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PMs são seqüestrados e torturados em Diadema


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

06/11/2005 | 08:14


Dois soldados do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Diadema foram vítimas de um crime bárbaro na madrugada de sábado. Os soldados Simone Rovaron, 37 anos, e Marcos Santos Brito, 36, foram feitos reféns por uma dupla de assaltantes em frente a uma pizzaria onde haviam acabado de jantar, na rua Alzira, a menos de um quilometro do Paço Municipal de Diadema. De olhos vendados, foram levados a um cativeiro. Só ao levarem os dois ao local e revistá-los, é que os criminosos perceberam que eram da PM. Com a descoberta, setenciaram os dois à morte.

Depois de serem submetidos a uma sessão de tortura, a golpes de coronhada, Brito e Simone foram mais uma vez colocados no carro em que haviam sido abordados minutos antes, o Corsa vermelho de Simone. Os criminosos seguiram com os dois até a avenida Chico Mendes, no bairro Eldorado. O grupo parou em um trecho ermo da avenida, rodeado por árvores e sem casas por perto. Tiraram os policiais do carro e fizeram dois únicos disparos: na cabeça de cada um dos militares. Em seguida, os empurraram barranco abaixo e fugiram com o carro de Simone.

Mesmo gravemente ferido, o soldado Brito conseguiu escalar a parede da encosta, com cerca de dez metros. Sentou-se na calçada e, de seu celular, fez uma ligação para o 190 da PM. Um grupo de policiais o levou para o Hospital Municipal de Diadema. Os militares que fizeram o resgate seguiram as indicações dadas por Brito e encontraram Simone no matagal. Ela estava desacordada, mas ainda apresentava sinais vitais. Morreu a caminho do hospital. Marcos foi transferido ainda de madrugada para o Hospital Estadual de Diadema, onde permanecia internado até o fim da tarde de sábado. Seu estado era considerado grave, mas estável.

Segundo boletim médico divulgado para família do policial ferido, a bala permanece alojada em sua cabeça e estão sendo feitas tomografias periódicas para verificar se o projétil está se movimentando. Até o fim da tarde de sábado estava descartada a possibilidade de cirurgia, segundo João Henrique Lima, primo de Brito, por conta dos riscos que envolveriam o procedimento.

Paradeiro – Algumas horas depois de os policiais terem socorrido as vítimas, o Corsa de Simone foi encontrado. O veículo foi abandonado no Km 14 da rodovia dos Imigrantes, em frente ao restaurante Frango Assado, em Diadema próximo à divisa com a capital.

Por enquanto, a polícia não tem pistas sobre o paradeiro dos criminosos. Acredita-se, no entanto, que a dupla seja do bairro Eldorado, local onde as vítimas foram deixadas, por conta da dificuldade de acesso. Outra pista que pode ajudar a polícia a esclarecer o caso é o fato de que, segundo o relato do soldado Brito, haviam outras vítimas de seqüestro mantidas no mesmo cativeiro para onde ele e Simone foram levados. “A suspeita é de que os criminosos manteriam as vítimas nesse local enquanto faziam saques em caixas eletrônicos”, afirma o tenente Edson Miguel Silva, da 2ª Companhia do 24º Batalhão, onde os dois policiais trabalhavam.

Há 13 anos na PM, o soldado sempre pertenceu ao Batalhão de Choque. Já Simone havia deixado o policiamento de área, nas ruas, há dois anos para ingressar na divisão especial. “Como pai, eu perco uma filha. Mas o Estado perde uma excelente pessoa”, disse o pai de Simone, Fernando Rovaron, durante o velório da filha, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Caetano. Vários policiais foram prestar homenagens à colega. Ao lado de seu caixão, fardas usadas pela militar e fotos. O sepultamento deve ocorrer às 9h deste domingo no cemitério das Lágrimas, em São Caetano.



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PMs são seqüestrados e torturados em Diadema

Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

06/11/2005 | 08:14


Dois soldados do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Diadema foram vítimas de um crime bárbaro na madrugada de sábado. Os soldados Simone Rovaron, 37 anos, e Marcos Santos Brito, 36, foram feitos reféns por uma dupla de assaltantes em frente a uma pizzaria onde haviam acabado de jantar, na rua Alzira, a menos de um quilometro do Paço Municipal de Diadema. De olhos vendados, foram levados a um cativeiro. Só ao levarem os dois ao local e revistá-los, é que os criminosos perceberam que eram da PM. Com a descoberta, setenciaram os dois à morte.

Depois de serem submetidos a uma sessão de tortura, a golpes de coronhada, Brito e Simone foram mais uma vez colocados no carro em que haviam sido abordados minutos antes, o Corsa vermelho de Simone. Os criminosos seguiram com os dois até a avenida Chico Mendes, no bairro Eldorado. O grupo parou em um trecho ermo da avenida, rodeado por árvores e sem casas por perto. Tiraram os policiais do carro e fizeram dois únicos disparos: na cabeça de cada um dos militares. Em seguida, os empurraram barranco abaixo e fugiram com o carro de Simone.

Mesmo gravemente ferido, o soldado Brito conseguiu escalar a parede da encosta, com cerca de dez metros. Sentou-se na calçada e, de seu celular, fez uma ligação para o 190 da PM. Um grupo de policiais o levou para o Hospital Municipal de Diadema. Os militares que fizeram o resgate seguiram as indicações dadas por Brito e encontraram Simone no matagal. Ela estava desacordada, mas ainda apresentava sinais vitais. Morreu a caminho do hospital. Marcos foi transferido ainda de madrugada para o Hospital Estadual de Diadema, onde permanecia internado até o fim da tarde de sábado. Seu estado era considerado grave, mas estável.

Segundo boletim médico divulgado para família do policial ferido, a bala permanece alojada em sua cabeça e estão sendo feitas tomografias periódicas para verificar se o projétil está se movimentando. Até o fim da tarde de sábado estava descartada a possibilidade de cirurgia, segundo João Henrique Lima, primo de Brito, por conta dos riscos que envolveriam o procedimento.

Paradeiro – Algumas horas depois de os policiais terem socorrido as vítimas, o Corsa de Simone foi encontrado. O veículo foi abandonado no Km 14 da rodovia dos Imigrantes, em frente ao restaurante Frango Assado, em Diadema próximo à divisa com a capital.

Por enquanto, a polícia não tem pistas sobre o paradeiro dos criminosos. Acredita-se, no entanto, que a dupla seja do bairro Eldorado, local onde as vítimas foram deixadas, por conta da dificuldade de acesso. Outra pista que pode ajudar a polícia a esclarecer o caso é o fato de que, segundo o relato do soldado Brito, haviam outras vítimas de seqüestro mantidas no mesmo cativeiro para onde ele e Simone foram levados. “A suspeita é de que os criminosos manteriam as vítimas nesse local enquanto faziam saques em caixas eletrônicos”, afirma o tenente Edson Miguel Silva, da 2ª Companhia do 24º Batalhão, onde os dois policiais trabalhavam.

Há 13 anos na PM, o soldado sempre pertenceu ao Batalhão de Choque. Já Simone havia deixado o policiamento de área, nas ruas, há dois anos para ingressar na divisão especial. “Como pai, eu perco uma filha. Mas o Estado perde uma excelente pessoa”, disse o pai de Simone, Fernando Rovaron, durante o velório da filha, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Caetano. Vários policiais foram prestar homenagens à colega. Ao lado de seu caixão, fardas usadas pela militar e fotos. O sepultamento deve ocorrer às 9h deste domingo no cemitério das Lágrimas, em São Caetano.

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