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A questão da alegria de fachada


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

28/11/2004 | 13:48


O título pode induzir o espectador a achar que Whisky é a saga dos associados de um clube de adoradores do malte ou de uma turma de alcoólatras. Mas o "whisky" em questão é uma expressão usada para imitar um sorriso, que fotógrafos pedem aos fotografados no momento da pose, o equivalente ao brasileiro "xis". E o filme uruguaio, da dupla Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, retrata com delicadeza exatamente a felicidade fraudada, a alegria de fachada.

É de mentirinha, por exemplo, o casamento de Jacobo (Andrés Pazos) e Marta (Mirella Pascual). Forjam uma relação por causa da visita do irmão dele, Herman (Jorge Bolani), que mora no Brasil e retorna ao Uruguai para uma cerimônia funeral. Whisky não procura causas para a fraude – Jacobo não é homossexual, por exemplo. Somente explicita os efeitos para elucidar que existe uma preocupação, um medo de frustrar expectativas.

Na verdade, Jacobo é dono de uma fábrica de meias, na qual trabalha junto à gerente Marta e outras duas funcionárias. Seu irmão é um empresário bem-sucedido no Brasil, casado e pai de duas filhas.

Whisky não almeja ser um filme conclusivo. O espectador é jogado no meio da história, supõe-se o começo daquela relação fraternal e adivinha-se o fim. Se Marta parece apaixonada por Jacobo ou mesmo pelo falso cunhado, essa conclusão é fruto da intuição de quem assiste, não um apontamento de seus diretores. Ou seja, nada é exposto como algo definitivo, nada é sugerido para ser em seguida resolvido, nem mesmo a estrutura narrativa. A felicidade de Marta e Jacobo residia no dia-a-dia, no chá que ela preparava para ele, nos ruídos do maquinário da confecção, omitidos sob o signo da rotina. Mas até isso é conclusão de quem vê, e não de quem filma.



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