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Sandy e Junior: muito barulho por pouco


Ana Carolina Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

29/04/2006 | 08:47


Unhas coloridas, cabelos ruivos, maquiagem pesada e roupa preta. É assim que Sandy surge, ao lado de Junior, na coletiva de imprensa de seu mais novo disco, o 15º trabalho da carreira da dupla, realizada no começo da semana num hotel de São Paulo. Mesmo com todas as mudanças – principalmente no visual – Sandy e Junior continuam os mesmos. Ela com a imagem de “princesa encastelada” – o termo é repetido à exaustão pela própria cantora apesar de ela tanto querer dissociá-lo de seu nome. Ele, com uma vontade imensa de parecer o rebelde que não é.

O novo disco, que não tem nome e é representado por um símbolo de um homem e uma mulher (Universal Music, R$ 32 em média), é alardeado como o mais “maduro e orgânico” dos trabalhos, mas o que se ouve no álbum, composto por 12 canções, é a repetição de velhas fórmulas e pouca experimentação.

Há diferenças, é verdade. Junior ganhou mais espaço e sua participação não se limitou à segunda voz. Em três composições – Dessa Vez, O Preço e Destinos – é ele quem comanda os vocais. Junior também é o responsável por toda a bateria do trabalho. Soma-se a isso, a função de produtor do disco. “Já imaginava trabalhar nos bastidores, mas não sabia que ia rolar tão rápido. Tinha a esperança de passar por isso, mas não agora. Tive de lidar com coisas que nem imaginava. Foi muito importante para mim”.

Por outro lado, Sandy aproveita o lançamento para evidenciar seu lado compositora – escreveu sete das 11 letras do CD sob a assinatura de Sandy Leah (duas delas com trechos reproduzidos ao lado). E é por meio de uma dessas letras que ela manda um recado nada simpático para a imprensa. Em Discutível Perfeição, que tem tudo para se transformar em hit, a filha de Xororó faz um desabafo.

Só que o que era para ser uma resposta acaba dando mais margem para discussões. Na música, que deveria apagar – ou pelo menos tentar – a imagem de boazinha de Sandy, ela se auto-intitula princesa e canta versos que nada ajudam a convencer os ouvintes de uma possível mudança (“Admito, eu vivo maquiada/Minha vida é mesmo tão sofisticada/ Saiba, esse glamour não dura o tempo inteiro/ Eu também preciso ir ao banheiro”).

E a imagem de Sandy é algo que não incomoda só a garota – “essa coisa foi construída pela mídia em cima do meu passado. Poxa, eu era criança, virei adolescente e adulta, mas as pessoas continuaram com a mesma idéia”.

Junior, sempre que pode, sai em defesa da irmã para assegurar que ela é, sim, uma garota como outra qualquer e aproveita para alfinetar os críticos de alguma maneira. “O problema é que ninguém quer se atualizar. Queria que ouvissem esse CD sem lembrar que éramos aqueles que cantavam tal música. Adoro meu passado, mas passou”.

A ousadia do álbum, que segundo Junior não busca a perfeição, acabou acumulada em uma só faixa. Nas Mãos da Sorte é completamente diferente de tudo que a dupla já fez. Primeiro porque a letra tem temática social. Fala-se de violência, problemas na política nacional, miséria e pobreza, entre outras mazelas. Segundo porque participações inusitadas ocorrem na música: Milton Nascimento narra um texto escrito por Gabriel O Pensador e a faixa ainda conta com trechos em inglês contados pelo rapper Taboo, do Black Eyed Peas. Em alguns momentos, Nas Mãos da Sorte flerta com o samba. Mas as mudanças acabam aí. Até porque, mesmo com tanto alarde sobre modificações, Sandy, meio que sem perceber, afirmou que adora o novo, mas tem “medo de experimentar”.

No mais, o que a dupla propôs em Identidade, trabalho anterior lançado em outubro de 2003, parece ter continuidade neste novo disco, que pode ser adquirido em edição simples – apenas o CD – ou acompanhado de DVD, recheado com músicas do disco mixadas em cinco canais de som e um making of das gravações.

Projetos paralelos – Focada na divulgação do novo trabalho, Sandy não deve voltar tão cedo aos palcos para cantar jazz e MPB, como fez recentemente em São Paulo. Junior prefere conciliar o soul funk com o trabalho da dupla. “Sou muito homem”, justifica sobre dar conta de tanto trabalho.

Acostumada a vender muitos discos, a dupla reconhece que os tempos são outros e dificilmente a marca de vendagem do novo álbum chegue perto dos discos anteriores. “O mercado encolheu muito por causa da pirataria e do mp3”, explica Junior. Mas Sandy não se preocupa, “não fazemos CDs para vender, fazemos música por prazer”.

Trechos de letrasDiscutível Perfeição

Por favor, não me idealize

Assim você tá fadado ao deslize

Verdade seja dita

Nada mais me irrita do que essa estupidez

É melhor você ter certeza

Tô longe de ser a Madre Tereza

Não pise no meu calo

Ou viro bicho e falo o que não quer ouvir

Admito, eu vivo maquiada

Minha vida é mesmo tão sofisticada

Saiba, esse glamour não dura o tempo inteiro

Eu também preciso ir ao banheiro

A princesa também sente, chora, sofre, sonha

e ouve não

Eu prefiro a verdade a essa discutível

perfeição

A princesa também briga, encrenca, berra e fala palavrão...

Nas Mãos da Sorte
O menino que vivia da esmola na esquina

Largou a escola para vender cocaína

E o outro que queria ser piloto de avião

Viaja com a pistola assaltando a condução

A menina que pensava em se

tornar professora

Continua analfabeta e virou sequestradora

A polícia matou um ladrão de bicicleta,

Aquele desnutrido que queria ser atleta

Sonhar não custa nada,

A vida também não

Qualquer um pode morrer por

um trocado qualquer

Porque o dinheiro que falta

E que sempre faltou

Tá na mão dos corruptos

Que a justiça soltou

Político ladrão é o pior dos bandidos



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Sandy e Junior: muito barulho por pouco

Ana Carolina Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

29/04/2006 | 08:47


Unhas coloridas, cabelos ruivos, maquiagem pesada e roupa preta. É assim que Sandy surge, ao lado de Junior, na coletiva de imprensa de seu mais novo disco, o 15º trabalho da carreira da dupla, realizada no começo da semana num hotel de São Paulo. Mesmo com todas as mudanças – principalmente no visual – Sandy e Junior continuam os mesmos. Ela com a imagem de “princesa encastelada” – o termo é repetido à exaustão pela própria cantora apesar de ela tanto querer dissociá-lo de seu nome. Ele, com uma vontade imensa de parecer o rebelde que não é.

O novo disco, que não tem nome e é representado por um símbolo de um homem e uma mulher (Universal Music, R$ 32 em média), é alardeado como o mais “maduro e orgânico” dos trabalhos, mas o que se ouve no álbum, composto por 12 canções, é a repetição de velhas fórmulas e pouca experimentação.

Há diferenças, é verdade. Junior ganhou mais espaço e sua participação não se limitou à segunda voz. Em três composições – Dessa Vez, O Preço e Destinos – é ele quem comanda os vocais. Junior também é o responsável por toda a bateria do trabalho. Soma-se a isso, a função de produtor do disco. “Já imaginava trabalhar nos bastidores, mas não sabia que ia rolar tão rápido. Tinha a esperança de passar por isso, mas não agora. Tive de lidar com coisas que nem imaginava. Foi muito importante para mim”.

Por outro lado, Sandy aproveita o lançamento para evidenciar seu lado compositora – escreveu sete das 11 letras do CD sob a assinatura de Sandy Leah (duas delas com trechos reproduzidos ao lado). E é por meio de uma dessas letras que ela manda um recado nada simpático para a imprensa. Em Discutível Perfeição, que tem tudo para se transformar em hit, a filha de Xororó faz um desabafo.

Só que o que era para ser uma resposta acaba dando mais margem para discussões. Na música, que deveria apagar – ou pelo menos tentar – a imagem de boazinha de Sandy, ela se auto-intitula princesa e canta versos que nada ajudam a convencer os ouvintes de uma possível mudança (“Admito, eu vivo maquiada/Minha vida é mesmo tão sofisticada/ Saiba, esse glamour não dura o tempo inteiro/ Eu também preciso ir ao banheiro”).

E a imagem de Sandy é algo que não incomoda só a garota – “essa coisa foi construída pela mídia em cima do meu passado. Poxa, eu era criança, virei adolescente e adulta, mas as pessoas continuaram com a mesma idéia”.

Junior, sempre que pode, sai em defesa da irmã para assegurar que ela é, sim, uma garota como outra qualquer e aproveita para alfinetar os críticos de alguma maneira. “O problema é que ninguém quer se atualizar. Queria que ouvissem esse CD sem lembrar que éramos aqueles que cantavam tal música. Adoro meu passado, mas passou”.

A ousadia do álbum, que segundo Junior não busca a perfeição, acabou acumulada em uma só faixa. Nas Mãos da Sorte é completamente diferente de tudo que a dupla já fez. Primeiro porque a letra tem temática social. Fala-se de violência, problemas na política nacional, miséria e pobreza, entre outras mazelas. Segundo porque participações inusitadas ocorrem na música: Milton Nascimento narra um texto escrito por Gabriel O Pensador e a faixa ainda conta com trechos em inglês contados pelo rapper Taboo, do Black Eyed Peas. Em alguns momentos, Nas Mãos da Sorte flerta com o samba. Mas as mudanças acabam aí. Até porque, mesmo com tanto alarde sobre modificações, Sandy, meio que sem perceber, afirmou que adora o novo, mas tem “medo de experimentar”.

No mais, o que a dupla propôs em Identidade, trabalho anterior lançado em outubro de 2003, parece ter continuidade neste novo disco, que pode ser adquirido em edição simples – apenas o CD – ou acompanhado de DVD, recheado com músicas do disco mixadas em cinco canais de som e um making of das gravações.

Projetos paralelos – Focada na divulgação do novo trabalho, Sandy não deve voltar tão cedo aos palcos para cantar jazz e MPB, como fez recentemente em São Paulo. Junior prefere conciliar o soul funk com o trabalho da dupla. “Sou muito homem”, justifica sobre dar conta de tanto trabalho.

Acostumada a vender muitos discos, a dupla reconhece que os tempos são outros e dificilmente a marca de vendagem do novo álbum chegue perto dos discos anteriores. “O mercado encolheu muito por causa da pirataria e do mp3”, explica Junior. Mas Sandy não se preocupa, “não fazemos CDs para vender, fazemos música por prazer”.

Trechos de letrasDiscutível Perfeição

Por favor, não me idealize

Assim você tá fadado ao deslize

Verdade seja dita

Nada mais me irrita do que essa estupidez

É melhor você ter certeza

Tô longe de ser a Madre Tereza

Não pise no meu calo

Ou viro bicho e falo o que não quer ouvir

Admito, eu vivo maquiada

Minha vida é mesmo tão sofisticada

Saiba, esse glamour não dura o tempo inteiro

Eu também preciso ir ao banheiro

A princesa também sente, chora, sofre, sonha

e ouve não

Eu prefiro a verdade a essa discutível

perfeição

A princesa também briga, encrenca, berra e fala palavrão...

Nas Mãos da Sorte
O menino que vivia da esmola na esquina

Largou a escola para vender cocaína

E o outro que queria ser piloto de avião

Viaja com a pistola assaltando a condução

A menina que pensava em se

tornar professora

Continua analfabeta e virou sequestradora

A polícia matou um ladrão de bicicleta,

Aquele desnutrido que queria ser atleta

Sonhar não custa nada,

A vida também não

Qualquer um pode morrer por

um trocado qualquer

Porque o dinheiro que falta

E que sempre faltou

Tá na mão dos corruptos

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