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Naval enterra ‘Rambo’ e quer ser vila


Illenia Negrin
Sucursal Diadema

17/06/2007 | 07:30


A favela Naval, em Diadema, nunca foi a mais em nada. Não era grande, antiga, violenta ou revolucionária o suficiente para chamar a atenção.

Era uma a mais, isso sim, entre tantas aldeias de barracos na região metropolitana. O terrão de 35 mil m², na divisa com São Bernardo, parecia coração de mãe. Era chegar e se instalar. É assim até hoje.

Em 1997, a favela passou a carregar uma história pesada e grande demais para suas modestas dimensões. Virou sinônimo de barbárie, depois que um vídeo mostrou policiais do 24º Batalhão agredindo civis covardemente e matando o trabalhador Mário José Josino numa esquina. Um escândalo; flagrante de desrespeito dos direitos humanos sem precedentes no Estado de São Paulo.

Desde aquele mês de março, quando as cenas foram exibidas pelo Jornal Nacional, ninguém diz o nome da favela e ponto. É Naval, vírgula, aquela onde a polícia agredia todo mundo. Naval, a dos traficantes. Naval, a do Rambo.

Uma década depois, o fantasma de Rambo (o PM que chefiava a quadrilha e atirou em Josino) anda por ali. Em ruas de asfalto, não mais de terra, que têm um monte de gente circulando, e lojinhas diversas. Num bairro que cresceu depois dele. E apesar dele. E não tem mais medo.

Se a pobreza ainda bate em muitas portas da Naval, o fantasma do PM já não assusta. Quem vê, não liga. E, se liga, não conta. Rambo? Que Rambo? O silêncio ajuda a enterrar o caso. A Prefeitura de Diadema vai investir R$ 22,8 milhões em urbanização. Quer começar as obras neste ano. Os mais velhos já ouviam falar do projeto em 1971. É por isso que não ligam para a mudança no nome da via principal. Agora é Idealópolis. Assim com a vila. Mas todo mundo ainda chama de Naval. E ponto.



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Naval enterra ‘Rambo’ e quer ser vila

Illenia Negrin
Sucursal Diadema

17/06/2007 | 07:30


A favela Naval, em Diadema, nunca foi a mais em nada. Não era grande, antiga, violenta ou revolucionária o suficiente para chamar a atenção.

Era uma a mais, isso sim, entre tantas aldeias de barracos na região metropolitana. O terrão de 35 mil m², na divisa com São Bernardo, parecia coração de mãe. Era chegar e se instalar. É assim até hoje.

Em 1997, a favela passou a carregar uma história pesada e grande demais para suas modestas dimensões. Virou sinônimo de barbárie, depois que um vídeo mostrou policiais do 24º Batalhão agredindo civis covardemente e matando o trabalhador Mário José Josino numa esquina. Um escândalo; flagrante de desrespeito dos direitos humanos sem precedentes no Estado de São Paulo.

Desde aquele mês de março, quando as cenas foram exibidas pelo Jornal Nacional, ninguém diz o nome da favela e ponto. É Naval, vírgula, aquela onde a polícia agredia todo mundo. Naval, a dos traficantes. Naval, a do Rambo.

Uma década depois, o fantasma de Rambo (o PM que chefiava a quadrilha e atirou em Josino) anda por ali. Em ruas de asfalto, não mais de terra, que têm um monte de gente circulando, e lojinhas diversas. Num bairro que cresceu depois dele. E apesar dele. E não tem mais medo.

Se a pobreza ainda bate em muitas portas da Naval, o fantasma do PM já não assusta. Quem vê, não liga. E, se liga, não conta. Rambo? Que Rambo? O silêncio ajuda a enterrar o caso. A Prefeitura de Diadema vai investir R$ 22,8 milhões em urbanização. Quer começar as obras neste ano. Os mais velhos já ouviam falar do projeto em 1971. É por isso que não ligam para a mudança no nome da via principal. Agora é Idealópolis. Assim com a vila. Mas todo mundo ainda chama de Naval. E ponto.

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