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Ouro Fino carece de infraestrutura

Orlando Filho/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

22/08/2011 | 07:10


Cortado pela Rodovia Índio Tibiriçá, o bairro de Ouro Fino Paulista, em Ribeirão Pires, que faz divisa com o município de Suzano, parece ter parado no tempo. As poucas ruas que têm asfalto são localizadas próximas à rodovia. Basta se infiltrar no bairro que em poucos minutos é possível estranhar o silêncio, observar a passagem de carroças e sentir a forte neblina que, com o cair da tarde, encobre facilmente a mata situada nas estradas adjacentes, principalmente durante o inverno. Essa situação foi detectada no fim da tarde de quinta-feira, na Estrada do Soma.

A Prefeitura não informou o tamanho da área verde do bairro, mas moradores dizem que é uma das principais características do local, que possui formato de "ferradura." O número de vias sem asfalto também não foi passado pela administração.

Sentada em um isolado ponto de ônibus da via, a desempregada Antônia Suziene de Lima, 32 anos, moradora do Ouro Fino há dez anos, aguardava a chegada do filho caçula que vinha do trabalho. A casa da família é localizada à Rua Caxias do Sul, em uma das diversas vias sem pavimentação do bairro. "Quando chove vira um lamaçal. Os carros deslizam. Ainda por cima convivemos com esgoto a céu aberto. Basta qualquer chuva e não posso mandar meus filhos à escola."

O transporte coletivo é decadente, segundo Antônia. Quando a população que vive em áreas mais afastadas precisa de atendimento médico, é preciso caminhar por uma hora a distância de cerca de três quilômetros, no caso da moradora citada, até a Unidade Básica de Saúde, localizada na rodovia. Se não adiantar, a solução é buscar o já sobrecarregado Hospital São Lucas, no Centro.

Procurada, a Prefeitura não informou se há cronograma de recapeamento previsto para as ruas barreadas. A administração esclareceu apenas que, devido às chuvas no início desse ano, o local sofreu danos nas vias por conta da reconstrução de uma galeria pluvial na região de Rancho Alegre.

As obras foram finalizadas e existe planejamento para que outras galerias, nas regiões próximas ao Luzitano e à Estrada Kamoto Tadashi, passem pela mesma manutenção a fim de evitar as cheias de verão que complicam o solo das ruas.

Como opção de lazer, o bairro conta com pelo menos dois campos de futebol. Um deles fica no Centro Socisal Urbano, localizado na Estrada do Taquaral, e passou por limpeza recentemente, de acordo com a Prefeitura.

No CSU a Secretaria de Juventude, Esporte, Lazer, Cultura e Turismo oferece ginástica rítmica, ginástica para adultos, basquete, futsal de treinamento, atletismo e caminhada aos moradores.

Atropelamentos preocupam moradores

A única área comercial do bairro é situada às margens da Rodovia Índio Tibiriçá. São cerca de dois quilômetros onde há tráfego intenso de caminhões, ônibus e veículos de passeio. Ciclistas e pedestres se arriscam todos os dias para atravessar a movimentada rodovia, apesar de ter uma passarela para facilitar a travessia.

Todos os dias o frentista Aparecido Rodrigues de Paula, 49 anos, percorre dois quilômetros e meio até o posto de combustível onde trabalha, localizado na rodovia. "Vejo acidentes com frequência. Em algumas áreas falta iluminação porque os caminhões mais altos chegam a estourar a fiação. À noite é uma briga dos pedestres e ciclistas com os veículos. Já fui atropelado duas vezes", disse o frentista, que mora no bairro desde que nasceu.

O problema dos atropelamentos e acidentes ocorre somente nas imediações da rodovia, já que a outra parte do bairro é mais afastada e abriga, inclusive, sítios e chácaras que são procurados para realização de festas e eventos particulares.

A falta de segurança também preocupa os comerciantes da rodovia, que são alvo de bandidos de dia e à noite. O último assalto no posto ocorreu há duas semanas. A funcionária de uma doçaria, Rafaela Porto, 21, relata que a situação piorou por conta da distância até o Centro, que é de cerca de 20 quilômetros. "A polícia demora até meia hora para chegar. Os assaltantes têm tempo de levar tudo e ainda fugir" contou.

A Prefeitura não soube precisar o número de acidentes e atropelamentos registrados neste ano na região, mas informou que a Secretaria de Segurança Pública reforçará a segurança no local designando duas viaturas para auxiliar no monitoramento da via e também coibir criminosos.

Ciclos marcam o distrito: ouro, lenha, carvão, olarias...

Teria havido ouro em Ribeirão Pires? É provável que sim, em especial numa faixa intermediária no limite da cidade com a Zona Leste de São Paulo (Terceira Divisão, em Guaianazes), de um lado, e Mogi das Cruzes, de outro. Fala-se na exploração do ouro entre os séculos 17 e 18. Minas auríferas teriam sido localizadas em solo às margens do Rio Taiaçupeba e seus afluentes. É quando surge o povoado Ouro Fino, hoje limitado a espaço de Ribeirão Pires.

Nessa bacia hidrográfica, na década de 1960, o químico Aristoteles Bersou buscou outro tipo de ‘ouro': a água que alimentaria os tanques pioneiros da Refinaria de Petróleo União, a Recap, hoje do sistema Petrobras.

A notícia de ouro na região ofereceu como legado maior a denominação do povoado Ouro Fino, de Ribeirão Pires, cujo termo inicial não tinha o ‘Paulista'.

Ouro Fino tornou-se distrito de Ribeirão Pires em 1953, com o nome de Iupeba; e voltou a se denominar Ouro Fino, com o apêndice Paulista, em 1967 - forma de diferencia-lo do município mineiro de Ouro Fino.

Outros ciclos marcaram Ouro Fino: houve o da lenha e carvão, que vence o século 19 para começar a desaparecer na virada dos anos 1920 para 1930. É quando começa o ciclo das olarias, dos tijolinhos fortes de barro produzidos por Cosmo Rigo, Luiz Piciota, Nicola Soma, família Bertoldo e tantos mais.

A economia artesanal deixou marcas em Ouro Fino, em forma de um casario quase centenário, hoje escondido pelos loteamentos abertos nos últimos 50 anos: Chácara Rosalina, Estação Santista, Jardim Califórnia, Estância Alto da Serra, Chácara Paraíso...

Também as olarias se foram. Em 1977 conseguimos contabilizar sobre as últimas 21 do distrito de Ouro Fino. Hoje não há nenhuma. O pequeno parque industrial ensaiado foi barrado pela Lei de Proteção aos Mananciais. Também as chácaras de flores e frutas desapareceram. O distrito tornou-se dormitório em seus 32 quilômetros quadrados de extensão. Entre as referências de hoje está a adutora Rio Claro, que corta a área. A população crescente de três dezenas de loteamentos sonha com a pavimentação de ruas secundárias, mais redes de água, esgoto e linhas de transporte coletivo.

DEPOIMENTOS

"(na década de 1940) ainda havia ouro em Ouro Fino. Quem me disse isso foi um engenheiro alemão que explorou caulim de um veio em Suzano, perto de Ouro Fino. Estudos por ele realizados mostraram a existência do metal. Não valia a pena ser explorado, porque as despesas seriam sempre superiores ao valor do minério" (Valentino Redivo, o Tatu, antigo morador de Ribeirão Pires, em entrevista a nós concedida em 1977).

"Antes de 1920, esta estrada (que liga Ribeirão Pires a Suzano) era um trilho para carro de boi. Em 1920 o governo abriu a estrada" (José Maria Betega, outro morador, que ouvimos em 1977).(Ademir Medici)

 



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Ouro Fino carece de infraestrutura

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

22/08/2011 | 07:10


Cortado pela Rodovia Índio Tibiriçá, o bairro de Ouro Fino Paulista, em Ribeirão Pires, que faz divisa com o município de Suzano, parece ter parado no tempo. As poucas ruas que têm asfalto são localizadas próximas à rodovia. Basta se infiltrar no bairro que em poucos minutos é possível estranhar o silêncio, observar a passagem de carroças e sentir a forte neblina que, com o cair da tarde, encobre facilmente a mata situada nas estradas adjacentes, principalmente durante o inverno. Essa situação foi detectada no fim da tarde de quinta-feira, na Estrada do Soma.

A Prefeitura não informou o tamanho da área verde do bairro, mas moradores dizem que é uma das principais características do local, que possui formato de "ferradura." O número de vias sem asfalto também não foi passado pela administração.

Sentada em um isolado ponto de ônibus da via, a desempregada Antônia Suziene de Lima, 32 anos, moradora do Ouro Fino há dez anos, aguardava a chegada do filho caçula que vinha do trabalho. A casa da família é localizada à Rua Caxias do Sul, em uma das diversas vias sem pavimentação do bairro. "Quando chove vira um lamaçal. Os carros deslizam. Ainda por cima convivemos com esgoto a céu aberto. Basta qualquer chuva e não posso mandar meus filhos à escola."

O transporte coletivo é decadente, segundo Antônia. Quando a população que vive em áreas mais afastadas precisa de atendimento médico, é preciso caminhar por uma hora a distância de cerca de três quilômetros, no caso da moradora citada, até a Unidade Básica de Saúde, localizada na rodovia. Se não adiantar, a solução é buscar o já sobrecarregado Hospital São Lucas, no Centro.

Procurada, a Prefeitura não informou se há cronograma de recapeamento previsto para as ruas barreadas. A administração esclareceu apenas que, devido às chuvas no início desse ano, o local sofreu danos nas vias por conta da reconstrução de uma galeria pluvial na região de Rancho Alegre.

As obras foram finalizadas e existe planejamento para que outras galerias, nas regiões próximas ao Luzitano e à Estrada Kamoto Tadashi, passem pela mesma manutenção a fim de evitar as cheias de verão que complicam o solo das ruas.

Como opção de lazer, o bairro conta com pelo menos dois campos de futebol. Um deles fica no Centro Socisal Urbano, localizado na Estrada do Taquaral, e passou por limpeza recentemente, de acordo com a Prefeitura.

No CSU a Secretaria de Juventude, Esporte, Lazer, Cultura e Turismo oferece ginástica rítmica, ginástica para adultos, basquete, futsal de treinamento, atletismo e caminhada aos moradores.

Atropelamentos preocupam moradores

A única área comercial do bairro é situada às margens da Rodovia Índio Tibiriçá. São cerca de dois quilômetros onde há tráfego intenso de caminhões, ônibus e veículos de passeio. Ciclistas e pedestres se arriscam todos os dias para atravessar a movimentada rodovia, apesar de ter uma passarela para facilitar a travessia.

Todos os dias o frentista Aparecido Rodrigues de Paula, 49 anos, percorre dois quilômetros e meio até o posto de combustível onde trabalha, localizado na rodovia. "Vejo acidentes com frequência. Em algumas áreas falta iluminação porque os caminhões mais altos chegam a estourar a fiação. À noite é uma briga dos pedestres e ciclistas com os veículos. Já fui atropelado duas vezes", disse o frentista, que mora no bairro desde que nasceu.

O problema dos atropelamentos e acidentes ocorre somente nas imediações da rodovia, já que a outra parte do bairro é mais afastada e abriga, inclusive, sítios e chácaras que são procurados para realização de festas e eventos particulares.

A falta de segurança também preocupa os comerciantes da rodovia, que são alvo de bandidos de dia e à noite. O último assalto no posto ocorreu há duas semanas. A funcionária de uma doçaria, Rafaela Porto, 21, relata que a situação piorou por conta da distância até o Centro, que é de cerca de 20 quilômetros. "A polícia demora até meia hora para chegar. Os assaltantes têm tempo de levar tudo e ainda fugir" contou.

A Prefeitura não soube precisar o número de acidentes e atropelamentos registrados neste ano na região, mas informou que a Secretaria de Segurança Pública reforçará a segurança no local designando duas viaturas para auxiliar no monitoramento da via e também coibir criminosos.

Ciclos marcam o distrito: ouro, lenha, carvão, olarias...

Teria havido ouro em Ribeirão Pires? É provável que sim, em especial numa faixa intermediária no limite da cidade com a Zona Leste de São Paulo (Terceira Divisão, em Guaianazes), de um lado, e Mogi das Cruzes, de outro. Fala-se na exploração do ouro entre os séculos 17 e 18. Minas auríferas teriam sido localizadas em solo às margens do Rio Taiaçupeba e seus afluentes. É quando surge o povoado Ouro Fino, hoje limitado a espaço de Ribeirão Pires.

Nessa bacia hidrográfica, na década de 1960, o químico Aristoteles Bersou buscou outro tipo de ‘ouro': a água que alimentaria os tanques pioneiros da Refinaria de Petróleo União, a Recap, hoje do sistema Petrobras.

A notícia de ouro na região ofereceu como legado maior a denominação do povoado Ouro Fino, de Ribeirão Pires, cujo termo inicial não tinha o ‘Paulista'.

Ouro Fino tornou-se distrito de Ribeirão Pires em 1953, com o nome de Iupeba; e voltou a se denominar Ouro Fino, com o apêndice Paulista, em 1967 - forma de diferencia-lo do município mineiro de Ouro Fino.

Outros ciclos marcaram Ouro Fino: houve o da lenha e carvão, que vence o século 19 para começar a desaparecer na virada dos anos 1920 para 1930. É quando começa o ciclo das olarias, dos tijolinhos fortes de barro produzidos por Cosmo Rigo, Luiz Piciota, Nicola Soma, família Bertoldo e tantos mais.

A economia artesanal deixou marcas em Ouro Fino, em forma de um casario quase centenário, hoje escondido pelos loteamentos abertos nos últimos 50 anos: Chácara Rosalina, Estação Santista, Jardim Califórnia, Estância Alto da Serra, Chácara Paraíso...

Também as olarias se foram. Em 1977 conseguimos contabilizar sobre as últimas 21 do distrito de Ouro Fino. Hoje não há nenhuma. O pequeno parque industrial ensaiado foi barrado pela Lei de Proteção aos Mananciais. Também as chácaras de flores e frutas desapareceram. O distrito tornou-se dormitório em seus 32 quilômetros quadrados de extensão. Entre as referências de hoje está a adutora Rio Claro, que corta a área. A população crescente de três dezenas de loteamentos sonha com a pavimentação de ruas secundárias, mais redes de água, esgoto e linhas de transporte coletivo.

DEPOIMENTOS

"(na década de 1940) ainda havia ouro em Ouro Fino. Quem me disse isso foi um engenheiro alemão que explorou caulim de um veio em Suzano, perto de Ouro Fino. Estudos por ele realizados mostraram a existência do metal. Não valia a pena ser explorado, porque as despesas seriam sempre superiores ao valor do minério" (Valentino Redivo, o Tatu, antigo morador de Ribeirão Pires, em entrevista a nós concedida em 1977).

"Antes de 1920, esta estrada (que liga Ribeirão Pires a Suzano) era um trilho para carro de boi. Em 1920 o governo abriu a estrada" (José Maria Betega, outro morador, que ouvimos em 1977).(Ademir Medici)

 

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