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Comissário: bom profissional e cidadão


Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

06/11/2011 | 07:00


Comissário de bordo é uma daquelas profissões bonitas e indispensáveis à sociedade. Por ser responsável pela segurança dos passageiros e ter tantas tarefas precisa estar superpreparado para situações de emergência. Por isso, estuda muito e passa frequentemente por cursos de aperfeiçoamento.

E não faltam histórias de heroísmo. Em abril, a comissária Elisângela Cristina de Oliveira salvou a vida de um bebê de seis meses que havia engasgado durante o voo de Salvador a Brasília. Por conta da atuação, recebeu diploma de honra ao mérito da Agência Nacional de Aviação Civil. Durante a homenagem, falou sobre a importância dos treinamentos que recebeu e ressaltou que não fez mais do que a obrigação.

Em 3 de setembro de 1989, o boeing da Varig (companhia aérea brasileira que não existe mais), que seguia para Belém, fez um pouso de emergência na Floresta Amazônica, no Mato Grosso. A comissária Luciane Morosini de Melo, com 22 anos e três meses de profissão na época, quebrou o osso esterno (que fica no tórax). Mesmo sem respirar direito, ajudou a retirar os sobreviventes da aeronave, chegando até a carregar uma criança. Ao contrário dela, há profissionais que se aposentam sem nunca terem enfrentado perigo extremo em um voo. Outros não tiveram a mesma sorte.

Apesar de cansativo, é um alívio saber que o treinamento na selva é apenas simulação. De qualquer forma, aprende-se bem mais do que cuidar do próximo. A experiência de um dia é capaz de transformar a vida de muitos alunos e fazê-los repensar nos próprios valores e ações. Formar bons comissários é importante, mas o principal objetivo certamente é torná-los bons cidadãos.

 

Mercado está em expansão - O mercado aéreo não para de crescer em todo o mundo. Somente no Brasil, em setembro, os voos domésticos tiveram aumento de 7,5% no transporte de passageiros. Mais do que nunca é preciso de profissionais na área.

Mas a boa oferta de vagas não é o único atrativo para os jovens, a maioria entre 18 e 29 anos, que procuram o curso de comissário de bordo. Para fazê-lo, não é necessário ter Ensino Superior. Além disso, a duração do treinamento é de apenas quatro meses e o salário inicial pode chegar a R$ 2.500.

As motivações, no entanto, variam. Karina Ferreira Silva, 19 anos, começou o curso de Farmácia, porém, não se identificou. "Um dia deu a louca e fui para o Rio de Janeiro sozinha para refletir sobre a vida. No aeroporto, pensei que poderia ser comissária. Mas achava que tinha de ser alta, loira e ter olhos azuis", conta a estudante, que sonhava com a carreira na infância.

Thaís Nascimento, 18, não sabia qual faculdade fazer. Em uma pizzaria viu um casal de comissários e os achou lindos. "Decidi pesquisar sobre a profissão. Achei que só servia café. Descobri que não é isso. As responsabilidades são grandes."

 

Treinamento na selva é exigência - O treinamento de sobrevivência na selva é uma das exigências da Agência Nacional de Aviação Civil para se tornar comissário de bordo. Custa R$ 350 no Centro Educacional de Aviação do Brasil. Antes disso, porém, os aspirantes têm de encarar curso com duração de quatro meses - o preço varia de R$ 1.700 a R$ 2.178 -, além de passar por vários exames teóricos e, inclusive, psicológicos.

Depois da maratona ainda é necessário fazer a prova da Anac, que para muitos é a parte mais difícil. Só após a aprovação podem se candidatar aos processos seletivos das empresas aéreas.

Segundo Salmeron Cardoso, diretor do Ceab, o comissário tem de saber trabalhar em equipe e gostar de se relacionar com o público. "Os alunos vêm com a ideia do glamour e bom salário. Acham que só vão viajar o mundo e conhecer novas culturas. Chegam na escola sem saber direito o que vão estudar."

Renan Rodrigues da Costa, 18 anos, conhece a realidade e acredita que se dará bem na profissão. "Sou comunicativo e calmo. Acho que vou conseguir lidar com as pessoas. Mas não será fácil acordar às 3h e encarar o voo bem disposto."



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Comissário: bom profissional e cidadão

Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

06/11/2011 | 07:00


Comissário de bordo é uma daquelas profissões bonitas e indispensáveis à sociedade. Por ser responsável pela segurança dos passageiros e ter tantas tarefas precisa estar superpreparado para situações de emergência. Por isso, estuda muito e passa frequentemente por cursos de aperfeiçoamento.

E não faltam histórias de heroísmo. Em abril, a comissária Elisângela Cristina de Oliveira salvou a vida de um bebê de seis meses que havia engasgado durante o voo de Salvador a Brasília. Por conta da atuação, recebeu diploma de honra ao mérito da Agência Nacional de Aviação Civil. Durante a homenagem, falou sobre a importância dos treinamentos que recebeu e ressaltou que não fez mais do que a obrigação.

Em 3 de setembro de 1989, o boeing da Varig (companhia aérea brasileira que não existe mais), que seguia para Belém, fez um pouso de emergência na Floresta Amazônica, no Mato Grosso. A comissária Luciane Morosini de Melo, com 22 anos e três meses de profissão na época, quebrou o osso esterno (que fica no tórax). Mesmo sem respirar direito, ajudou a retirar os sobreviventes da aeronave, chegando até a carregar uma criança. Ao contrário dela, há profissionais que se aposentam sem nunca terem enfrentado perigo extremo em um voo. Outros não tiveram a mesma sorte.

Apesar de cansativo, é um alívio saber que o treinamento na selva é apenas simulação. De qualquer forma, aprende-se bem mais do que cuidar do próximo. A experiência de um dia é capaz de transformar a vida de muitos alunos e fazê-los repensar nos próprios valores e ações. Formar bons comissários é importante, mas o principal objetivo certamente é torná-los bons cidadãos.

 

Mercado está em expansão - O mercado aéreo não para de crescer em todo o mundo. Somente no Brasil, em setembro, os voos domésticos tiveram aumento de 7,5% no transporte de passageiros. Mais do que nunca é preciso de profissionais na área.

Mas a boa oferta de vagas não é o único atrativo para os jovens, a maioria entre 18 e 29 anos, que procuram o curso de comissário de bordo. Para fazê-lo, não é necessário ter Ensino Superior. Além disso, a duração do treinamento é de apenas quatro meses e o salário inicial pode chegar a R$ 2.500.

As motivações, no entanto, variam. Karina Ferreira Silva, 19 anos, começou o curso de Farmácia, porém, não se identificou. "Um dia deu a louca e fui para o Rio de Janeiro sozinha para refletir sobre a vida. No aeroporto, pensei que poderia ser comissária. Mas achava que tinha de ser alta, loira e ter olhos azuis", conta a estudante, que sonhava com a carreira na infância.

Thaís Nascimento, 18, não sabia qual faculdade fazer. Em uma pizzaria viu um casal de comissários e os achou lindos. "Decidi pesquisar sobre a profissão. Achei que só servia café. Descobri que não é isso. As responsabilidades são grandes."

 

Treinamento na selva é exigência - O treinamento de sobrevivência na selva é uma das exigências da Agência Nacional de Aviação Civil para se tornar comissário de bordo. Custa R$ 350 no Centro Educacional de Aviação do Brasil. Antes disso, porém, os aspirantes têm de encarar curso com duração de quatro meses - o preço varia de R$ 1.700 a R$ 2.178 -, além de passar por vários exames teóricos e, inclusive, psicológicos.

Depois da maratona ainda é necessário fazer a prova da Anac, que para muitos é a parte mais difícil. Só após a aprovação podem se candidatar aos processos seletivos das empresas aéreas.

Segundo Salmeron Cardoso, diretor do Ceab, o comissário tem de saber trabalhar em equipe e gostar de se relacionar com o público. "Os alunos vêm com a ideia do glamour e bom salário. Acham que só vão viajar o mundo e conhecer novas culturas. Chegam na escola sem saber direito o que vão estudar."

Renan Rodrigues da Costa, 18 anos, conhece a realidade e acredita que se dará bem na profissão. "Sou comunicativo e calmo. Acho que vou conseguir lidar com as pessoas. Mas não será fácil acordar às 3h e encarar o voo bem disposto."

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