Diarinho Titulo
Dupla arrebenta no rap
Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC
13/02/2011 | 07:00
Compartilhar notícia
Divulgação


Cauan Sommerfeld Minarini, 7 anos, de Mauá, era pequeno quando o homem que anunciava os preços de uma loja no microfone perguntou: "Quer falar alguma coisa?" Rapidinho, respondeu: "Quero cantar". Não deu outra, muita gente parou para assisti-lo e o aplaudiu no fim da miniapresentação.

No entanto, o gosto pela música surgiu muito antes, segundo o menino. Não tinha nem nascido quando começou a escutar rap na barriga da mãe. O pai, que curte o som e faz parte do grupo Vigilantes MCs, colocava o foninho do discman (parente do MP3) para ele ouvir.

Agora, o garoto atende pelo nome de MC Cauan e manda bem nas rimas. Mas como todo rapper bom precisa de um super DJ, Cauan ganhou parceiro: Matheus Inocêncio da Silva, 7, de Santo André. "Meu sonho é ser artista. Precisa ter talento, dedicação e respeitar o próximo", diz DJ Matheus, que aprendeu a tocar com o pai, DJ do grupo Realidade Cruel.

No segundo semestre, está previsto o lançamento do primeiro CD da dupla. O álbum terá a participação dos repentistas Caju & Castanha, do cantor D'Black e dos rappers Dexter e Ndee Naldinho. "As músicas são animadas. Tem uma do meu cachorro, o Tribufu", conta MC Cauan.

Enquanto isso, os meninos fazem apresentações. No dia 27, às 15h, estarão no evento do grupo Conexão Leste ABC (Rua Suíça, 925, tel.: 9332-1850), em Santo André. Um mês depois, em 27 de março, às 15h, participam do show Dexter e Convidados (Rua São Marcos, 183), em Diadema. O ingresso dos shows custa R$ 10 cada.

- MC Cauan e DJ Matheus já têm clipe gravado e se preparam para o segundo. Confira o vídeo da música Aperta o Play no Blog do Diarinho (www. blogdiarinho.blogspot.com)

 

B-boy precisa de molejo e força para arrasar na pista

Ao mexer o esqueleto, Andrew Batista Campos, 7 anos, deixa muita gente de boca aberta. É que o garoto arrebenta como b-boy - o dançarino na cultura hip-hop. "Aprendi vendo os outros", conta o menino, filho de Nelson Triunfo, um dos principais incentivadores do movimento no Brasil.

Para ser bom, no entanto, é preciso muito treino, segundo Andrinho, como é conhecido. "É um pouquinho difícil. Os passos mais complicados são o pulo mortal e o giro de cabeça (aquele em que o dançarino fica rodando com a cuca no chão de ponta-cabeça)."

A dança exige molejo, agilidade e força, que são avaliados em diversas competições de b-boys. No ano passado, o brasileiro Neguin venceu um dos concursos internacionais mais importantes, no Japão. Andrinho ainda não participou de nenhum porque é muito novo, porém já se apresentou em diversas cidades brasileiras. "Adoro dançar. É legal. Quando crescer, vou ser biólogo e b-boy."

A dica para quem tem vontade de dançar como Andrinho é tentar imitar os movimentos básicos dos b-boys. Na internet há vídeos legais. Mas não tente fazer manobras arriscadas, porque pode se machucar.

Quem tem a partir de 12 anos pode fazer cursos gratuitos de dança de rua oferecidos na região. Em Santo André, as inscrições ocorrem entre os dias 10 e 17 de março (informações: 4433-0609). Em Diadema, o período para matrícula vai de 15 a 28 deste mês (informações: 4072-9314).

 

Mistureba de artes

A cultura hip hop é formada por várias expressões artísticas: rap (música), break (dança) e grafite (artes plásticas). Surgiu entre os anos 1960 e 1970, em Nova York, nos Estados Unidos, incentivado por Afrika Bambaataa. No começo, era um movimento formado apenas por negros, imigrantes latinos e jamaicanos com a ideia de oferecer lazer para a população mais pobre e afastá-la da violência.

Os artistas passaram a usar o hip hop para falar principalmente sobre problemas que enfrentam e defender seus direitos. Em pouco tempo, a cultura conquistou pessoas de todos os continentes. Ganhou es.paço até nas escolas, onde ajuda a atrair a atenção e a presença dos alunos. Atualmente, também influencia o cinema, a literatura e a moda.

 

A dica para conhecer a cultura hip hop de pertinho é conferir a festa organizada mensalmente pela Casa do Hip Hop (Rua 24 de Maio, 38, tel.: 4075-3792), em Diadema. A próxima  contece no dia 26, a partir das 15h, e reúne rap, street dance e grafite. Saiba mais no www.acasadohiphop.blogspot.com




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Mais Lidas

;