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Ampliação do polo está longe de se efetivar

A Braskem, que comprou várias fábricas situadas no local,
ainda aguarda autorização para integração das operações


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

19/04/2010 | 07:09


Aguardada ao longo da década por representantes do poder público, de empresas e de trabalhadores da região, a duplicação do Polo Petroquímico do Grande ABC - que na visão de especialistas seria vital para o futuro do segmento na região - deverá demorar para ser concretizada.

A companhia Braskem, que acertou a aquisição do grupo Quattor (dono de várias fábricas situadas no polo) em janeiro por R$ 870 milhões, não se pronuncia sobre o tema. O argumento é de que a gestão da petroquímica da região ainda não está em suas mãos.

Isso porque, entre outros fatores, a conclusão da compra depende de autorização do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que ainda não deu sinal verde para a integração das operações.

No entanto, analistas consideram remota a possibilidade de que, no curto prazo, saia decisão de ampliar, de forma significativa, a capacidade produtiva da empresa na região.

O entendimento é de que nova expansão no empreendimento - para elevar a produção de eteno (produto petroquímico básico) para 1,4 milhão de toneladas anuais - daria melhores condições de competitividade em relação aos grandes polos de Camaçari (BA) e Triunfo (RS), ao propiciar mais ganhos de escala (o aumento da fabricação geraria menor custo unitário dos itens produzidos).

O professor de Engenharia Química Jorge Rosa, que já foi gerente de projetos da antiga Petroquímica União (que em 2008 se tornou divisão de negócios da Quattor), lembra que agora o Grande ABC não compete mais com esses outros locais, já que a Braskem também é controladora dos polos da Bahia e do Rio Grande do Sul.

Recentemente a direção do grupo, que pertence à Odebrecht (em sociedade com a Petrobras), anunciou que vai participar do megaprojeto de construção do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), empreeendimento que deverá ocupar 45 milhões de m² e que terá capacidade de 1,3 milhão de toneladas anuais de eteno, entre outros produtos. "Com o Comperj, nos próximos anos, não haverá espaço para duplicação da central da região, o mercado vai estar abastecido", prevê Rosa.

REGIÃO
"O polo vai ficar estagnado (sem a nova expansão)", avalia o presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Paulo Lage, que reclama ainda da falta de interesse das entidades da região em debater essa questão e o tema do monopólio da Braskem na produção de resinas termoplásticas (matéria-prima para fabricação de peças e embalagens plásticas).

O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, por exemplo, desativou seu GT (Grupo de Trabalho) do setor petroquímico, que participou, há alguns anos, da luta pela redução de tributos estaduais para a atividade.

O sindicalista cita que o polo é grande gerador de receita para o setor público - responde por mais de 30% da arrecadação do ICMS de Mauá -, enquanto as pequenas empresas do segmento plástico são grandes empregadores. A região reúne cerca de 400 fabricantes, que geram mais de 12 mil postos de trabalho.


Região tem vantagens competitivas, afirma especialista no setor

Apesar de haver entraves, a região também tem vantagens que podem pesar favoravelmente para a decisão da Braskem de duplicar o polo no futuro. Essa é a avaliação da diretora da consultoria Maxiquim, Solange Stumpf.

Para ela, um dos pontos positivos é o fato de a companhia ter começado a diversificar a matéria-prima. O último plano de expansão (iniciado em 2005 e que está prestes a ser concluído) conta com gás residual de refinaria (que sobra no processo produtivo da Petrobras) em substituição à nafta - insumo derivado do petróleo e que mostra trajetória ascendente de preços.

O projeto atual fará com que a empresa passe de 500 mil toneladas anuais de etileno para 700 mil, ainda bem menos do que a capacidade das outras centrais petroquímicas brasileiras.



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Ampliação do polo está longe de se efetivar

A Braskem, que comprou várias fábricas situadas no local,
ainda aguarda autorização para integração das operações

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

19/04/2010 | 07:09


Aguardada ao longo da década por representantes do poder público, de empresas e de trabalhadores da região, a duplicação do Polo Petroquímico do Grande ABC - que na visão de especialistas seria vital para o futuro do segmento na região - deverá demorar para ser concretizada.

A companhia Braskem, que acertou a aquisição do grupo Quattor (dono de várias fábricas situadas no polo) em janeiro por R$ 870 milhões, não se pronuncia sobre o tema. O argumento é de que a gestão da petroquímica da região ainda não está em suas mãos.

Isso porque, entre outros fatores, a conclusão da compra depende de autorização do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que ainda não deu sinal verde para a integração das operações.

No entanto, analistas consideram remota a possibilidade de que, no curto prazo, saia decisão de ampliar, de forma significativa, a capacidade produtiva da empresa na região.

O entendimento é de que nova expansão no empreendimento - para elevar a produção de eteno (produto petroquímico básico) para 1,4 milhão de toneladas anuais - daria melhores condições de competitividade em relação aos grandes polos de Camaçari (BA) e Triunfo (RS), ao propiciar mais ganhos de escala (o aumento da fabricação geraria menor custo unitário dos itens produzidos).

O professor de Engenharia Química Jorge Rosa, que já foi gerente de projetos da antiga Petroquímica União (que em 2008 se tornou divisão de negócios da Quattor), lembra que agora o Grande ABC não compete mais com esses outros locais, já que a Braskem também é controladora dos polos da Bahia e do Rio Grande do Sul.

Recentemente a direção do grupo, que pertence à Odebrecht (em sociedade com a Petrobras), anunciou que vai participar do megaprojeto de construção do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), empreeendimento que deverá ocupar 45 milhões de m² e que terá capacidade de 1,3 milhão de toneladas anuais de eteno, entre outros produtos. "Com o Comperj, nos próximos anos, não haverá espaço para duplicação da central da região, o mercado vai estar abastecido", prevê Rosa.

REGIÃO
"O polo vai ficar estagnado (sem a nova expansão)", avalia o presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Paulo Lage, que reclama ainda da falta de interesse das entidades da região em debater essa questão e o tema do monopólio da Braskem na produção de resinas termoplásticas (matéria-prima para fabricação de peças e embalagens plásticas).

O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, por exemplo, desativou seu GT (Grupo de Trabalho) do setor petroquímico, que participou, há alguns anos, da luta pela redução de tributos estaduais para a atividade.

O sindicalista cita que o polo é grande gerador de receita para o setor público - responde por mais de 30% da arrecadação do ICMS de Mauá -, enquanto as pequenas empresas do segmento plástico são grandes empregadores. A região reúne cerca de 400 fabricantes, que geram mais de 12 mil postos de trabalho.


Região tem vantagens competitivas, afirma especialista no setor

Apesar de haver entraves, a região também tem vantagens que podem pesar favoravelmente para a decisão da Braskem de duplicar o polo no futuro. Essa é a avaliação da diretora da consultoria Maxiquim, Solange Stumpf.

Para ela, um dos pontos positivos é o fato de a companhia ter começado a diversificar a matéria-prima. O último plano de expansão (iniciado em 2005 e que está prestes a ser concluído) conta com gás residual de refinaria (que sobra no processo produtivo da Petrobras) em substituição à nafta - insumo derivado do petróleo e que mostra trajetória ascendente de preços.

O projeto atual fará com que a empresa passe de 500 mil toneladas anuais de etileno para 700 mil, ainda bem menos do que a capacidade das outras centrais petroquímicas brasileiras.

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