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FUABC contrata Klinger
por R$ 25 mil ao mês

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Para virar universidade, instituição admite
ex-secretário para fazer lobby em Brasília


Raphael Rocha

18/08/2013 | 07:00


Desde janeiro de 2012, a FUABC (Fundação do ABC) – mantida pelas prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano – paga ao mês R$ 25 mil à KLL Consultoria e Avaliação Educacional Ltda, empresa de Klinger Luiz de Oliveira Sousa (PT), para desenvolver projeto de transição da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC, mantida pela fundação) de instituto de Ensino Superior para centro universitário.

Admitida num processo que tinha apenas mais um concorrente, a empresa iniciou atuação junto à entidade logo depois da posse de Maurício Mindrisz (PT), que foi companheiro de Klinger no primeiro escalão do governo de Celso Daniel (PT, morto em 2002) em Santo André. O processo foi um dos primeiros passos para o início do aparelhamento petista na organização que tem orçamento de R$ 1,1 bilhão. E o contrato se encerra em dezembro, justamente no fim do mandato de Mindrisz na FUABC.


Com valor global de R$ 600 mil pelos dois anos de vigência, o acordo permite a Klinger intensificar lobby em Brasília junto a ex-companheiros de governo de Santo André, como os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Miriam Belchior (Planejamento e Orçamento). O contrato auxilia Klinger a circular pelos corredores de Brasília ao sequer prever metas de resultados da KLL.

A equipe do Diário conversou com alguns professores da FMABC, que dizem nunca ter visto Klinger pela instituição. O gestor da Faculdade de Medicina, Adilson Casemiro Pires, admite que um dos fatores para contratação de Klinger foi a facilidade de trânsito do petista no Palácio do Planalto, sobretudo no MEC (Ministério da Educação).
Embora seja voltado para a FMABC, o convênio foi acertado por Mindrisz, alçado à presidência da FUABC com a bênção do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, coordenador regional do PT.

O termo é tratado a sete chaves na fundação. A KLL emite mensalmente nota de R$ 25 mil pelo serviço e recebe em cheque nominal. No site da entidade não há nenhuma referência ao contrato ou ao processo de mudança de caráter educativo pela qual a empresa de Klinger foi admitida. A página da KLL também não cita a organização como parceira.

A explicação da contratação da empresa de Klinger também tem pontos divergentes entre Mindrisz e Adilson Casemiro Pires. Mindrisz diz que todo processo foi tratado quase que exclusivamente na Faculdade de Medicina – inclusive no acerto dos valores –, sendo a FUABC responsável apenas por ratificar o acordo. Já Pires garante que a FMABC não possui recurso para movimentar os R$ 25 mil por mês para contar com os préstimos da KLL.

“O contrato só passou pela minha mão. Quem toca é o dr. Adilson”, afiança Mindrisz. “Há quatro anos a faculdade passou por intervenção. Estamos recuperando as finanças e não temos recurso para fazer esse tipo de contrato. Isso tudo é com a fundação”, rebate Pires, que argumenta não lembrar o nome da outra concorrente para executar o serviço.

Ambos negam critério político na admissão da consultoria de Klinger. “Muitos dos professores da congregação (o conselho que dita os passos da FMABC) são de São Paulo, não conhecem o passado político dele”, justifica o gestor da Faculdade de Medicina.

Mas Pires revela que a contratação da KLL gerou desconforto nos curadores residentes no Grande ABC. Ele afirma que, em janeiro de 2012, “houve muito questionamento e discussão” entre professores.

Klinger não retornou os contatos da equipe do Diário. Na gestão de Celso Daniel, Mindrisz foi superintendente do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), enquanto Klinger tinha status de supersecretário no comando da robusta Pasta de Serviços Municipais (equivalente à Obras).

APARELHAMENTO
A FUABC se transformou numa extensão do gabinete de Marinho, que articulou desde 2009 para colocar um petista no comando da entidade. A costura foi efetivada em janeiro de 2012, com Mindrisz.

Além do ex-secretário de Celso, a entidade tem como forte dirigente Adriana Helena de Almeida, filha do ex-prefeito de São Bernardo Maurício Soares (PT).
 



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