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Ex-rei afegão ainda guarda tesouros de sua gestão


Das Agências

10/12/2001 | 12:25


Em uma garagem em meio às ruínas de Kabul, marcada pelo impacto de balas e mísseis, se esconde um tesouro que o idoso rei Mohamed Zahir Sha encontrará 25 anos depois de partir para o exílio, em Roma.

Nessas dependências do palácio presidencial, outrora real, se encontram intactos alguns de seus carros, entre eles sua limusine oficial, milagrosamente bem cuidada, à espera da volta do monarca.

No fundo dessa garagem esquecida pela maioria dos habitantes da capital, além do magnífico Cadillac real, quase intacto, estão vários veículos que conseguiram sobreviver às convulsões da história recente do Afeganistão, da monarquia ao talibãs, passando pelos comunistas.

Em um canto, cujo acesso está protegido por correntes, soldados da Aliança do Norte, visivelmente fascinados, observam a limusine negra com aerofólios metálicos. Sob a poeira que o cobre, a marca "Cadillac Fleetwood" ainda é visível. Os pneus estão em bom estado e o motor não foi roubado.

Hazrat Wali, que cuida da garagem há 23 anos, explica: "Esse era o carro oficial do rei Zahir (...) O rei transportava seus convidados oficiais nele. Ainda tem a bandeira oficial e serviu ao príncipe Daud, seu primo, que o derrubou em 1973 para estabelecer a República".

Ao lado do Cadillac, outros dois carros se destacam. O primeiro é o da marca "Allis Chalmer", que, segundo Hazrat Wali, Zahir Sha usava para caçar. O segundo é um Ford azul escuro, tipo "Ford T", do princípio do século.

"Pertenceu ao Amanulá (o rei destronado em 1929, que fugiu para Kandahar, ao Sul, a bordo de seu Rolls Royce oficial para escapar de uma revolta islâmica em Kabul, a capital), foi o primeiro carro do Afeganistão. Há alguns anos os talibãs o levaram para a fronteira paquistanesa, escondido em um caminhão, para tentar vendê-lo por 120 mil rupias (US$ 2 mil), mas os guardas de fronteira talilbãs o interceptaram e o trouxeram para cá", explica o zelador da garagem.

No pátio, em meio a ônibus crivados de balas, vários outros carros jazem ao sol, como um Chevrolet verde que pertenceu a Parasto e Rahim Mehryar, um casal de cantores muito populares, que foram para o exílio em 1989, depois do fim da invasão soviética.

Hazrat Wali, no entanto, só tem olhos para sua jóia, a limusine real. "Se o rei voltar, vai encontrá-la. Por ele, estou disposto a restaurá-la", afirmou.



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Ex-rei afegão ainda guarda tesouros de sua gestão

Das Agências

10/12/2001 | 12:25


Em uma garagem em meio às ruínas de Kabul, marcada pelo impacto de balas e mísseis, se esconde um tesouro que o idoso rei Mohamed Zahir Sha encontrará 25 anos depois de partir para o exílio, em Roma.

Nessas dependências do palácio presidencial, outrora real, se encontram intactos alguns de seus carros, entre eles sua limusine oficial, milagrosamente bem cuidada, à espera da volta do monarca.

No fundo dessa garagem esquecida pela maioria dos habitantes da capital, além do magnífico Cadillac real, quase intacto, estão vários veículos que conseguiram sobreviver às convulsões da história recente do Afeganistão, da monarquia ao talibãs, passando pelos comunistas.

Em um canto, cujo acesso está protegido por correntes, soldados da Aliança do Norte, visivelmente fascinados, observam a limusine negra com aerofólios metálicos. Sob a poeira que o cobre, a marca "Cadillac Fleetwood" ainda é visível. Os pneus estão em bom estado e o motor não foi roubado.

Hazrat Wali, que cuida da garagem há 23 anos, explica: "Esse era o carro oficial do rei Zahir (...) O rei transportava seus convidados oficiais nele. Ainda tem a bandeira oficial e serviu ao príncipe Daud, seu primo, que o derrubou em 1973 para estabelecer a República".

Ao lado do Cadillac, outros dois carros se destacam. O primeiro é o da marca "Allis Chalmer", que, segundo Hazrat Wali, Zahir Sha usava para caçar. O segundo é um Ford azul escuro, tipo "Ford T", do princípio do século.

"Pertenceu ao Amanulá (o rei destronado em 1929, que fugiu para Kandahar, ao Sul, a bordo de seu Rolls Royce oficial para escapar de uma revolta islâmica em Kabul, a capital), foi o primeiro carro do Afeganistão. Há alguns anos os talibãs o levaram para a fronteira paquistanesa, escondido em um caminhão, para tentar vendê-lo por 120 mil rupias (US$ 2 mil), mas os guardas de fronteira talilbãs o interceptaram e o trouxeram para cá", explica o zelador da garagem.

No pátio, em meio a ônibus crivados de balas, vários outros carros jazem ao sol, como um Chevrolet verde que pertenceu a Parasto e Rahim Mehryar, um casal de cantores muito populares, que foram para o exílio em 1989, depois do fim da invasão soviética.

Hazrat Wali, no entanto, só tem olhos para sua jóia, a limusine real. "Se o rei voltar, vai encontrá-la. Por ele, estou disposto a restaurá-la", afirmou.

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