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Empreender: quanto mais cedo melhor

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

12/12/2010 | 07:01


Já ouviu falar em empreendedorismo? Significa ousar, arriscar e se destacar na sua área. É traçar planos e cumpri-los. A palavra é comum no mundo adulto; a novidade é que muitos adolescentes já sabem exatamente o que ela quer dizer e estão aplicando as técnicas na sua rotina.

"É tendência. Cada vez mais, jovens estão abrindo empresas. E quanto mais cedo aprendem a gerir um negócio, mais sucesso terão", explica Josephina Cardelli, gerente regional do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo) no Grande ABC.

O empreendedor enxerga lá na frente e prepara o negócio para dar certo. Para que uma empresa dê frutos são necessários, no mínimo, três anos. Quem não está preparado, não consegue tocar para frente. É preciso construir. E esses ensinamentos servem para tudo o que fazemos.

"Empreendedorismo não se refere apenas a negócios. Na verdade, se encaixa em todas as áreas e profissões", destaca Fabiana Moreira, relações públicas da Junior Achievement, Ong que se dedica à organização de educação prática em negócios, economia e empreendedorismo. "Tem relação com o não desistir do sonho."

Independentemente da profissão escolhida, quem começa a pensar no assunto logo no início da adolescência pode se destacar no futuro. "O mercado não consegue absorver todos os alunos que saem das faculdades. Quem tem noção de gestão de pessoas e planos de negócio (o que quero, onde e como vou chegar lá) se destaca, sem dúvidas", afirma a gerente do Sebrae.


Aprendendo na prática

Por dois meses, alunos da EME Alcina Dantas Feijão, de São Caetano, tiveram compromisso inadiável às quartas-feiras: produzir cabides na GM. Mas lá não faz só carro? É que a galera, do 2º ano do Ensino Médio, entre 16 e 17 anos, participa do projeto Fábrica de Cabides. No dia 15 tem formatura deles.

A iniciativa, que existe desde 1989, mostra na prática como uma empresa funciona. Para isso, eles têm de colocar a mão na massa. Por meio de votação, cinco alunos se tornam diretores de Recursos Humanos, Produção, Finanças, Relações Públicas e Vendas. O restante atua na linha de produção. Em um só dia fazem mais de 250 cabides. Todos são responsáveis por vender os produtos (R$ 3,50 cada) para gerar lucro.

"Eles não vêm aqui para brincar. É realmente uma empresa em miniatura. A cada semana, vemos como se desenvolvem e amadurecem", diz Wanda Consentino, gestora do projeto Fábrica de Cabide da GM de São Caetano e Sorocaba.

Ao participar, Jéssica Brossi teve a certeza de que quer cursar Engenharia de Produção. "É o pontapé inicial na nossa vida profissional", diz Isabella Jacob. "Aprendemos a importâcia do trabalho em equipe. Em qualquer profissão que escolhermos, isso vai ajudar", afirma Felipe Gagizi. A colega Luiza Litwin completa: "Estaremos mais preparados para o futuro. É um privilégio".


Dono do próprio nariz

Felipe Rossatti, 20 anos, sempre sonhou em ter sua empresa, e a vontade não ficou só na imaginação. Após participar do programa Junior Achievement para jovens empreendedores, terminar o Ensino Médio e começar o técnico em Administração, ele abriu uma adega em Limeira, cidade onde mora.

"Agora o que vivo é a realidade e não a simulação que fizemos (quando Felipe foi eleito o presidente da empresa). As cobranças e a responsabilidade são de verdade. É a minha fonte de renda e preciso cuidar do negócio", diz.

O garoto passa o dia resolvendo as demandas da loja e à noite vai para a faculdade. "É uma correria danada, mas a experiência é gratificante. Com o tempo, estou pegando o jeito e hoje tenho mais segurança para negociar." E não pense que ele está satisfeito com o que já conseguiu. Felipe tem uma característica comum à maioria dos empreendedores: quer sempre inovar. "Pretendo criar um serviço inédito, o disk-vinho. Também quero abrir uma fábrica própria", conta o menino que tem, por enquanto, um único funcionário: o pai. "Ele fica orgulhoso e está me ajudando muito."

O empresário acredita que conseguiu o que queria porque sempre lutou por isso. "Meu conselho maior é aproveitar todas as chances que aparecem e nunca deixar de arriscar. Uma hora a gente acerta, em outra a gente erra. E isso nos faz crescer e aprender cada vez mais."


Treino para o futuro

Para abrir uma empresa no Brasil é preciso ter a partir de 18 anos. Só rola exceção quando o jovem se emancipa, ou seja, pede autorização para os pais para ter alguns direitos já aos 16 anos. Mas isso não quer dizer que não é possível treinar ser empresário desde já.

No Colégio Etip, de Santo André, acontece há cinco anos uma feira de empreendedorismo. Os alunos se dividem em equipes
e precisam pensar em um produto para vender no dia da feira. O grupo deve se organizar como uma empresa de verdade, com funcionários, chefia, área de produção e marketing.

Fernando Escodedo, 16, já fez de tudo. Vendeu pizza, bijuteria, pano de prato. Neste ano, comercializou cachorro-quente. "É uma experiência bacana porque ensina a ter responsabilidades e mexer com grana. Mostra também que se não trabalhamos em equipe, o negócio não vai pra frente."

Cada aluno gastou R$ 15 para comprar os ingredientes e ter dinheiro no caixa para dar de troco. O resultado? O dobro de lucro. "No fim, cada um saiu com R$ 30. Valeu a pena o investimento." O garoto também curtiu aprender noções de administração porque começa a fazer estágio em 2011. "Já não vou chegar no mercado de trabalho tão cru."


Toques de quem entende

É fácil dizer que um negócio vai dar certo e que é só esperar a empresa estabilizar para o lucro chegar. Mas só sabe realmente o que acontece quem superou tudo e, hoje, é bem-sucedido.

O empresário Lito Rodrigues, 42 anos, passou por poucas e boas até criar um produto inovador no mercado; no caso, um serviço de lava-rápido sem água, que agora será lançado fora do País. "Todos diziam que não ia funcionar, mas acreditava nesse sonho. Empreender é também aceitar desafios, desde que tenha lógica, não desistir e nunca se acomodar ou ter preguiça".

Para ele, empenho, dedicação e perseverança são a chave para o sucesso. Ainda é essencial amar o que faz e gostar de gente. "É preciso saber lidar com pessoas." O empresário começou a empreender na adolescência. Aos 16, organizava shows no colégio para faturar e se divertir; aos 18 abriu uma loja de móveis e decoração. "Nunca tive medo. O caminho é por aí."

 



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Empreender: quanto mais cedo melhor

Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

12/12/2010 | 07:01


Já ouviu falar em empreendedorismo? Significa ousar, arriscar e se destacar na sua área. É traçar planos e cumpri-los. A palavra é comum no mundo adulto; a novidade é que muitos adolescentes já sabem exatamente o que ela quer dizer e estão aplicando as técnicas na sua rotina.

"É tendência. Cada vez mais, jovens estão abrindo empresas. E quanto mais cedo aprendem a gerir um negócio, mais sucesso terão", explica Josephina Cardelli, gerente regional do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo) no Grande ABC.

O empreendedor enxerga lá na frente e prepara o negócio para dar certo. Para que uma empresa dê frutos são necessários, no mínimo, três anos. Quem não está preparado, não consegue tocar para frente. É preciso construir. E esses ensinamentos servem para tudo o que fazemos.

"Empreendedorismo não se refere apenas a negócios. Na verdade, se encaixa em todas as áreas e profissões", destaca Fabiana Moreira, relações públicas da Junior Achievement, Ong que se dedica à organização de educação prática em negócios, economia e empreendedorismo. "Tem relação com o não desistir do sonho."

Independentemente da profissão escolhida, quem começa a pensar no assunto logo no início da adolescência pode se destacar no futuro. "O mercado não consegue absorver todos os alunos que saem das faculdades. Quem tem noção de gestão de pessoas e planos de negócio (o que quero, onde e como vou chegar lá) se destaca, sem dúvidas", afirma a gerente do Sebrae.


Aprendendo na prática

Por dois meses, alunos da EME Alcina Dantas Feijão, de São Caetano, tiveram compromisso inadiável às quartas-feiras: produzir cabides na GM. Mas lá não faz só carro? É que a galera, do 2º ano do Ensino Médio, entre 16 e 17 anos, participa do projeto Fábrica de Cabides. No dia 15 tem formatura deles.

A iniciativa, que existe desde 1989, mostra na prática como uma empresa funciona. Para isso, eles têm de colocar a mão na massa. Por meio de votação, cinco alunos se tornam diretores de Recursos Humanos, Produção, Finanças, Relações Públicas e Vendas. O restante atua na linha de produção. Em um só dia fazem mais de 250 cabides. Todos são responsáveis por vender os produtos (R$ 3,50 cada) para gerar lucro.

"Eles não vêm aqui para brincar. É realmente uma empresa em miniatura. A cada semana, vemos como se desenvolvem e amadurecem", diz Wanda Consentino, gestora do projeto Fábrica de Cabide da GM de São Caetano e Sorocaba.

Ao participar, Jéssica Brossi teve a certeza de que quer cursar Engenharia de Produção. "É o pontapé inicial na nossa vida profissional", diz Isabella Jacob. "Aprendemos a importâcia do trabalho em equipe. Em qualquer profissão que escolhermos, isso vai ajudar", afirma Felipe Gagizi. A colega Luiza Litwin completa: "Estaremos mais preparados para o futuro. É um privilégio".


Dono do próprio nariz

Felipe Rossatti, 20 anos, sempre sonhou em ter sua empresa, e a vontade não ficou só na imaginação. Após participar do programa Junior Achievement para jovens empreendedores, terminar o Ensino Médio e começar o técnico em Administração, ele abriu uma adega em Limeira, cidade onde mora.

"Agora o que vivo é a realidade e não a simulação que fizemos (quando Felipe foi eleito o presidente da empresa). As cobranças e a responsabilidade são de verdade. É a minha fonte de renda e preciso cuidar do negócio", diz.

O garoto passa o dia resolvendo as demandas da loja e à noite vai para a faculdade. "É uma correria danada, mas a experiência é gratificante. Com o tempo, estou pegando o jeito e hoje tenho mais segurança para negociar." E não pense que ele está satisfeito com o que já conseguiu. Felipe tem uma característica comum à maioria dos empreendedores: quer sempre inovar. "Pretendo criar um serviço inédito, o disk-vinho. Também quero abrir uma fábrica própria", conta o menino que tem, por enquanto, um único funcionário: o pai. "Ele fica orgulhoso e está me ajudando muito."

O empresário acredita que conseguiu o que queria porque sempre lutou por isso. "Meu conselho maior é aproveitar todas as chances que aparecem e nunca deixar de arriscar. Uma hora a gente acerta, em outra a gente erra. E isso nos faz crescer e aprender cada vez mais."


Treino para o futuro

Para abrir uma empresa no Brasil é preciso ter a partir de 18 anos. Só rola exceção quando o jovem se emancipa, ou seja, pede autorização para os pais para ter alguns direitos já aos 16 anos. Mas isso não quer dizer que não é possível treinar ser empresário desde já.

No Colégio Etip, de Santo André, acontece há cinco anos uma feira de empreendedorismo. Os alunos se dividem em equipes
e precisam pensar em um produto para vender no dia da feira. O grupo deve se organizar como uma empresa de verdade, com funcionários, chefia, área de produção e marketing.

Fernando Escodedo, 16, já fez de tudo. Vendeu pizza, bijuteria, pano de prato. Neste ano, comercializou cachorro-quente. "É uma experiência bacana porque ensina a ter responsabilidades e mexer com grana. Mostra também que se não trabalhamos em equipe, o negócio não vai pra frente."

Cada aluno gastou R$ 15 para comprar os ingredientes e ter dinheiro no caixa para dar de troco. O resultado? O dobro de lucro. "No fim, cada um saiu com R$ 30. Valeu a pena o investimento." O garoto também curtiu aprender noções de administração porque começa a fazer estágio em 2011. "Já não vou chegar no mercado de trabalho tão cru."


Toques de quem entende

É fácil dizer que um negócio vai dar certo e que é só esperar a empresa estabilizar para o lucro chegar. Mas só sabe realmente o que acontece quem superou tudo e, hoje, é bem-sucedido.

O empresário Lito Rodrigues, 42 anos, passou por poucas e boas até criar um produto inovador no mercado; no caso, um serviço de lava-rápido sem água, que agora será lançado fora do País. "Todos diziam que não ia funcionar, mas acreditava nesse sonho. Empreender é também aceitar desafios, desde que tenha lógica, não desistir e nunca se acomodar ou ter preguiça".

Para ele, empenho, dedicação e perseverança são a chave para o sucesso. Ainda é essencial amar o que faz e gostar de gente. "É preciso saber lidar com pessoas." O empresário começou a empreender na adolescência. Aos 16, organizava shows no colégio para faturar e se divertir; aos 18 abriu uma loja de móveis e decoração. "Nunca tive medo. O caminho é por aí."

 

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