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Dois filmes em cartaz retratam a virada do milênio


Patrícia Vilani
Da Redaçao

03/09/2000 | 17:14


Estao cartaz desde sexta-feira, em Sao Paulo, Vida Sobre a Terra (Life on Earth, Mauritânia/França, 1998), de Abderrahmane Sissako, e O Livro da Vida (The Book of Life, EUA/França, 1998), de Hal Hartley, duas produçoes independentes que abordam o mesmo tema: a virada do milênio. Convém lembrar que, de acordo com os dois cineastas, a transiçao do segundo para o terceiro milênio se deu de 1999 para 2000, e nao de 2000 para 2001, como é o correto.

Embora em contextos muito diferentes, as fitas pertencem à série 2000 Visto Por... e, portanto, apresentam algumas semelhanças. Duram, por exemplo, pouco mais de 60 minutos cada e as tramas se passam entre os dias 31 de dezembro de 1999 e 1º de janeiro deste ano. Também foram filmadas no mesmo ano e chegaram para o público paulistano com um considerável atraso.

Vida Sobre a Terra é uma produçao no mínimo curiosa. O diretor de Outubro, ao ser convidado pelos organizadores do projeto, decidiu fazer uma história sem roteiro, sobre sua própria vida, para se aproximar ao máximo da verdade.

A situaçao semidocumental se passa em Sokolo, uma pequena vila em Mali, para onde Sissako retorna com o objetivo de rever o pai. Ele é um cineasta da Mauritânia radicado na França, que decide viajar após escrever uma carta. Sua vontade, no lugarejo, é filmar a falta de perspectiva dos moradores diante da chegada de um novo ano.

Durante sua odisséia, ele conhece Nana, uma jovem que está de passagem por Sokolo. Em seguida, surgem personagens reais e humildes, como o funcionário do correio, onde está localizado o único telefone da vila; o fotógrafo que trabalha com uma máquina antigüíssima; e o barbeiro, que exerce sua funçao enquanto observa as pessoas.

A abordagem é sutil, às vezes engraçada, às vezes cansativa, pois se desenrola de forma muito lenta. É o preço pago pelo estilo, uma busca da realidade. Mas é uma visao sincera do continente africano, que bate de frente com as maravilhas tecnológicas do mundo moderno. Esse choque, por exemplo, é bem expressado por meio das citaçoes a Aimé Césaire, especificamente dirigidas ao público ocidental.

Apocalipse - Em O Livro da Vida, Jesus (Martin Donovan) desembarca em Nova York ao lado de sua assistente, Madalena (Polly Jean Harvey), no último dia do ano de 1999. Seu objetivo é abrir os selos do livro da vida e, com isso, provocar o Apocalipse. Mas ele está disposto a quebrar as regras de seu pai para salvar a humanidade.

Numa história paralela, o Diabo (Thomas Jay Ryan) tenta comprar suas últimas almas na Terra em um boteco decadente. Nele, encontra um homem fracassado (Dave Simons) e sua namorada (Mho Nikaido), uma garçonete extremamente bondosa.

Com imagens rápidas, filmadas em vídeo digital e ampliadas para 35 mm, a sensaçao é de movimento constante, como se a câmera estivesse andando com o personagem. O recurso nao é gratuito, já que Hartley tenta combinar a modernidade do mundo atual com a tradiçao clássica dessa passagem bíblica. O livro da vida, no caso, é um notebook. O resultado é satisfatório, inovador, embora um pouco confuso.



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Dois filmes em cartaz retratam a virada do milênio

Patrícia Vilani
Da Redaçao

03/09/2000 | 17:14


Estao cartaz desde sexta-feira, em Sao Paulo, Vida Sobre a Terra (Life on Earth, Mauritânia/França, 1998), de Abderrahmane Sissako, e O Livro da Vida (The Book of Life, EUA/França, 1998), de Hal Hartley, duas produçoes independentes que abordam o mesmo tema: a virada do milênio. Convém lembrar que, de acordo com os dois cineastas, a transiçao do segundo para o terceiro milênio se deu de 1999 para 2000, e nao de 2000 para 2001, como é o correto.

Embora em contextos muito diferentes, as fitas pertencem à série 2000 Visto Por... e, portanto, apresentam algumas semelhanças. Duram, por exemplo, pouco mais de 60 minutos cada e as tramas se passam entre os dias 31 de dezembro de 1999 e 1º de janeiro deste ano. Também foram filmadas no mesmo ano e chegaram para o público paulistano com um considerável atraso.

Vida Sobre a Terra é uma produçao no mínimo curiosa. O diretor de Outubro, ao ser convidado pelos organizadores do projeto, decidiu fazer uma história sem roteiro, sobre sua própria vida, para se aproximar ao máximo da verdade.

A situaçao semidocumental se passa em Sokolo, uma pequena vila em Mali, para onde Sissako retorna com o objetivo de rever o pai. Ele é um cineasta da Mauritânia radicado na França, que decide viajar após escrever uma carta. Sua vontade, no lugarejo, é filmar a falta de perspectiva dos moradores diante da chegada de um novo ano.

Durante sua odisséia, ele conhece Nana, uma jovem que está de passagem por Sokolo. Em seguida, surgem personagens reais e humildes, como o funcionário do correio, onde está localizado o único telefone da vila; o fotógrafo que trabalha com uma máquina antigüíssima; e o barbeiro, que exerce sua funçao enquanto observa as pessoas.

A abordagem é sutil, às vezes engraçada, às vezes cansativa, pois se desenrola de forma muito lenta. É o preço pago pelo estilo, uma busca da realidade. Mas é uma visao sincera do continente africano, que bate de frente com as maravilhas tecnológicas do mundo moderno. Esse choque, por exemplo, é bem expressado por meio das citaçoes a Aimé Césaire, especificamente dirigidas ao público ocidental.

Apocalipse - Em O Livro da Vida, Jesus (Martin Donovan) desembarca em Nova York ao lado de sua assistente, Madalena (Polly Jean Harvey), no último dia do ano de 1999. Seu objetivo é abrir os selos do livro da vida e, com isso, provocar o Apocalipse. Mas ele está disposto a quebrar as regras de seu pai para salvar a humanidade.

Numa história paralela, o Diabo (Thomas Jay Ryan) tenta comprar suas últimas almas na Terra em um boteco decadente. Nele, encontra um homem fracassado (Dave Simons) e sua namorada (Mho Nikaido), uma garçonete extremamente bondosa.

Com imagens rápidas, filmadas em vídeo digital e ampliadas para 35 mm, a sensaçao é de movimento constante, como se a câmera estivesse andando com o personagem. O recurso nao é gratuito, já que Hartley tenta combinar a modernidade do mundo atual com a tradiçao clássica dessa passagem bíblica. O livro da vida, no caso, é um notebook. O resultado é satisfatório, inovador, embora um pouco confuso.

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