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Logística joga a favor do combate ao coronavírus em Santo André

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Pacientes infectados são transferidos entre dois hospitais de campanha e CHM para garantir atendimento e conforto


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

06/02/2021 | 00:01


Montado em abril de 2020 para diminuir a pressão da Covid no sistema de saúde, o hospital de campanha do Complexo Esportivo Pedro Dell’Antonia, em Santo André, funciona como uma espécie de porta de entrada para os munícipes infectados pelo novo coronavírus. Para que não haja superlotação, a Prefeitura adota logística de transferência para outros dois pontos de apoio ao combate na cidade, o hospital de campanha da UFABC (Universidade Federal do ABC) e o CHM (Centro Hospitalar Municipal).

Os pacientes que apresentam agravamento do caso, por exemplo, normalmente são transferidos para o CHM, já aqueles que evoluem rapidamente com o tratamento e apresentam melhora acabam levados para a estrutura de retaguarda na UFABC. Isso acontece porque, por mais que o Dell’Antonia tenha estrutura adequada para atender pacientes em estados mais severos, a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do CHM é saída de mais conforto, até porque, o hospital é, por si só, preparado para todos os tipos de intervenções.

Todos os dias o médico e coordenador do hospital de campanha José Roberto Dente passa visitando todos os leitos e analisando, quadro a quadro, ao lado de responsáveis técnicos e enfermeiros. Se a pessoa melhorou, mas ainda precisa de cuidados, é encaminhada para UFABC, onde há menos ocupação. Há também aqueles que são agraciados com a alta médica. Mas logo que o paciente demonstra que sua saúde caminha para piora, os profissionais do hospital de campanha entram em contato com o CHM solicitando deslocamento e, se houver vaga, o trâmite é o mais rápido possível.

Coordenador médico do NIR (Núcleo Interno de Regulação), Jimmy Teixeira Achá contou que, primeiro, o paciente é estabilizado no hospital de campanha, já que existe estrutura de UTI, inclusive com respiradores. “Se preciso, solicitamos a transferência. Normalmente é feita sempre rápida. É o tempo de a ficha bater no NIR do CHM, eles aceitarem o caso, chamar o Samu e o paciente ser transferido”, contou.

Jimmy afirmou que busca fazer todos os procedimentos do Dell’Antonia, mas com a alta taxa de internação e poucas unidades de UTI disponíveis – são 30 no total – acaba optando por transferir os pacientes que estão mais sensíveis ao vírus.

Médico responsável pela área no CHM, Getúlio Nardelli Neto explicou que, com 48 leitos de UTI disponíveis para pessoas contaminas pelo coronavírus – mais 20 estão sendo preparados –, o hospital consegue alocar número maior de pacientes que já estão com quadros severos. “Quando recebemos uma ficha de uma pessoa que está evoluindo de maneira desfavorável, buscamos viabilizar o processo de transferência o mais rápido possível”, afirmou.

No CHM, os quartos são separados e os pacientes ficam, de fato, isolados uns dos outros e, inclusive, da área de equipe médica, que entra no quarto para intervenções, mas observa os pacientes a todo momento através de vidro e também de painel de controle de frequências cardíacas e pressão, que fica exposto.
Por outro lado, a entrada no hospital de campanha também é feita por esse processo de transferência por meio das unidades de saúde. “O paciente que apresenta síndrome gripal chega até aqui por transferência, só que de um pronto atendimento para cá. Nesse primeiro momento, todos os pacientes vêm para o Pedro Dell’Antonia, porque é aqui que fazemos a admissão, swab (exame por cotonete) e a tomografia. Depois disso decidimos se a pessoa ficará aqui ou se irá para a UFABC ou CHM”, explicou Jimmy.

Mas nem todos os pacientes necessitam de internação. Há ainda aqueles que são contaminados de maneira leve e, portanto, conseguem fazer o tratamento em casa, isolados, e os que nem comprovam a contaminação. “Tem também os pacientes que são suspeita de síndrome gripal e, ao chegarem aqui, após o exame de detecção, retornam para UPA (Unidade de Pronto Atendimento) com negativo”, concluiu.

MELHORANDO
Na terça-feira, no capítulo 2 da série Um Dia de Cada Vez – Por Dentro de um Hospital de Campanha mostrou a história da jovem Michele Batista da Costa, 23 anos, que assumiu ter negligenciado os cuidados sanitários contra a pandemia e, internada, estava com medo de morrer. A jovem, que melhorou o quadro respiratório, foi transferida para a unidade da UFABC. Mais confiante, a menina conta que está se sentindo melhor e que o medo de morrer “passou”. “Pensei que não ia conseguir (melhorar), mas fui muito bem tratada. Com certeza (depois da alta) vou tomar todos os cuidados possíveis, porque é uma doença terrível”, afirmou Michele. 

Adrenalina e cuidados marcam as locomoções dos paciente

A transferência de paciente em estado grave gera muita tensão. A equipe de reportagem do Diário acompanhou o deslocamento de Luiz Guilherme de Souza, 71 anos, do Dell’Antonia ao CHM (Centro Hospitalar Municipal). O paciente apresentou piora do estado de saúde de forma rápida e severa. Debilitado e com falta de ar, o senhor optou por não dar entrevista.

Minutos depois da solicitação de transferência já se ouve a ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Os socorristas entram na quadra, onde estão os leitos, sempre correndo. Paramentados e cuidadosos, levam consigo uma maca e a vontade de salvar mais uma vida.

Médico socorrista do Samu, Marcos de Figueiredo Cardoso explica que o planejamento de transporte começa a ser feito assim que eles recebem o chamado do hospital com as primeiras informações. “Quando chegamos no leito, primeiro analisamos se o paciente tem condições para realizar o transporte ou se precisa que seja feito algum outro procedimento para que essa pessoa possa ser levada de forma segura”, afirmou.

Assistir a uma transferência até para os socorristas acaba sendo triste. O paciente, normalmente, está com dificuldade de locomoção, respiração e esses profissionais precisam pensar em cada detalhe para tirar a pessoa do leito e colocar na maca, usando um lençol, de forma que não seja mais desconfortável do que já se sentem.

Os profissionais também têm de se cuidar para evitar a contaminação. Eles usam dois pares de luvas, avental impermeável, touca, face shield e máscara N99 (apropriada para médicos em enfermeiros porque garante mais proteção). Além disso, a cada transporte precisam higienizar todos os espaços da ambulância.
“Desde que ingressei no Samu (em 2017) não me recordo de desafio tão enorme como este que estamos vivendo nos últimos meses. Transportar um paciente com Covid-19 ou suspeita é totalmente diferente de transportar um paciente de outras patologias”, pontua o médico intervencionista do Samu Rodrigo Bonachi, revelando que a cada fim de transporte, além da ambulância, todos os profissionais passam por higienização.

Os trabalhadores aproveitam para alertar a população de que o momento é “de ficar em casa”. “É importante mostrar o tamanho do trabalho feito por toda essa equipe para que a população tenha dimensão dos risco. Precisam parar de encher bares, casas noturnas e sair, porque a doença é séria”, concluiu Marcos.



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