Fechar
Publicidade

Sexta-Feira, 24 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Turismo

turismo@dgabc.com.br | 4435-8367

Você tem medo de avião?

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cerca de 42% dos brasileiros encaram como grande sofrimento a ideia de viajar em aeronaves


Marcela Munhoz

19/10/2017 | 07:00


Se você é daquele que faz questão de entrar por último na aeronave só para ficar mais tempo são e salvo em solo, se deixa cartas de despedida antes de viajar porque tem certeza que será vítima de tragédia aérea, se reza para tudo quanto é santo e se agarra nos braços da poltrona ou esmaga a mão do indivíduo ao lado – como se isso adiantasse algo – no pouso e na decolagem, se fica branco a cada tremida, barulho ou semblante ''''''''''''''''estranho'''''''''''''''' dos comissários de bordo durante toda a viagem ou se, simplesmente, nem passa perto de aeroporto para manter distância segura de qualquer avião – tem gente, inclusive, que só viaja de carro, ônibus ou navio – , você pode ter aerofobia.

Encontrar pessoas que se identificam com um ou todos os exemplos citados não é nada raro. De acordo com a última pesquisa feita pelo Ibope (de 2003), cerca de 42% dos brasileiros e 30% da população mundial sentem tal medo, embora viajar de avião seja muito mais seguro do que se aventurar nas estradas. A chance de morrer em decorrência de acidente aéreo é uma em 11 milhões em comparação a uma em 5.000. Aliás, procurar por informações como essa é uma das dicas que ajudam a diminuir o pânico (veja algumas no quadro abaixo).

Pensando em ajudar os clientes, algumas companhias aéreas oferecem certo tipo de assistência, mas essa situação ainda está bem distante no Brasil. Foi por esse motivo que as psicólogas Fernanda Queiroz e Paola Casalecchi criaram a Voe Psicologia, localizada em Moema em São Paulo. A clínica oferece tratamento individual (cerca de dez sessões) ou cursos terapêuticos (dois dias inteiros), que incluem voos acompanhados por elas e monitoramento até quando completar um ano da ‘alta’. “O perfil das pessoas que nos procuram é heterogêneo. Tem quem não embarca, que só vai com medicamentos ou com muito sofrimento. Geralmente chegam até nós porque tiveram algum prejuízo, como desistirem de encarar viagem profissional ou de férias com a família”, conta Fernanda.

Segundo ela, existem diversos níveis de medos, com algumas intensidades ou atrelados a outras fobias e transtornos. “Quem tem medo de avião é ansioso por natureza. A gente sempre tenta descobrir o motivo e as possíveis causas para poder entender. O interessante é que a maior parte das pessoas não passou por nenhuma intercorrência em voo, mas levam outras situações de medos fora do avião dentro da bagagem. O que acontece é que, para elas, não ter domínio da situação faz com que percam o controle”, explica a especialista.

DICAS PARA DRIBLAR O MEDO

> Evite bebida alcoólica e remédios (medicamento apenas se tiver acompanhamento de um profissional). Tais substâncias acentuam o mal estar e, lá no alto, o efeito é maior. Além disso, esses recursos não tratam do problema, só aumentam a ansiedade;
>Planeje a viagem e chegue ao aeroporto no horário. Atrasos podem aumentar a sensação de desespero; Se possível, escolha um lugar no corredor, para que fique livre para levantar e caminhar durante o voo;
>Vá o mais confortável possível e cuide do seu bem-estar. Isso significa se alimentar com pratos mais leves e dormir – pelo menos, tentar – na noite anterior. Aprender a respirar também ajuda;
> Faça de tudo para se distrair e afastar os pensamentos catastróficos. Quando a ansiedade bate, a atenção fica só nos sintomas. Ouvir música, um bom livro, ver filmes e falar com outras pessoas são boas dicas;
> É importante se informar - com fontes confiáveis – sobre o avião que vai pegar, o trajeto, como funciona o espaço aéreo, os tipos de barulhos e procedimentos que são normais durante uma viagem. Grande parte do medo vem da falta de conhecimento. É quando cria-se um bicho de sete cabeças sobre algo que é simples e seguro.
> Não está conseguindo controlar o medo? Visite um profissional que vai ajudar a descobrir a causa da fobia e ensinará técnicas para que suas férias não sejam um martírio.

‘Panicado’ cria site para trocar experiências
Se você é panicado – termo inventado pelo baiano Salvatore Carrozzo, 35 anos, para fazer referência a quem tem pânico de voar – vai se identificar com as situações relatadas por ele no Rivotravel (www.rivotravel.com), site criado em abril e que também conta com página no Facebook. “Fiz como forma de lidar e compartilhar o que sinto. Muita gente se identifica. Se sente melhor por saber que não é o único que passa por isso”, conta o jornalista, que só consegue viajar porque começou tratamento. “Tenho pânico total. Já começo a ficar zonzo na hora de comprar a passagem. Quando vai chegando perto de viajar a ansiedade e insônia aumentam. Chego a ficar com a visão embaçada. Para mim, a decolagem é o pior.”

Entre as situações vividas, Carozzo já pediu a um colega para viajar no seu lugar, deu vexame por misturar remédio e bebida e pediu para o avião parar. “O engraçado é que amo avião desde criança, queria ser piloto e saia correndo de casa para ver a aeronave passar”. O jornalista acredita que sua fobia começou há sete anos. “Me despedi do meu pai no aeroporto de Roma e nunca mais o vi, ele morreu dias depois no Brasil. Associo aeroporto e avião à morte”. Mas ele não deixa de embarcar e compartilha algumas dicas: “Sempre senta no fundo do avião, porque estatisticamente quem vai ali tem mais chances de sair vivo de um acidente. Se estou sozinho, aviso a pessoa ao lado que tenho medo, foram incontáveis vezes que segurei na mão de desconhecidos. Costumo pesquisar tudo sobre o modelo do avião, escolho roteiros com menos conexões possíveis, levo vários livros, palavras cruzadas e vejo filmes durante o trajeto. Também repito a mim mesmo que andar de avião é mais seguro do que atravessar a rua. Mesmo assim, tenho certeza que vou morrer em acidente aéreo.”

VOCÊ NÃO ESTÁ MESMO SOZINHO
“Peguei avião pela primeira vez quando fui a Recife. Não sabia como seria e fiquei ansiosa, suei frio na decolagem, mas segui. Durante minha estadia, aconteceu acidente aéreo. Na volta, dei enorme trabalho, não consegui ficar tranquila de forma alguma. Por conta disso, nunca mais fiz viagens longas. Na última, para Natal, uma pessoa passou mal e o comandante perguntou se havia algum médico. Aí entrei em pânico, com medo de ter de pousar antes. Fico muito abalada com as tragédias aéreas e não gosto da sensação de não ter como sair, passa tudo pela minha cabeça. Mas tem uma coisa boa: costumo fazer amigos. Como sinto medo, tento interagir com as pessoas. Também tomo chá de camomila e vejo a maior quantidade de filmes que for possível, mesmo assim, meu coração dispara. Ano que vem devo ir para a Disney e já estou tentando me preparar psicologicamente”, conta Beatriz Iacobelli Mucciolo, 31 anos, de São Caetano.

“Meu caso vai além do avião. Nem posso deitar e olhar para o céu que me dá medo. Quando era criança sonhava que estava caindo para o céu. Nunca pisei em um avião. Só de imaginar que alguém entra num troço daquele e fica voando bem alto me dá pânico. Tenho claustrofobia (medo de lugares fechados) e também não gosto de pensar em ficar preso dentro de uma caixa voadora. Sou adotado e na época em que encontrei minha mãe biológica meu sogro comprou as passagens para eu e ele viajarmos. No dia, pensei em todas as possibilidades que fariam um avião cair e, simplesmente, não fui. Se um dia precisar, creio que vou ter de tomar algum remédio para dormir”, diz Fábio Kidesh, 36 anos, de São Bernardo.

> Quer saber mais sobre o assunto e o motivo do Dia da Aviação ser em 23 de outubro? Leia o Diarinho de domingo.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Você tem medo de avião?

Cerca de 42% dos brasileiros encaram como grande sofrimento a ideia de viajar em aeronaves

Marcela Munhoz

19/10/2017 | 07:00


Se você é daquele que faz questão de entrar por último na aeronave só para ficar mais tempo são e salvo em solo, se deixa cartas de despedida antes de viajar porque tem certeza que será vítima de tragédia aérea, se reza para tudo quanto é santo e se agarra nos braços da poltrona ou esmaga a mão do indivíduo ao lado – como se isso adiantasse algo – no pouso e na decolagem, se fica branco a cada tremida, barulho ou semblante ''''''''''''''''estranho'''''''''''''''' dos comissários de bordo durante toda a viagem ou se, simplesmente, nem passa perto de aeroporto para manter distância segura de qualquer avião – tem gente, inclusive, que só viaja de carro, ônibus ou navio – , você pode ter aerofobia.

Encontrar pessoas que se identificam com um ou todos os exemplos citados não é nada raro. De acordo com a última pesquisa feita pelo Ibope (de 2003), cerca de 42% dos brasileiros e 30% da população mundial sentem tal medo, embora viajar de avião seja muito mais seguro do que se aventurar nas estradas. A chance de morrer em decorrência de acidente aéreo é uma em 11 milhões em comparação a uma em 5.000. Aliás, procurar por informações como essa é uma das dicas que ajudam a diminuir o pânico (veja algumas no quadro abaixo).

Pensando em ajudar os clientes, algumas companhias aéreas oferecem certo tipo de assistência, mas essa situação ainda está bem distante no Brasil. Foi por esse motivo que as psicólogas Fernanda Queiroz e Paola Casalecchi criaram a Voe Psicologia, localizada em Moema em São Paulo. A clínica oferece tratamento individual (cerca de dez sessões) ou cursos terapêuticos (dois dias inteiros), que incluem voos acompanhados por elas e monitoramento até quando completar um ano da ‘alta’. “O perfil das pessoas que nos procuram é heterogêneo. Tem quem não embarca, que só vai com medicamentos ou com muito sofrimento. Geralmente chegam até nós porque tiveram algum prejuízo, como desistirem de encarar viagem profissional ou de férias com a família”, conta Fernanda.

Segundo ela, existem diversos níveis de medos, com algumas intensidades ou atrelados a outras fobias e transtornos. “Quem tem medo de avião é ansioso por natureza. A gente sempre tenta descobrir o motivo e as possíveis causas para poder entender. O interessante é que a maior parte das pessoas não passou por nenhuma intercorrência em voo, mas levam outras situações de medos fora do avião dentro da bagagem. O que acontece é que, para elas, não ter domínio da situação faz com que percam o controle”, explica a especialista.

DICAS PARA DRIBLAR O MEDO

> Evite bebida alcoólica e remédios (medicamento apenas se tiver acompanhamento de um profissional). Tais substâncias acentuam o mal estar e, lá no alto, o efeito é maior. Além disso, esses recursos não tratam do problema, só aumentam a ansiedade;
>Planeje a viagem e chegue ao aeroporto no horário. Atrasos podem aumentar a sensação de desespero; Se possível, escolha um lugar no corredor, para que fique livre para levantar e caminhar durante o voo;
>Vá o mais confortável possível e cuide do seu bem-estar. Isso significa se alimentar com pratos mais leves e dormir – pelo menos, tentar – na noite anterior. Aprender a respirar também ajuda;
> Faça de tudo para se distrair e afastar os pensamentos catastróficos. Quando a ansiedade bate, a atenção fica só nos sintomas. Ouvir música, um bom livro, ver filmes e falar com outras pessoas são boas dicas;
> É importante se informar - com fontes confiáveis – sobre o avião que vai pegar, o trajeto, como funciona o espaço aéreo, os tipos de barulhos e procedimentos que são normais durante uma viagem. Grande parte do medo vem da falta de conhecimento. É quando cria-se um bicho de sete cabeças sobre algo que é simples e seguro.
> Não está conseguindo controlar o medo? Visite um profissional que vai ajudar a descobrir a causa da fobia e ensinará técnicas para que suas férias não sejam um martírio.

‘Panicado’ cria site para trocar experiências
Se você é panicado – termo inventado pelo baiano Salvatore Carrozzo, 35 anos, para fazer referência a quem tem pânico de voar – vai se identificar com as situações relatadas por ele no Rivotravel (www.rivotravel.com), site criado em abril e que também conta com página no Facebook. “Fiz como forma de lidar e compartilhar o que sinto. Muita gente se identifica. Se sente melhor por saber que não é o único que passa por isso”, conta o jornalista, que só consegue viajar porque começou tratamento. “Tenho pânico total. Já começo a ficar zonzo na hora de comprar a passagem. Quando vai chegando perto de viajar a ansiedade e insônia aumentam. Chego a ficar com a visão embaçada. Para mim, a decolagem é o pior.”

Entre as situações vividas, Carozzo já pediu a um colega para viajar no seu lugar, deu vexame por misturar remédio e bebida e pediu para o avião parar. “O engraçado é que amo avião desde criança, queria ser piloto e saia correndo de casa para ver a aeronave passar”. O jornalista acredita que sua fobia começou há sete anos. “Me despedi do meu pai no aeroporto de Roma e nunca mais o vi, ele morreu dias depois no Brasil. Associo aeroporto e avião à morte”. Mas ele não deixa de embarcar e compartilha algumas dicas: “Sempre senta no fundo do avião, porque estatisticamente quem vai ali tem mais chances de sair vivo de um acidente. Se estou sozinho, aviso a pessoa ao lado que tenho medo, foram incontáveis vezes que segurei na mão de desconhecidos. Costumo pesquisar tudo sobre o modelo do avião, escolho roteiros com menos conexões possíveis, levo vários livros, palavras cruzadas e vejo filmes durante o trajeto. Também repito a mim mesmo que andar de avião é mais seguro do que atravessar a rua. Mesmo assim, tenho certeza que vou morrer em acidente aéreo.”

VOCÊ NÃO ESTÁ MESMO SOZINHO
“Peguei avião pela primeira vez quando fui a Recife. Não sabia como seria e fiquei ansiosa, suei frio na decolagem, mas segui. Durante minha estadia, aconteceu acidente aéreo. Na volta, dei enorme trabalho, não consegui ficar tranquila de forma alguma. Por conta disso, nunca mais fiz viagens longas. Na última, para Natal, uma pessoa passou mal e o comandante perguntou se havia algum médico. Aí entrei em pânico, com medo de ter de pousar antes. Fico muito abalada com as tragédias aéreas e não gosto da sensação de não ter como sair, passa tudo pela minha cabeça. Mas tem uma coisa boa: costumo fazer amigos. Como sinto medo, tento interagir com as pessoas. Também tomo chá de camomila e vejo a maior quantidade de filmes que for possível, mesmo assim, meu coração dispara. Ano que vem devo ir para a Disney e já estou tentando me preparar psicologicamente”, conta Beatriz Iacobelli Mucciolo, 31 anos, de São Caetano.

“Meu caso vai além do avião. Nem posso deitar e olhar para o céu que me dá medo. Quando era criança sonhava que estava caindo para o céu. Nunca pisei em um avião. Só de imaginar que alguém entra num troço daquele e fica voando bem alto me dá pânico. Tenho claustrofobia (medo de lugares fechados) e também não gosto de pensar em ficar preso dentro de uma caixa voadora. Sou adotado e na época em que encontrei minha mãe biológica meu sogro comprou as passagens para eu e ele viajarmos. No dia, pensei em todas as possibilidades que fariam um avião cair e, simplesmente, não fui. Se um dia precisar, creio que vou ter de tomar algum remédio para dormir”, diz Fábio Kidesh, 36 anos, de São Bernardo.

> Quer saber mais sobre o assunto e o motivo do Dia da Aviação ser em 23 de outubro? Leia o Diarinho de domingo.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;