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Movimento punk ferveu entre a classe operária da região

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

10/07/2011 | 07:00


Você pode nem imaginar, mas o Grande ABC é celeiro de inúmeras bandas respeitadíssimas no Brasil e Exterior. A figura mais conhecida é Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, que está em turnê pela Europa. Nascido em São Bernardo, passou parte da juventude em Santo André, onde formou sua primeira banda.

Metal, rockabilly, hardcore sempre tiveram muitos adeptos, mas o movimento mais expressivo aqui foi o punk rock, surgido no fim dos anos 1970. Os primeiros grupos se reuniam no Assunção, em São Bernardo, como Os Anjos, como reflexo do que acontecia nos Estados Unidos e Europa. Lá, o punk ganhou força nas cidades operárias com desemprego, algo comum no íncio dos anos 1980 no Grande ABC, núcleo da indústria automotiva. Tanto que os punks - parte deles metalúrgico - participavam de mobilizações e greves.

Com som e visual agressivos, esse movimento sempre lutou pela liberdade, igualdade e defesa das minorias. A primeira apresentação da Garotos Podres, que surgiu em 1982 em Mauá, foi no show para arrecadar grana para o Fundo de Greve dos Metalúrgicos do ABC, em 1983. Ulster, Brigada do Ódio, Legião Armada e Ação Direta se destacaram na mesma década.

VIOLÊNCIA - Brigas entre punks e headbangers, (fãs de heavy metal) eram constantes no Centro de Santo André, nos anos de 1980 (confira no abaixo). Outras tribos, como os Carecas do ABC, também surgiram na mesma época e se envolveram em confusões. Algumas acabaram em tragédia. O caso de maior repercussão aconteceu na Capital: Edson Néris da Silva foi espancado por carecas até a morte por ser gay, em 2000.

Jean Gantinis, 51 anos, viu quase tudo isso de perto. Dono da Metal (loja especializada em rock), lembra que alguns clientes tinham discos quebrados assim que saiam do local. Outros eram arrancados de lá para apanhar. "Era perigoso. A gente andava com frio na barriga." Hoje, segundo Gepeto, 41, vocalista da Ação Direta - com 24 anos de estrada -, não há mais briga entre gangues. "A galera se mistura mais. Agora, é comum bandas de diferentes estilos dividir o palco." Novos tempos!

 Denis De Marchi

Faltam festivais, estímulo e espaços para shows

As bandas de rock do Grande ABC não desapareceram. Boa parte das antigas continua na ativa, produzindo novos trabalhos e shows. Como permanecem no cenário underground, sem exposição na mídia, muita gente não as conhece. Isso não significa que sejam inacessíveis. Pelo contrário, é fácil estabelecer contato com os músicos.

Problema mesmo é que, além da falta de apoio, há anos a região precisa de espaços com estrutura para apresentações. Também não existe um grande festival para reuni-las anualmente. "Tudo isso impede que muitos eventos aconteçam aqui, como shows de bandas estrangeiras", afirma Gepeto. Para ter ideia, o vocalista conta que, neste ano, a Ação Direta esteve em várias cidades e até em Tocantins, mas ainda não tocou por aqui.

Entre os poucos espaços que oferecem programação com frequência estão o Cidadão do Mundo (Rua Rio Grande do Sul, 73, www.cidadaodomundo.org.br) e a Estação Jovem (Rua Serafim Constantino, Terminal Nicolau Delic), ambos em São Caetano. Na Estação Jovem existe estúdio em que os grupos da cidade podem ensaiar de graça. Começa amanhã (11) lá a Semana de Música para comemorar o Dia Mundial do Rock.

E as bandas novas? Não param de surgir, principalmente nos colégios. Prova disso é a Phaser de Lucas Armellin Richieri (vocal), 17 anos, e de Bruno Portugal Nunes (guitarra), 16, que nasceu no Singular em 2010, em Santo André. No festival deste ano, eles querem apresentar uma música autoral. Na mesma escola, Andreas Kisser formou seu primeiro grupo, o Esfinge, em 1983.



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Movimento punk ferveu entre a classe operária da região

Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

10/07/2011 | 07:00


Você pode nem imaginar, mas o Grande ABC é celeiro de inúmeras bandas respeitadíssimas no Brasil e Exterior. A figura mais conhecida é Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, que está em turnê pela Europa. Nascido em São Bernardo, passou parte da juventude em Santo André, onde formou sua primeira banda.

Metal, rockabilly, hardcore sempre tiveram muitos adeptos, mas o movimento mais expressivo aqui foi o punk rock, surgido no fim dos anos 1970. Os primeiros grupos se reuniam no Assunção, em São Bernardo, como Os Anjos, como reflexo do que acontecia nos Estados Unidos e Europa. Lá, o punk ganhou força nas cidades operárias com desemprego, algo comum no íncio dos anos 1980 no Grande ABC, núcleo da indústria automotiva. Tanto que os punks - parte deles metalúrgico - participavam de mobilizações e greves.

Com som e visual agressivos, esse movimento sempre lutou pela liberdade, igualdade e defesa das minorias. A primeira apresentação da Garotos Podres, que surgiu em 1982 em Mauá, foi no show para arrecadar grana para o Fundo de Greve dos Metalúrgicos do ABC, em 1983. Ulster, Brigada do Ódio, Legião Armada e Ação Direta se destacaram na mesma década.

VIOLÊNCIA - Brigas entre punks e headbangers, (fãs de heavy metal) eram constantes no Centro de Santo André, nos anos de 1980 (confira no abaixo). Outras tribos, como os Carecas do ABC, também surgiram na mesma época e se envolveram em confusões. Algumas acabaram em tragédia. O caso de maior repercussão aconteceu na Capital: Edson Néris da Silva foi espancado por carecas até a morte por ser gay, em 2000.

Jean Gantinis, 51 anos, viu quase tudo isso de perto. Dono da Metal (loja especializada em rock), lembra que alguns clientes tinham discos quebrados assim que saiam do local. Outros eram arrancados de lá para apanhar. "Era perigoso. A gente andava com frio na barriga." Hoje, segundo Gepeto, 41, vocalista da Ação Direta - com 24 anos de estrada -, não há mais briga entre gangues. "A galera se mistura mais. Agora, é comum bandas de diferentes estilos dividir o palco." Novos tempos!

 Denis De Marchi

Faltam festivais, estímulo e espaços para shows

As bandas de rock do Grande ABC não desapareceram. Boa parte das antigas continua na ativa, produzindo novos trabalhos e shows. Como permanecem no cenário underground, sem exposição na mídia, muita gente não as conhece. Isso não significa que sejam inacessíveis. Pelo contrário, é fácil estabelecer contato com os músicos.

Problema mesmo é que, além da falta de apoio, há anos a região precisa de espaços com estrutura para apresentações. Também não existe um grande festival para reuni-las anualmente. "Tudo isso impede que muitos eventos aconteçam aqui, como shows de bandas estrangeiras", afirma Gepeto. Para ter ideia, o vocalista conta que, neste ano, a Ação Direta esteve em várias cidades e até em Tocantins, mas ainda não tocou por aqui.

Entre os poucos espaços que oferecem programação com frequência estão o Cidadão do Mundo (Rua Rio Grande do Sul, 73, www.cidadaodomundo.org.br) e a Estação Jovem (Rua Serafim Constantino, Terminal Nicolau Delic), ambos em São Caetano. Na Estação Jovem existe estúdio em que os grupos da cidade podem ensaiar de graça. Começa amanhã (11) lá a Semana de Música para comemorar o Dia Mundial do Rock.

E as bandas novas? Não param de surgir, principalmente nos colégios. Prova disso é a Phaser de Lucas Armellin Richieri (vocal), 17 anos, e de Bruno Portugal Nunes (guitarra), 16, que nasceu no Singular em 2010, em Santo André. No festival deste ano, eles querem apresentar uma música autoral. Na mesma escola, Andreas Kisser formou seu primeiro grupo, o Esfinge, em 1983.

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