do teto danificado, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Bangu, reinaugurada em abril, funcionou normalmente. Segundo a Prefeitura, os reparos estruturais foram realizados na sexta-feira a noite, logo após o incidente causado por entupimento das calhas.

S.Bernardo confirma 2 mortes por afogamento

A Prefeitura de São Bernardo confirmou ontem a segunda morte devido à tempestade que atingiu o Grande ABC na sexta-feira. Maria Luzinete de Andrade, 63, foi levada pela enxurrada quando estava com sua neta, de 3 anos, no bairro Assunção. A menina está internada em estado grave na UTI do PS (Pronto-Socorro) Central.

A outra vítima era Marcelo Silva, 42. Ele teve óbito confirmado ainda na noite de sexta-feira. O homem circulava de bicicleta, em frente ao Paço, quando foi puxado pela correnteza.

JURUBATUBA - Tradicional centro comercial de móveis de São Bernardo, a Rua Jurubatuba viveu dia de tristeza e desespero. As lojas foram devastadas pela enxurrada.

A equipe do Diário circulou pela via, por volta das 14h, e constatou o prejuízo dos comerciantes. Além de vidros quebrados, a perda de mercadoria, especialmente móveis, foi praticamente total. Calçadas estavam tomadas por lama, lixo e vidro.

Mohamed Ali Jarouche, 48, é proprietário de duas lojas de móveis e decoração e nos dois estabelecimentos o prejuízo foi total. Além dos vidros quebrados, não sobrou mobiliário. “Perdi tudo. Não tenho nem ideia do custo que isso vai me gerar e do tamanho do prejuízo financeiro. Encheu de água as duas lojas, além dos móveis que boiaram e foram embora com a correnteza”.

Já Sales Jaruuche, 54, lamentou prejuízo estimado em R$ 200 mil. Seu comércio estava com lama e próximo à entrada uma cratera no chão se abriu. “Perdi absolutamente tudo. Agora chova o que tiver que chover, não há mais nada para estragar.”

Vendedores de diversas lojas lamentaram a ocasião e pediram apoio do poder público, uma vez que ressaltam sofrer com enchentes há mais de dez anos.

“Hoje (ontem), durante todo o dia, trabalhamos com 150 homens, para remover entulho, retirar lama e desobstruir os bueiros. Posso garantir que 70% de todo dano causado conseguimos reparar. Amanhã (hoje) vamos trabalhar com o mesmo efetivo”, afirmou o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), que lamentou prejuízo dos lojistas.

Em Mauá, em frente à casa que desabou no Jardim Ipê a vizinhança se reuniu para limpar o espaço e tentar resgatar utilitários como fogão, geladeira, micro-ondas e móveis. Embora não tenha havido vítimas no acidente, a Defesa Civil interditou quatro moradias ao redor da principal atingida. No entanto, todos os moradores permaneceram no local.

A dona da residência, a copeira Maria do Desterro Santos Mendes, 58, passou mal quando soube que sua casa havia desabado. Ela está hospedada na casa do filho, no bairro Clube de Campo, em Santo André.

A cidade contabilizou 26 pontos de alagamento, sendo os mais complicados na Avenida João Ramalho, onde houve transbordamento do piscinão.  

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