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‘Corrupto é um ladrão’


Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

19/08/2006 | 03:42


"Corrupto é igual a um ladrão de carteira, embora seja pior por desmoralizar a sociedade.” Assim o presidenciável da Educação, o pedetista Cristovam Buarque, defendeu ontem – durante entrevista no Grupo Estado – a idéia de que corrupto não “desvia, rouba”. Para ele, o ato deveria tornar-se crime hediondo por meio de mudança drástica na legislação e da reforma do Judiciário.

Durante a sabatina, o pedetista fez avaliações sobre as conseqüências da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) logo no primeiro turno. “Não quero que Lula sofra de tentações chavistas, de governar com o povo e sem o Congresso”, disse, referindo-se a atitudes polêmicas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Bem-humorado, Buarque provocou risos na platéia que, embora não tão volumosa quanto à de quarta-feira – quando o presidenciável Geraldo Alckmin foi o entrevistado –, estava muito mais interessada e entretida. Ele conseguiu apresentar propostas além das já conhecidas para a área de Educação. “Vocês dizem que eu sou candidato de samba de uma nota só, mas só querem saber de falar de política”, brincou.

Ao explicar o porquê de falar apenas de Educação, o pedetista disse que o Brasil precisa de uma revolução e só através da subversão conseguirá isso. “Sou subversivo ao ser do samba de uma nota só, ao adotar Educação como o eixo do programa de governo.” E completou: “Alguma coisa vai ficar, mesmo que seja essa imagem do obsessivo”.

No entanto, embora a Educação seja a base de tudo, ao falar sobre o programa para a Segurança Pública, Cristovam foi categórico: “Não vou consertar o Marcola colocando-o na escola”. Para ele, hoje não se trata apenas de combater um ladrão de esquina ou um batedor de carteira, mas sim de acabar com a guerra civil. “E isso tratamos de outra maneira.”

Ao falar da postura na campanha, o presidenciável destacou três elementos. “Não pode perder o bom humor, o eixo e muito menos a linha da barriga. Porque, se ficar angustiado, perde tudo”, observou presidenciável.

Conformado com a quarta colocação nas pesquisas eleitorais, o candidato fez questão de brincar com o fato em vários momentos. “Será sempre mais fácil subir em uma mangueira do que nas pesquisas. Na primeira, depende de si mesmo e de alguns centímetros, na segunda, de todos e de alguns milhões.”

Irônico, ao ser questionado sobre quem seria o ministro da Fazenda, Cristovam Buarque disparou: “Estou com 1% das intenções e você quer que eu nomeie o ministro?”. Os risos foram inevitáveis. “Na Espanha, uma repórter me perguntou o que eu faria assim que assumisse. Acho que ela não sabe que tenho apenas 1%”, disse.

Ao falar sobre as desigualdades, o candidato afirmou que apenas a vacina contra poliomelite e o fornecimento de medicamentos para combater a Aids foram implantados tanto para ricos quanto para pobres no Brasil. “Aposto que se alguém culto pegasse analfabetismo por meio de um simples toque em outra pessoa nessa condição, o governo já tinha erradicado o problema.”

Para ele, o ideal seria nomear três ministros, com o consenso dos partidos: Segurança Pública, Educação e Fazenda.

Propostas e opiniões do presidenciável

Recursos para Educação
“Quero R$ 7 bilhões por ano para a área. É 1% do Orçamento. Para isso, pode tirar de rubricas. Tem de tirar um pouquinho, menos de 1%, do dinheiro das agências fiscais (que recebem R$ 35 bilhões por ano), do lucro das estatais (R$ 30 bilhões/ano), do Congresso (R$ 5 bilhões/ano), da Justiça (R$ 15 bilhões/ano), da Publicidade (1,4 bilhão/ano).”

Por que a Educação?
“Se 500 crianças ficarem fora da escola serão R$ 132 milhões perdidos, incluindo na conta 35 anos de falta de produtividade, gastos com segurança pública se um desses entrar para a criminalidade e o pagamento de Bolsa-Família para o resto da vida. Já uma escola, por 11 anos, custa só R$ 6 milhões.”

Segurança Pública
“Governo federal tem de assumir responsabilidade. Estava na carta de Lula de 2002, que ele não cumpriu. É preciso cadastro único de criminosos, mudança no regime prisional e incorporar 1 milhão de jovens – de 16 a 21 anos – nas forças policiais. Pagaria salário para que ele fizesse exercício, amigos e aprendesse profissão. Defendo RDD mesmo sendo membro do Conselho de Direitos Humanos.”

Saúde
“Levar adiante programa Saúde-Família, que fiz no Distrito Federal. Como encarece, o ideal seria que postos funcionassem bem para reduzir demanda nos hospitais.”

Política Social
“Só ganha Bolsa-Família quem tiver filho na escola ou quem trabalhar para o governo. Nesse último caso, ganha-se um salário mínimo por mês, durante quatro meses, em vez de ganhar R$ 70 por mês durante um ano.”

Forças Armadas
“Não adianta aumentar armamento para enfrentar Estados Unidos. Mas o Brasil tem de melhorar. Não dá para deixar Exército assim. Um país como o nosso, com esse território, esse espaço aéreo e marítimo não se pode dar ao luxo de não se proteger. Mas sem excessos.”

Reforma agrária
“Precisa reunir MST, agronegócio, pequenos produtores e Justiça para acabar com capitanias hereditárias. E o fruto dessa negociação só saberemos quando ela ocorrer. Só assumo compromisso com aquilo que posso fazer.”

Infra-estrutura
“Saída é PPPs, desde que haja segurança jurídica, para hidrovias no Norte e para evitar crise energética. Por enquanto, saída não é utilização de energia nuclear.”

Reforma Política
“Tem de acabar com a reeleição para o Executivo e permitir apenas uma no Legislativo. Se é candidato não tem sigilo bancário e nem telefônico. Quando o povo vota na legenda é obrigatório aparecer lista de candidatos para que escolha um. Caso contrário, há máfia dentro do partido. Defendo ainda fidelidade partidária e voto aberto.”

PT
“O governo não tem legado. Só sai do partido porque percebi o acomodamento do PT diante da corrupção de alguns integrantes.”

Lula
“Acredito que antes do fim de um suposto segundo mandato, ele está fora do partido. Desvincular-se do PT nas eleições, talvez, dê mais votos para ele. Lula não pagará ônus por ser do PT, o partido pagará sozinho. E Lula cairá nos braços de outras legendas. Provavelmente, o PMDB.”

Ministro da Fazenda
“Tem de ser alguém com o compromisso da estabilidade e do desenvolvimento. E quem falar o que fará nas taxas de juros e prever o que acontecerá daqui a seis meses, não entende de economia.”

Segundo turno
“Nenhum candidato teria condições de conduzir meu projeto. Não vou dizer se tentaria convencer algum. Afinal, em mim eles não votarão. Então, vou convencer outro. Alckmin e Lula são muito parecidos. É a visão do eixo avenida Paulista-ABC que deu certo. Mas não vai dar para copiar esse modelo. Se for para o segundo turno Heloísa Helena e Lula, aí complica. Porque tendência seria para Heloísa Helena, mas ela tem de afinar o programa de governo.”

Reeleição
“Se Lula se reeleger no segundo turno, com 60 milhões de votos e o Congresso fazendo oposição dura, ele pode começar a convocar plebiscitos. Se ele fizer plebiscito pedindo fechamento do Congresso, tenho minhas dúvidas quanto à decisão do povo. Ainda mais com a situação dos parlamentares. Não porque tenha vocação autoritária, mas porque a política se dá pelas circunstâncias. Ele já sugeria nova assembléia constituinte e pode retomar a idéia se for reeleito. Por isso, segundo turno é importante para o país. De repente, ele também pode pedir plebiscito para chegar ao terceiro mandato. Outros países viveram essa situação.”

Ministério
“Não aceitaria. Não gosto de repetir.”


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‘Corrupto é um ladrão’

Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

19/08/2006 | 03:42


"Corrupto é igual a um ladrão de carteira, embora seja pior por desmoralizar a sociedade.” Assim o presidenciável da Educação, o pedetista Cristovam Buarque, defendeu ontem – durante entrevista no Grupo Estado – a idéia de que corrupto não “desvia, rouba”. Para ele, o ato deveria tornar-se crime hediondo por meio de mudança drástica na legislação e da reforma do Judiciário.

Durante a sabatina, o pedetista fez avaliações sobre as conseqüências da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) logo no primeiro turno. “Não quero que Lula sofra de tentações chavistas, de governar com o povo e sem o Congresso”, disse, referindo-se a atitudes polêmicas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Bem-humorado, Buarque provocou risos na platéia que, embora não tão volumosa quanto à de quarta-feira – quando o presidenciável Geraldo Alckmin foi o entrevistado –, estava muito mais interessada e entretida. Ele conseguiu apresentar propostas além das já conhecidas para a área de Educação. “Vocês dizem que eu sou candidato de samba de uma nota só, mas só querem saber de falar de política”, brincou.

Ao explicar o porquê de falar apenas de Educação, o pedetista disse que o Brasil precisa de uma revolução e só através da subversão conseguirá isso. “Sou subversivo ao ser do samba de uma nota só, ao adotar Educação como o eixo do programa de governo.” E completou: “Alguma coisa vai ficar, mesmo que seja essa imagem do obsessivo”.

No entanto, embora a Educação seja a base de tudo, ao falar sobre o programa para a Segurança Pública, Cristovam foi categórico: “Não vou consertar o Marcola colocando-o na escola”. Para ele, hoje não se trata apenas de combater um ladrão de esquina ou um batedor de carteira, mas sim de acabar com a guerra civil. “E isso tratamos de outra maneira.”

Ao falar da postura na campanha, o presidenciável destacou três elementos. “Não pode perder o bom humor, o eixo e muito menos a linha da barriga. Porque, se ficar angustiado, perde tudo”, observou presidenciável.

Conformado com a quarta colocação nas pesquisas eleitorais, o candidato fez questão de brincar com o fato em vários momentos. “Será sempre mais fácil subir em uma mangueira do que nas pesquisas. Na primeira, depende de si mesmo e de alguns centímetros, na segunda, de todos e de alguns milhões.”

Irônico, ao ser questionado sobre quem seria o ministro da Fazenda, Cristovam Buarque disparou: “Estou com 1% das intenções e você quer que eu nomeie o ministro?”. Os risos foram inevitáveis. “Na Espanha, uma repórter me perguntou o que eu faria assim que assumisse. Acho que ela não sabe que tenho apenas 1%”, disse.

Ao falar sobre as desigualdades, o candidato afirmou que apenas a vacina contra poliomelite e o fornecimento de medicamentos para combater a Aids foram implantados tanto para ricos quanto para pobres no Brasil. “Aposto que se alguém culto pegasse analfabetismo por meio de um simples toque em outra pessoa nessa condição, o governo já tinha erradicado o problema.”

Para ele, o ideal seria nomear três ministros, com o consenso dos partidos: Segurança Pública, Educação e Fazenda.

Propostas e opiniões do presidenciável

Recursos para Educação
“Quero R$ 7 bilhões por ano para a área. É 1% do Orçamento. Para isso, pode tirar de rubricas. Tem de tirar um pouquinho, menos de 1%, do dinheiro das agências fiscais (que recebem R$ 35 bilhões por ano), do lucro das estatais (R$ 30 bilhões/ano), do Congresso (R$ 5 bilhões/ano), da Justiça (R$ 15 bilhões/ano), da Publicidade (1,4 bilhão/ano).”

Por que a Educação?
“Se 500 crianças ficarem fora da escola serão R$ 132 milhões perdidos, incluindo na conta 35 anos de falta de produtividade, gastos com segurança pública se um desses entrar para a criminalidade e o pagamento de Bolsa-Família para o resto da vida. Já uma escola, por 11 anos, custa só R$ 6 milhões.”

Segurança Pública
“Governo federal tem de assumir responsabilidade. Estava na carta de Lula de 2002, que ele não cumpriu. É preciso cadastro único de criminosos, mudança no regime prisional e incorporar 1 milhão de jovens – de 16 a 21 anos – nas forças policiais. Pagaria salário para que ele fizesse exercício, amigos e aprendesse profissão. Defendo RDD mesmo sendo membro do Conselho de Direitos Humanos.”

Saúde
“Levar adiante programa Saúde-Família, que fiz no Distrito Federal. Como encarece, o ideal seria que postos funcionassem bem para reduzir demanda nos hospitais.”

Política Social
“Só ganha Bolsa-Família quem tiver filho na escola ou quem trabalhar para o governo. Nesse último caso, ganha-se um salário mínimo por mês, durante quatro meses, em vez de ganhar R$ 70 por mês durante um ano.”

Forças Armadas
“Não adianta aumentar armamento para enfrentar Estados Unidos. Mas o Brasil tem de melhorar. Não dá para deixar Exército assim. Um país como o nosso, com esse território, esse espaço aéreo e marítimo não se pode dar ao luxo de não se proteger. Mas sem excessos.”

Reforma agrária
“Precisa reunir MST, agronegócio, pequenos produtores e Justiça para acabar com capitanias hereditárias. E o fruto dessa negociação só saberemos quando ela ocorrer. Só assumo compromisso com aquilo que posso fazer.”

Infra-estrutura
“Saída é PPPs, desde que haja segurança jurídica, para hidrovias no Norte e para evitar crise energética. Por enquanto, saída não é utilização de energia nuclear.”

Reforma Política
“Tem de acabar com a reeleição para o Executivo e permitir apenas uma no Legislativo. Se é candidato não tem sigilo bancário e nem telefônico. Quando o povo vota na legenda é obrigatório aparecer lista de candidatos para que escolha um. Caso contrário, há máfia dentro do partido. Defendo ainda fidelidade partidária e voto aberto.”

PT
“O governo não tem legado. Só sai do partido porque percebi o acomodamento do PT diante da corrupção de alguns integrantes.”

Lula
“Acredito que antes do fim de um suposto segundo mandato, ele está fora do partido. Desvincular-se do PT nas eleições, talvez, dê mais votos para ele. Lula não pagará ônus por ser do PT, o partido pagará sozinho. E Lula cairá nos braços de outras legendas. Provavelmente, o PMDB.”

Ministro da Fazenda
“Tem de ser alguém com o compromisso da estabilidade e do desenvolvimento. E quem falar o que fará nas taxas de juros e prever o que acontecerá daqui a seis meses, não entende de economia.”

Segundo turno
“Nenhum candidato teria condições de conduzir meu projeto. Não vou dizer se tentaria convencer algum. Afinal, em mim eles não votarão. Então, vou convencer outro. Alckmin e Lula são muito parecidos. É a visão do eixo avenida Paulista-ABC que deu certo. Mas não vai dar para copiar esse modelo. Se for para o segundo turno Heloísa Helena e Lula, aí complica. Porque tendência seria para Heloísa Helena, mas ela tem de afinar o programa de governo.”

Reeleição
“Se Lula se reeleger no segundo turno, com 60 milhões de votos e o Congresso fazendo oposição dura, ele pode começar a convocar plebiscitos. Se ele fizer plebiscito pedindo fechamento do Congresso, tenho minhas dúvidas quanto à decisão do povo. Ainda mais com a situação dos parlamentares. Não porque tenha vocação autoritária, mas porque a política se dá pelas circunstâncias. Ele já sugeria nova assembléia constituinte e pode retomar a idéia se for reeleito. Por isso, segundo turno é importante para o país. De repente, ele também pode pedir plebiscito para chegar ao terceiro mandato. Outros países viveram essa situação.”

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