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Assassino do padre Leo pega 21 anos de prisão


Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

23/02/2006 | 08:36


Leo Comissari mudou para melhor a vida de muita gente na favela do Oleoduto, região do Jardim Silvina, em São Bernardo, na década de 1990. O padre missionário italiano elevou a auto-estima da comunidade com trabalhos comunitários que, afirmam muitos, tirou menores carentes do caminho das drogas. Em 1998, o padre foi assassinado friamente por gente da mesma favela. Quarta-feira, o julgamento de João Cardoso dos Santos, 32 anos, um dos assassinos confessos do religioso, não lembrava a grandiosidade do trabalho de Comissari. Quase sem platéia, a juíza Bianca Chojniak anunciou, depois das 20h, a sentença do réu – 21 anos, quatro meses e 24 dias no total. Pelo homicídio duplamente qualificado, 14 anos, quatro meses e 24 dias; por tráfico de drogas, mais três anos e seis meses; e pelo crime de associação para o tráfico, outros três anos e seis meses. Santos já cumpre pena de 32 anos por outros crimes.

A Promotoria apurou que o condenado não agiu sozinho. Patrícia Dias Bicalho, que hoje teria 30 anos, oficialmente está foragida, mas informações de diversas frentes dão conta de que ela já morreu. Embora tenha alegado à Justiça à época do crime que trabalhava como doméstica em casa de família, Patrícia também é acusada de ser traficante. Um terceiro acusado também não foi julgado.

Defesa e acusação de João Cardoso dos Santos ensaiaram discursos mais acalorados no final do julgamento, mas nada que lembrasse o brilho dos grandes tribunais. A defesa – que afirma ter se oferecido para defender o réu gratuitamente – levantou primeiramente a tese da legítima defesa: Santos teria atirado contra o carro do padre porque pensava que o(s) ocupantes(s) eram desafetos que queriam atacá-lo. Na seqüência, alegou que Leo Comissari já estaria morto quando foi alvejado pelo réu (a foragida Patrícia teria atirado primeiro). Os advogados José Osvaldo Rotondo e José Luis Gonçalves usaram ainda – na tentativa de emplacar atenuantes – que Santos desconhece a lei, por ser analfabeto e que ele confessou espontaneamente o crime. O júri popular, composto por sete pessoas, não reconheceu a existência de atenuantes.

A defesa procurou ainda alegar que Santos tem problemas mentais, tese contestada pelo promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior. Em conversa com o Diário após o julgamento, ele disse que o exame foi negado porque não havia nenhum indício que indicasse que o réu pudesse ter problemas psiquiátricos. “Não havia qualquer evidência nesse sentido. Se a Justiça tivesse prova de que ele já tomou Gardenal (medicamento popularmente conhecido para tratamento psiquiátrico), ou que tinha qualquer exame relacionado a problemas mentais, o pedido do exame seria considerado”, exemplificou o promotor.

Durante o julgamento, o promotor já havia dito que “quando o réu disse ao jornal (Diário) que ganhava R$ 8 mil por mês com o tráfico, ele parecia ter bastante discernimento”. Pereira Júnior considerou, ao final, que resultado do julgamento foi justo. “Os jurados entenderam a gravidade do crime e foram coerentes. O réu tem perfil perigoso, subjugava as pessoas na favela”, disse ontem. Na realidade, a pena do homicídio foi branda, possivelmente porque o júri acatou o único argumento convincente da defesa – o de que o réu não deveria permanecer tanto tempo na cadeia, devido as concessões da lei brasileira. “O máximo que ele cumprirá, de qualquer forma, é 30 anos”, observou José Osvaldo Rotondo.

Histórico – Leo Comissari foi morto com três tiros em uma viela da favela do Oleoduto, em 21 de junho de 1998, um sábado. Hoje, trata-se da viela Leo Comissari. Ele voltava de uma quermesse beneficente, com dinheiro em sua bolsa, que foi roubada por ocasião do crime.

O condenado, João Cardoso dos Santos, chegou a dizer, ao ser preso, que matou o padre por engano. Afirmou que estava trocando tiros com traficantes quando avistou o carro do padre, um Gol, e acabou alvejando o veículo no tiroteio por achar que se tratava de um dos carros dos rivais.

Leo Comissari também morava na favela do Oleoduto. Foi o primeiro de uma equipe de padres e freiras de Ímola (Itália) a chegar na região, em 1978. Depois, outros vieram da mesma cidade e se espalharam pelas favelas de São Bernardo. O padre criou a Pastoral da Criança na favela. (Colaborou Gabriel Batista)



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Assassino do padre Leo pega 21 anos de prisão

Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

23/02/2006 | 08:36


Leo Comissari mudou para melhor a vida de muita gente na favela do Oleoduto, região do Jardim Silvina, em São Bernardo, na década de 1990. O padre missionário italiano elevou a auto-estima da comunidade com trabalhos comunitários que, afirmam muitos, tirou menores carentes do caminho das drogas. Em 1998, o padre foi assassinado friamente por gente da mesma favela. Quarta-feira, o julgamento de João Cardoso dos Santos, 32 anos, um dos assassinos confessos do religioso, não lembrava a grandiosidade do trabalho de Comissari. Quase sem platéia, a juíza Bianca Chojniak anunciou, depois das 20h, a sentença do réu – 21 anos, quatro meses e 24 dias no total. Pelo homicídio duplamente qualificado, 14 anos, quatro meses e 24 dias; por tráfico de drogas, mais três anos e seis meses; e pelo crime de associação para o tráfico, outros três anos e seis meses. Santos já cumpre pena de 32 anos por outros crimes.

A Promotoria apurou que o condenado não agiu sozinho. Patrícia Dias Bicalho, que hoje teria 30 anos, oficialmente está foragida, mas informações de diversas frentes dão conta de que ela já morreu. Embora tenha alegado à Justiça à época do crime que trabalhava como doméstica em casa de família, Patrícia também é acusada de ser traficante. Um terceiro acusado também não foi julgado.

Defesa e acusação de João Cardoso dos Santos ensaiaram discursos mais acalorados no final do julgamento, mas nada que lembrasse o brilho dos grandes tribunais. A defesa – que afirma ter se oferecido para defender o réu gratuitamente – levantou primeiramente a tese da legítima defesa: Santos teria atirado contra o carro do padre porque pensava que o(s) ocupantes(s) eram desafetos que queriam atacá-lo. Na seqüência, alegou que Leo Comissari já estaria morto quando foi alvejado pelo réu (a foragida Patrícia teria atirado primeiro). Os advogados José Osvaldo Rotondo e José Luis Gonçalves usaram ainda – na tentativa de emplacar atenuantes – que Santos desconhece a lei, por ser analfabeto e que ele confessou espontaneamente o crime. O júri popular, composto por sete pessoas, não reconheceu a existência de atenuantes.

A defesa procurou ainda alegar que Santos tem problemas mentais, tese contestada pelo promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior. Em conversa com o Diário após o julgamento, ele disse que o exame foi negado porque não havia nenhum indício que indicasse que o réu pudesse ter problemas psiquiátricos. “Não havia qualquer evidência nesse sentido. Se a Justiça tivesse prova de que ele já tomou Gardenal (medicamento popularmente conhecido para tratamento psiquiátrico), ou que tinha qualquer exame relacionado a problemas mentais, o pedido do exame seria considerado”, exemplificou o promotor.

Durante o julgamento, o promotor já havia dito que “quando o réu disse ao jornal (Diário) que ganhava R$ 8 mil por mês com o tráfico, ele parecia ter bastante discernimento”. Pereira Júnior considerou, ao final, que resultado do julgamento foi justo. “Os jurados entenderam a gravidade do crime e foram coerentes. O réu tem perfil perigoso, subjugava as pessoas na favela”, disse ontem. Na realidade, a pena do homicídio foi branda, possivelmente porque o júri acatou o único argumento convincente da defesa – o de que o réu não deveria permanecer tanto tempo na cadeia, devido as concessões da lei brasileira. “O máximo que ele cumprirá, de qualquer forma, é 30 anos”, observou José Osvaldo Rotondo.

Histórico – Leo Comissari foi morto com três tiros em uma viela da favela do Oleoduto, em 21 de junho de 1998, um sábado. Hoje, trata-se da viela Leo Comissari. Ele voltava de uma quermesse beneficente, com dinheiro em sua bolsa, que foi roubada por ocasião do crime.

O condenado, João Cardoso dos Santos, chegou a dizer, ao ser preso, que matou o padre por engano. Afirmou que estava trocando tiros com traficantes quando avistou o carro do padre, um Gol, e acabou alvejando o veículo no tiroteio por achar que se tratava de um dos carros dos rivais.

Leo Comissari também morava na favela do Oleoduto. Foi o primeiro de uma equipe de padres e freiras de Ímola (Itália) a chegar na região, em 1978. Depois, outros vieram da mesma cidade e se espalharam pelas favelas de São Bernardo. O padre criou a Pastoral da Criança na favela. (Colaborou Gabriel Batista)

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