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Era muito complicado curtir rock


Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

10/07/2011 | 07:00


Curtir rock dava trabalho, mas sempre valeu a pena. Era preciso garimpar para encontrar bandas e álbuns novos. "Os discos demoravam para chegar aqui. Várias vezes não achava o que queria na loja. Importar era difícil e caro", lembra Dr. Rock, figura comum nos eventos na região.

O guitarrista Luiz Carlini recorda o trampo para sair da Capital e ensaiar em Osasco. Tomava ônibus com amigos levando guitarras e amplificadores. Por causa do tamanho dos equipamentos, o motorista não queria mais parar o busão. O jeito era se esconder atrás de uma banca de jornal. Um dava o sinal, e era só o veículo encostar para a turma entrar com a parafernália.

"A gente tinha orgulho de saber todas as músicas e o nome dos integrantes da banda", conta Roger Moreira, vocalista do Ultraje a Rigor. Na época, não existiam revistas nem rádios especializadas no Brasil. As novidades eram transmitidas pelo boca a boca. Um ia à casa do outro com sacola de LPs para escutá-los.

Roger teve de batalhar para convencer o pai de que música é coisa séria. Bem diferente do que ocorre hoje com Lucas Richieri, 17 anos, de São Bernardo. Acostumado a ouvir rock progressivo desde a infância por influência dos pais, sempre recebeu incentivo para estudar música. "Sei que era bem mais demorado fazer um álbum. Mas como não tinham recursos, o trabalho era mais elaborado."

 

Facilidades de uma lado bullying do outro

Escutar música na casa de amigos era programa comum no passado, mas isso já não rola mais. Agora, não é preciso sair do quarto nem para compor com a banda. Lucas Richieri coloca suas ideias no programa Guitar Pro, salva o arquivo e o envia por e-mail aos amigos, como Bruno Portugal Nunes, 16, de Santo André. Assim, eles conseguem ouvir e fazer alterações. "Reunir para fazer música é diferente, sai coisas mais legais, mas não dá tempo. A gente tem muitas atividades", conta o guitarrista Bruno.

Graças à internet Murillo Daros descobriu bandas europeias pouco conhecidas das quais se tornou fã. Transmite as novidades à namorada Bruna Furuse de Barros, 16. E intimidade com o rock, a garota tem de sobra; ainda na barriga da mãe já escutava o som que o pai tanto curte. "Ele foi a vários shows grandes e conta que, apesar da bagunça, eram muito emocionantes."

Mesmo com tanta tecnologia, algo não evoluiu. Roqueiros ainda sofrem bullying. Chamam a gente de estranho, depressivo, poser (quem finge o que não é). Eu ignoro. Ando de preto porque me sinto bem", afirma Murillo.



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Era muito complicado curtir rock

Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

10/07/2011 | 07:00


Curtir rock dava trabalho, mas sempre valeu a pena. Era preciso garimpar para encontrar bandas e álbuns novos. "Os discos demoravam para chegar aqui. Várias vezes não achava o que queria na loja. Importar era difícil e caro", lembra Dr. Rock, figura comum nos eventos na região.

O guitarrista Luiz Carlini recorda o trampo para sair da Capital e ensaiar em Osasco. Tomava ônibus com amigos levando guitarras e amplificadores. Por causa do tamanho dos equipamentos, o motorista não queria mais parar o busão. O jeito era se esconder atrás de uma banca de jornal. Um dava o sinal, e era só o veículo encostar para a turma entrar com a parafernália.

"A gente tinha orgulho de saber todas as músicas e o nome dos integrantes da banda", conta Roger Moreira, vocalista do Ultraje a Rigor. Na época, não existiam revistas nem rádios especializadas no Brasil. As novidades eram transmitidas pelo boca a boca. Um ia à casa do outro com sacola de LPs para escutá-los.

Roger teve de batalhar para convencer o pai de que música é coisa séria. Bem diferente do que ocorre hoje com Lucas Richieri, 17 anos, de São Bernardo. Acostumado a ouvir rock progressivo desde a infância por influência dos pais, sempre recebeu incentivo para estudar música. "Sei que era bem mais demorado fazer um álbum. Mas como não tinham recursos, o trabalho era mais elaborado."

 

Facilidades de uma lado bullying do outro

Escutar música na casa de amigos era programa comum no passado, mas isso já não rola mais. Agora, não é preciso sair do quarto nem para compor com a banda. Lucas Richieri coloca suas ideias no programa Guitar Pro, salva o arquivo e o envia por e-mail aos amigos, como Bruno Portugal Nunes, 16, de Santo André. Assim, eles conseguem ouvir e fazer alterações. "Reunir para fazer música é diferente, sai coisas mais legais, mas não dá tempo. A gente tem muitas atividades", conta o guitarrista Bruno.

Graças à internet Murillo Daros descobriu bandas europeias pouco conhecidas das quais se tornou fã. Transmite as novidades à namorada Bruna Furuse de Barros, 16. E intimidade com o rock, a garota tem de sobra; ainda na barriga da mãe já escutava o som que o pai tanto curte. "Ele foi a vários shows grandes e conta que, apesar da bagunça, eram muito emocionantes."

Mesmo com tanta tecnologia, algo não evoluiu. Roqueiros ainda sofrem bullying. Chamam a gente de estranho, depressivo, poser (quem finge o que não é). Eu ignoro. Ando de preto porque me sinto bem", afirma Murillo.

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