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Tom Zé em retrospectiva essencial

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Nelson Albuquerque

19/04/2010 | 07:11


Por pouco, a carreira de Tom Zé não ficou resumida a um pequeno verbete nas enciclopédias da música brasileira. Depois de um começo promissor, com espetáculos ao lado de Gil, Caetano, Gal e Bethânia, inclusive com o start para o movimento tropicalista, Tom Zé lançou álbuns individuais que tiveram baixa aceitação. Entrou em coma, artisticamente falando.

Nem poderia imaginar que, aos 73 anos, teria a chance de gravar uma retrospectiva tão rica e de boa qualidade. Pois é o que os sortudos dos anos 2010 têm nas mãos: o CD e DVD O Pirulito da Ciência - Ao Vivo (R$ 34,90 e R$ 47,90, respectivamente).

O músico lembra, na entrevista do DVD, como ganhou o novo sopro de vida em sua carreira. É aquela história já conhecida, quando David Byrne, atraído pela capa de arames farpados, descobriu em um sebo o disco Estudando o Samba (de 1976). Decidiu lançar no Exterior e a resposta positiva veio em alto e bom som. Foi aclamado pela crítica, ficando entre os dez melhores da década de 1990 em todo o mundo, na avaliação da revista Rolling Stone.

O artista ressurgiu no Brasil, revigorado, em 1999, com o álbum Com Defeito de Fabricação. Hoje, está devidamente destacado entre os nomes importantes da música nacional e este seu novo trabalho é, sem dúvida, essencial.

Primeiro porque resgata pelo menos uma canção de cada disco, desde 1968 - em uma produção e direção de Charles Gavin. Segundo porque registra o Tom Zé dos palcos, com suas características energia e paixão pela arte.

Por fim, oferece um rico depoimento do artista. Desde seu início, com o pavor de se apresentar ao público, até suas encrencas com o regime militar e sua relação com a Cultura do Nordeste e com as leituras de Euclides da Cunha. Antes de fazer música, ele achava que a sociedade nunca iria o aceitar.

FAIXAS
"Peço ação e trabalho do cognitivo. Não faço música para o contemplativo", diz Tom Zé.

Para contestar o imperialismo norte-americano, ele coloca em sequência as canções Ui! (Você Inventa), de 1975, e Companheiro Bush, de 2003. Emenda as duas com uma história bem-humorada de que os Estados Unidos, com medo do sucesso do forró, ameaçam invadir o Brasil, e essas músicas são recados a eles.

Mas o trabalho também tem contemplação. Um exemplo é a deliciosa Augusta, Angélica e Consolação (1973).

O título O Pirulito da Ciência foi extraído de um verso da música Fliperama (do disco The Hips of Tradition, de 1992). Entre outras faixas, Cultura de Irará, Hein?, Menina Jesus, Roquenrol Bim-Bom, Brigitte Bardot, Cademar e São São Paulo, Meu Amor - esta que lhe rendeu primeiro lugar no Festival de MPB, em 1968.

No palco, com Tom Zé, os músicos Jarbas Mariz, Lauro Léllis, Renato Léllis, Cristina Carneiro, Luanda e Daniel Maia.



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Tom Zé em retrospectiva essencial

Nelson Albuquerque

19/04/2010 | 07:11


Por pouco, a carreira de Tom Zé não ficou resumida a um pequeno verbete nas enciclopédias da música brasileira. Depois de um começo promissor, com espetáculos ao lado de Gil, Caetano, Gal e Bethânia, inclusive com o start para o movimento tropicalista, Tom Zé lançou álbuns individuais que tiveram baixa aceitação. Entrou em coma, artisticamente falando.

Nem poderia imaginar que, aos 73 anos, teria a chance de gravar uma retrospectiva tão rica e de boa qualidade. Pois é o que os sortudos dos anos 2010 têm nas mãos: o CD e DVD O Pirulito da Ciência - Ao Vivo (R$ 34,90 e R$ 47,90, respectivamente).

O músico lembra, na entrevista do DVD, como ganhou o novo sopro de vida em sua carreira. É aquela história já conhecida, quando David Byrne, atraído pela capa de arames farpados, descobriu em um sebo o disco Estudando o Samba (de 1976). Decidiu lançar no Exterior e a resposta positiva veio em alto e bom som. Foi aclamado pela crítica, ficando entre os dez melhores da década de 1990 em todo o mundo, na avaliação da revista Rolling Stone.

O artista ressurgiu no Brasil, revigorado, em 1999, com o álbum Com Defeito de Fabricação. Hoje, está devidamente destacado entre os nomes importantes da música nacional e este seu novo trabalho é, sem dúvida, essencial.

Primeiro porque resgata pelo menos uma canção de cada disco, desde 1968 - em uma produção e direção de Charles Gavin. Segundo porque registra o Tom Zé dos palcos, com suas características energia e paixão pela arte.

Por fim, oferece um rico depoimento do artista. Desde seu início, com o pavor de se apresentar ao público, até suas encrencas com o regime militar e sua relação com a Cultura do Nordeste e com as leituras de Euclides da Cunha. Antes de fazer música, ele achava que a sociedade nunca iria o aceitar.

FAIXAS
"Peço ação e trabalho do cognitivo. Não faço música para o contemplativo", diz Tom Zé.

Para contestar o imperialismo norte-americano, ele coloca em sequência as canções Ui! (Você Inventa), de 1975, e Companheiro Bush, de 2003. Emenda as duas com uma história bem-humorada de que os Estados Unidos, com medo do sucesso do forró, ameaçam invadir o Brasil, e essas músicas são recados a eles.

Mas o trabalho também tem contemplação. Um exemplo é a deliciosa Augusta, Angélica e Consolação (1973).

O título O Pirulito da Ciência foi extraído de um verso da música Fliperama (do disco The Hips of Tradition, de 1992). Entre outras faixas, Cultura de Irará, Hein?, Menina Jesus, Roquenrol Bim-Bom, Brigitte Bardot, Cademar e São São Paulo, Meu Amor - esta que lhe rendeu primeiro lugar no Festival de MPB, em 1968.

No palco, com Tom Zé, os músicos Jarbas Mariz, Lauro Léllis, Renato Léllis, Cristina Carneiro, Luanda e Daniel Maia.

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