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Lembranças de uma casa no Ipiranguinha

Quem abre Memória hoje é o escritor andreense Ailson Leme Siqueira, autor do livro 'Ecos da Colônia', que trata da história brasileira


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

17/06/2010 | 00:00


Quem abre Memória hoje é o escritor andreense Ailson Leme Siqueira, autor do livro 'Ecos da Colônia', que trata da história brasileira. Hoje, Ailson fala da Santo André da sua infância a partir de uma casa simples que resiste. São vários tópicos. Segue a primeira parte.

Na Vila Sapo, o personagem Zás Trás

Texto: Ailson Leme Siqueira

Lembro com saudade da casa que fica na Rua do Sol, 100, na pequena vila, antigamente chamada de Vila Sapo, no bairro do Ipiranguinha, em Santo André, perto do campo do Corinthians local, em Vila Alzira. A casa continua a mesma. Só a pintura foi mudada.

Tinha de 10 a 12 anos quando ali convivi com meus avós e tios, todos trabalhadores da Tecelagem Ipiranguinha.

A Vila Sapo era constituída pelo quadrilátero ocupado pela Praça Antonio Flaquer, mais conhecida como o jardim do Ipiranguinha, e pelas casinhas geminadas que existem nas ruas do Sol, Marquesa de Santos e Estrela.

A área da praça era a mesma de hoje. As casas da vila, no entanto, eram todas iguais, inclusive as fachadas, pintadas a cal, na cor creme. Hoje as casas ali permanecem, algumas acrescidas de piso superior e outras com fachadas alteradas.

A vila pertencia à tecelagem e destinava-se às famílias dos trabalhadores. Havia outros conjuntos da Ipiranguinha, na Rua Tietê e na Rua Visconde de Mauá, em Vila Assunção.

Na área da atual Praça Antonio Flaquer, bem em frente ao Estádio Américo Guazzelli, existia uma única casa, a do Zás Trás. Ele era benzedor, personagem folclórico, fanático torcedor do Corinthians.

Esse jardim era uma grande área verde, cortada, diagonalmente, por uma trilha que começava onde hoje existe um posto de gasolina, no início da avenida Santos Dumont. A trilha terminava no começo da Rua Belém. Na parte baixa, lateralmente à Rua Coronel Seabra, existiam vários pequenos tanques de cimento, para escoamento da água que vinha em abundância de uma mina existente perto da Rua Belém. Esses tanques ficavam coalhados de girinos e daí, evidentemente, o nome de Vila Sapo.

O AUTOR - Ailson Leme Siqueira nasceu em Santo André em 14 de agosto de 1941. Formou-se em Direito, Administração de Empresas e Políticas Públicas. É juiz do Tribunal dos Impostos e Taxas do Estado de São Paulo e fiscal de rendas da Secretaria da Fazenda do Estado. Atua em São Bernardo.

DIÁRIO HÁ 30 ANOS

Terça-feira, 17 de junho de 1980

Manchete - Correção monetária e desvalorização cambial serão fixadas em 45%

Editorial - O dia em que os computadores decidirem.

Primeiro Plano (Eduardo Camargo) - Campos, gasolina, metalúrgicos, inflação.

Futebol - Aliança, de São Bernardo, vence o Santo André por 2 a 1, domingo, no Baetão, e volta ao segundo lugar da Segunda Divisão de Acesso.

Artes - Câmara Municipal de São Bernardo organiza pinacoteca.

Coluna social - Chiquinho Palmério registra os 85 anos de Sebastião Sandreschi, que foi o primeiro inspetor do Imposto de Renda em Santo André.

EM 17 DE JUNHO DE...

1710 - Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho assume o cargo de governador e capitão-general da Capitania de São Paulo.

Trabalhadores

Nascem em 17 de junho:

1893 - José dos Prazeres. Natural de Guarda, Portugal. Associado nº 205 do Sindicato dos Químicos do ABC. Ferreiro da Rhodia Química. Residência: Rua Holanda, 58.

1909 - José Gomes Filho. Natural de Salesópolis (SP). Sócio nº 370 do Sindicato dos Químicos do ABC. Destilador da Rhodia Química. Residência: Rua Uruguaiana, 95.

1914 - José Bemuncio. Natural de Guariba. Sócio nº 169 do Sindicato dos Químicos do ABC. Mecânico da CBC. Residência: Rua Tapajós.

Fonte: 1º livro geral do Sindicato dos Químicos do ABC.

HOJE

Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca.

Crônica do Zizá

Campo do Operário FC

Texto: Eliziário Firmo de Lima

Ficava no quarteirão compreendido entre as Ruas Senador Flaquer, Francisco Amaro, Gertrudes de Lima e Abílio Soares. São só registros. Não sei pormenores.

NOTA DA MEMÓRIA

Zizá refere-se a um dos primeiros campos de futebol de Santo André, em pleno Centro da cidade, no seu coração financeiro. Havia um outro campo antigo, o da AA Brasil, pelos lados da Rua Bernardino de Campos. O Operário foi o primeiro time de futebol urbano da cidade, perdendo apenas para o Serrano, de Paranapiacaba.

FALECIMENTOS

Dona Isabel nasceu em tempo errado, pelo modernismo e a cabeça focada nos dias atuais. "Ela era muito pra cima e vaidosa; gostava de andar sempre bem arrumada" - define a filha caçula, Francisca.

E era mesmo: dona Isabel adorava festinhas, passear em shopping, usar o controle remoto com toda desenvoltura diante de um aparelho de televisão. Curtia congelados, acionava o microondas. Na virada desse ano ajudou a filha a assar um pernil de sete quilos.

Apesar de ter nascido em 21 de abril, foi registrada no dia 27, filha de Miguel Vieira e Francisca Mena, oito irmãos: Rafael, Dolores, Miguel, Aurora, Quinha, Maria, João e Filomena (a Mena). A família muda-se para São José do Rio Pardo (SP) e lá Isabel conhece o marido, Nicola Calipo. O casal muda para São Paulo. Mora na Rua João Caetano, na Mooca, ao lado do antigo Jóquei Clube. Mais tarde a mudança para Vila Califórnia, perto de São Caetano. Teve cinco filhos: Rosa, José Antonio, Miguel, Mario e Francisca. Estava sempre em Santo André, na casa da filha caçula, com quem viveu os últimos 14 anos.

Dona Isabel partiu aos 93 anos. Deixa 21 netos, 22 bisnetos e a primeira tataraneta, Júlia, de três anos. Está sepultada no Cemitério da Quarta Parada, em São Paulo.AM

SÃO CAETANO

Cemitério da Cerâmica

Maria Tito Filha, 95. Dia 15.

Benedito Oscar da Silva, 81. dia 15.

Júlia Amélia Domeni Ferreira, 78. Dia 14.

José Ferreira de Lima, 68. Dia 12.

João Roberto Aida, 60. Dia 13.

Carlos Tadeu Honório, 49. Dia 15.

Adamário Aprígio de Lima, 48. Dia 14.

Silvana Oliveira Silvestre, 34. Dia 11.



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Lembranças de uma casa no Ipiranguinha

Quem abre Memória hoje é o escritor andreense Ailson Leme Siqueira, autor do livro 'Ecos da Colônia', que trata da história brasileira

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

17/06/2010 | 00:00


Quem abre Memória hoje é o escritor andreense Ailson Leme Siqueira, autor do livro 'Ecos da Colônia', que trata da história brasileira. Hoje, Ailson fala da Santo André da sua infância a partir de uma casa simples que resiste. São vários tópicos. Segue a primeira parte.

Na Vila Sapo, o personagem Zás Trás

Texto: Ailson Leme Siqueira

Lembro com saudade da casa que fica na Rua do Sol, 100, na pequena vila, antigamente chamada de Vila Sapo, no bairro do Ipiranguinha, em Santo André, perto do campo do Corinthians local, em Vila Alzira. A casa continua a mesma. Só a pintura foi mudada.

Tinha de 10 a 12 anos quando ali convivi com meus avós e tios, todos trabalhadores da Tecelagem Ipiranguinha.

A Vila Sapo era constituída pelo quadrilátero ocupado pela Praça Antonio Flaquer, mais conhecida como o jardim do Ipiranguinha, e pelas casinhas geminadas que existem nas ruas do Sol, Marquesa de Santos e Estrela.

A área da praça era a mesma de hoje. As casas da vila, no entanto, eram todas iguais, inclusive as fachadas, pintadas a cal, na cor creme. Hoje as casas ali permanecem, algumas acrescidas de piso superior e outras com fachadas alteradas.

A vila pertencia à tecelagem e destinava-se às famílias dos trabalhadores. Havia outros conjuntos da Ipiranguinha, na Rua Tietê e na Rua Visconde de Mauá, em Vila Assunção.

Na área da atual Praça Antonio Flaquer, bem em frente ao Estádio Américo Guazzelli, existia uma única casa, a do Zás Trás. Ele era benzedor, personagem folclórico, fanático torcedor do Corinthians.

Esse jardim era uma grande área verde, cortada, diagonalmente, por uma trilha que começava onde hoje existe um posto de gasolina, no início da avenida Santos Dumont. A trilha terminava no começo da Rua Belém. Na parte baixa, lateralmente à Rua Coronel Seabra, existiam vários pequenos tanques de cimento, para escoamento da água que vinha em abundância de uma mina existente perto da Rua Belém. Esses tanques ficavam coalhados de girinos e daí, evidentemente, o nome de Vila Sapo.

O AUTOR - Ailson Leme Siqueira nasceu em Santo André em 14 de agosto de 1941. Formou-se em Direito, Administração de Empresas e Políticas Públicas. É juiz do Tribunal dos Impostos e Taxas do Estado de São Paulo e fiscal de rendas da Secretaria da Fazenda do Estado. Atua em São Bernardo.

DIÁRIO HÁ 30 ANOS

Terça-feira, 17 de junho de 1980

Manchete - Correção monetária e desvalorização cambial serão fixadas em 45%

Editorial - O dia em que os computadores decidirem.

Primeiro Plano (Eduardo Camargo) - Campos, gasolina, metalúrgicos, inflação.

Futebol - Aliança, de São Bernardo, vence o Santo André por 2 a 1, domingo, no Baetão, e volta ao segundo lugar da Segunda Divisão de Acesso.

Artes - Câmara Municipal de São Bernardo organiza pinacoteca.

Coluna social - Chiquinho Palmério registra os 85 anos de Sebastião Sandreschi, que foi o primeiro inspetor do Imposto de Renda em Santo André.

EM 17 DE JUNHO DE...

1710 - Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho assume o cargo de governador e capitão-general da Capitania de São Paulo.

Trabalhadores

Nascem em 17 de junho:

1893 - José dos Prazeres. Natural de Guarda, Portugal. Associado nº 205 do Sindicato dos Químicos do ABC. Ferreiro da Rhodia Química. Residência: Rua Holanda, 58.

1909 - José Gomes Filho. Natural de Salesópolis (SP). Sócio nº 370 do Sindicato dos Químicos do ABC. Destilador da Rhodia Química. Residência: Rua Uruguaiana, 95.

1914 - José Bemuncio. Natural de Guariba. Sócio nº 169 do Sindicato dos Químicos do ABC. Mecânico da CBC. Residência: Rua Tapajós.

Fonte: 1º livro geral do Sindicato dos Químicos do ABC.

HOJE

Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca.

Crônica do Zizá

Campo do Operário FC

Texto: Eliziário Firmo de Lima

Ficava no quarteirão compreendido entre as Ruas Senador Flaquer, Francisco Amaro, Gertrudes de Lima e Abílio Soares. São só registros. Não sei pormenores.

NOTA DA MEMÓRIA

Zizá refere-se a um dos primeiros campos de futebol de Santo André, em pleno Centro da cidade, no seu coração financeiro. Havia um outro campo antigo, o da AA Brasil, pelos lados da Rua Bernardino de Campos. O Operário foi o primeiro time de futebol urbano da cidade, perdendo apenas para o Serrano, de Paranapiacaba.

FALECIMENTOS

Dona Isabel nasceu em tempo errado, pelo modernismo e a cabeça focada nos dias atuais. "Ela era muito pra cima e vaidosa; gostava de andar sempre bem arrumada" - define a filha caçula, Francisca.

E era mesmo: dona Isabel adorava festinhas, passear em shopping, usar o controle remoto com toda desenvoltura diante de um aparelho de televisão. Curtia congelados, acionava o microondas. Na virada desse ano ajudou a filha a assar um pernil de sete quilos.

Apesar de ter nascido em 21 de abril, foi registrada no dia 27, filha de Miguel Vieira e Francisca Mena, oito irmãos: Rafael, Dolores, Miguel, Aurora, Quinha, Maria, João e Filomena (a Mena). A família muda-se para São José do Rio Pardo (SP) e lá Isabel conhece o marido, Nicola Calipo. O casal muda para São Paulo. Mora na Rua João Caetano, na Mooca, ao lado do antigo Jóquei Clube. Mais tarde a mudança para Vila Califórnia, perto de São Caetano. Teve cinco filhos: Rosa, José Antonio, Miguel, Mario e Francisca. Estava sempre em Santo André, na casa da filha caçula, com quem viveu os últimos 14 anos.

Dona Isabel partiu aos 93 anos. Deixa 21 netos, 22 bisnetos e a primeira tataraneta, Júlia, de três anos. Está sepultada no Cemitério da Quarta Parada, em São Paulo.AM

SÃO CAETANO

Cemitério da Cerâmica

Maria Tito Filha, 95. Dia 15.

Benedito Oscar da Silva, 81. dia 15.

Júlia Amélia Domeni Ferreira, 78. Dia 14.

José Ferreira de Lima, 68. Dia 12.

João Roberto Aida, 60. Dia 13.

Carlos Tadeu Honório, 49. Dia 15.

Adamário Aprígio de Lima, 48. Dia 14.

Silvana Oliveira Silvestre, 34. Dia 11.

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