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Tempo esquenta em trote e Medicina ABC vai investigar abuso


Do Diário do Grande ABC

21/02/2006 | 07:46


A guerra está declarada. De um lado, os veteranos da Faculdade de Medicina do ABC. Do outro, as mães dos novatos. O motivo da briga são supostos abusos cometidos contra os novatos no curso. Há denúncias de que os bixos teriam até de se sujeitar a banhos de lama em uma piscina plástica. Segunda-feira, o assunto virou caso de polícia. Os veteranos entraram na sala dos calouros e fecharam o porta. Uma das mães ouviu gritos e chamou a PM. Duas viaturas foram ao campus da faculdade, em Santo André. O diretor da instituição dispensou os policiais e abriu sindicância para apurar se houve abuso. Esse é só mais um caso entre o vasto histórico de confusões nos trotes da Medicina.

Mães alegam que os alunos foram mantidos em cárcere privado, isto é, foram impedidos de sair da sala. Membros da Atlética da instituição dizem que pediam doações de material esportivo e que simplesmente não entenderam a presença da polícia no local. “Os PMs chegaram nos acusando de tortura. Tratando a gente como bandido”, relata Gabriel Teixeira, o presidente da Atlética.

Na semana passada, mais confusões. Na segunda-feira, de acordo com denúncias de parentes dos novatos, os alunos ficaram em uma piscina de lama, foram obrigados a beber pimenta e impedidos de sair de um bar próximo à faculdade. Na terça, um aluno teria passado mal depois de horas pedindo dinheiro no semáforo. Na noite de sexta, o contra-ataque. Uma mãe teria agredido uma veterana em uma reunião marcada para tratar do assunto.

Tímidos ou intimidados, no meio do fogo cruzado, estão os bixos da Medicina do ABC. Um deles, questionado sobre os trotes, respondeu: “Calouro tem de ficar calado”. Outro foi pedir autorização aos veteranos para falar com a reportagem. Eles autorizaram. Mas outro bixo foi escolhido para dar entrevista. “Porque esse é muito feio e vai pegar mal para a faculdade”, justificou o veterano.

Há quem encare o trote como um mal necessário. Isso porque todo dinheiro do pedágio, organizado pela Atlética da Medicina ABC, é para a ida ao Camed (jogos universitários que reúnem calouros de várias faculdades). Segundo veteranos, a meta é arrecadar R$ 15 mil. “É cansativo, mas vale a pena”, comenta Flávia Samos, 19 anos. A estudante passou cinco horas durante todos os dias da semana passada fazendo pedágio. Gabriel Teixeira, o presidente da Atlética, garante que ninguém é obrigado a participar da coleta. Veteranos entrevistados afirmam que os bixos recebem água à vontade e um lanche, antes e depois da maratona.

O diretor da faculdade, Luiz Henrique Paschoal, afirma que todos os envolvidos em trotes serão punidos. “Mas não tenho como controlar isso fora da faculdade. Estamos abertos às queixas dos pais. E vamos punir todos os que tiverem participação nos trotes comprovada”, garante o diretor, o mesmo que em 2004 suspendeu 600 alunos acusados de participação em trote violento.



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Tempo esquenta em trote e Medicina ABC vai investigar abuso

Do Diário do Grande ABC

21/02/2006 | 07:46


A guerra está declarada. De um lado, os veteranos da Faculdade de Medicina do ABC. Do outro, as mães dos novatos. O motivo da briga são supostos abusos cometidos contra os novatos no curso. Há denúncias de que os bixos teriam até de se sujeitar a banhos de lama em uma piscina plástica. Segunda-feira, o assunto virou caso de polícia. Os veteranos entraram na sala dos calouros e fecharam o porta. Uma das mães ouviu gritos e chamou a PM. Duas viaturas foram ao campus da faculdade, em Santo André. O diretor da instituição dispensou os policiais e abriu sindicância para apurar se houve abuso. Esse é só mais um caso entre o vasto histórico de confusões nos trotes da Medicina.

Mães alegam que os alunos foram mantidos em cárcere privado, isto é, foram impedidos de sair da sala. Membros da Atlética da instituição dizem que pediam doações de material esportivo e que simplesmente não entenderam a presença da polícia no local. “Os PMs chegaram nos acusando de tortura. Tratando a gente como bandido”, relata Gabriel Teixeira, o presidente da Atlética.

Na semana passada, mais confusões. Na segunda-feira, de acordo com denúncias de parentes dos novatos, os alunos ficaram em uma piscina de lama, foram obrigados a beber pimenta e impedidos de sair de um bar próximo à faculdade. Na terça, um aluno teria passado mal depois de horas pedindo dinheiro no semáforo. Na noite de sexta, o contra-ataque. Uma mãe teria agredido uma veterana em uma reunião marcada para tratar do assunto.

Tímidos ou intimidados, no meio do fogo cruzado, estão os bixos da Medicina do ABC. Um deles, questionado sobre os trotes, respondeu: “Calouro tem de ficar calado”. Outro foi pedir autorização aos veteranos para falar com a reportagem. Eles autorizaram. Mas outro bixo foi escolhido para dar entrevista. “Porque esse é muito feio e vai pegar mal para a faculdade”, justificou o veterano.

Há quem encare o trote como um mal necessário. Isso porque todo dinheiro do pedágio, organizado pela Atlética da Medicina ABC, é para a ida ao Camed (jogos universitários que reúnem calouros de várias faculdades). Segundo veteranos, a meta é arrecadar R$ 15 mil. “É cansativo, mas vale a pena”, comenta Flávia Samos, 19 anos. A estudante passou cinco horas durante todos os dias da semana passada fazendo pedágio. Gabriel Teixeira, o presidente da Atlética, garante que ninguém é obrigado a participar da coleta. Veteranos entrevistados afirmam que os bixos recebem água à vontade e um lanche, antes e depois da maratona.

O diretor da faculdade, Luiz Henrique Paschoal, afirma que todos os envolvidos em trotes serão punidos. “Mas não tenho como controlar isso fora da faculdade. Estamos abertos às queixas dos pais. E vamos punir todos os que tiverem participação nos trotes comprovada”, garante o diretor, o mesmo que em 2004 suspendeu 600 alunos acusados de participação em trote violento.

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