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O mundo sobre duas rodas cresce

Com estímulos fiscais aliados ao mercado potencial promissor, não foi difícil a decisão de algumas multinacionais para a se estabelecerem no Brasil


Cristina Baddini

13/08/2010 | 00:00


Com estímulos fiscais aliados a um mercado potencial bastante promissor, não foi difícil a tomada de decisão de algumas multinacionais para a se estabelecerem aqui no Brasil. A legendária Harley-Davidson, que une fãs em todo o mundo, instalou sua única fábrica fora dos Estados Unidos em Manaus. Outras, como as japonesas Honda e Yamaha, já produzem e vendem aqui há mais de 30 anos.

No início era difícil montar uma motocicleta no Brasil. A necessidade de importar componentes e formar mão de obra para dar assistência técnica foi um complicador de primeira grandeza. Com o passar do tempo, as empresas se adequaram às exigências do consumidor brasileiro e aumentaram o índice de nacionalização das peças.

Porém, a proliferação das motos tem muitas causas. Uma é o custo menor que o de um carro. Há de se considerar também a incrível valorização do real observada nos últimos anos que colaborou diretamente na redução dos custos de importação. Há consórcios em que se pode comprar uma moto por 90 reais ao mês, mas o financiamento a médio e longo prazos com taxas reduzidas e subsidiadas pelas próprias marcas é hoje o carro chefe das vendas. Motos menos equipadas podem ser adquiridas em prestações de 70 reais por mês, em 36 parcelas ou mais. A maior parte das pessoas que tira dinheiro do bolso para comprar uma moto de baixa cilindrada não ganha mais que um salário mínimo.

A segunda razão é o menor custo de operação. Segundo a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), uma viagem de sete quilômetros num grande centro urbano custa 60 centavos numa moto; 1 real e 20 em ônibus; e 1 real e 80 centavos de carro.

A terceira razão é o tempo menor gasto nas viagens de moto. Nesse mesmo percurso de sete quilômetros, enquanto a moto gasta 16 minutos, o carro precisa de pelo menos 20 minutos e o ônibus de 43 minutos. Por isso, parte dos usuários de motos tem carros também, mas usam motocicletas para ganhar tempo. A agilidade de operação e sua relativa facilidade de estacionamento são contadas como grande vantagem deste meio de transporte.

A grande desvantagem da motocicleta, no entanto, é a insegurança que o veículo representa, uma vez que o risco de acidentes com vítimas graves e fatais é cinco vezes superior ao de quem usa automóvel.

E com certeza a falta de regras - ou a não obediência pelos motoqueiros - está agravando os problemas do trânsito nas grandes cidades. As motos em geral não respeitam regras para ultrapassagem e até mesmo sinais fechados e faixas de pedestres.

A indústria do setor deve ser questionada sobre seu papel na mobilidade sustentável urbana uma vez que se beneficia do bônus do aumento de vendas versus o ônus do poder público e da sociedade pelas consequências negativas do uso da moto. Ou os fabricantes partem para uma prática sustentável e enxergam o problema, ou podem começar a perder terreno pagando alto preço pelo próprio crescimento. Parece evidente que o Brasil terá que formular com urgência uma política pública específica com normas e regras rigorosas tanto para a fabricação e para o trânsito de motocicletas. Por que não vender os acessórios conjuntamente com as motos? Por que não impedir que pessoas sem a habilitação adequada continuem comprando motos? Por que não incluir o treinamento na venda da moto?



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O mundo sobre duas rodas cresce

Com estímulos fiscais aliados ao mercado potencial promissor, não foi difícil a decisão de algumas multinacionais para a se estabelecerem no Brasil

Cristina Baddini

13/08/2010 | 00:00


Com estímulos fiscais aliados a um mercado potencial bastante promissor, não foi difícil a tomada de decisão de algumas multinacionais para a se estabelecerem aqui no Brasil. A legendária Harley-Davidson, que une fãs em todo o mundo, instalou sua única fábrica fora dos Estados Unidos em Manaus. Outras, como as japonesas Honda e Yamaha, já produzem e vendem aqui há mais de 30 anos.

No início era difícil montar uma motocicleta no Brasil. A necessidade de importar componentes e formar mão de obra para dar assistência técnica foi um complicador de primeira grandeza. Com o passar do tempo, as empresas se adequaram às exigências do consumidor brasileiro e aumentaram o índice de nacionalização das peças.

Porém, a proliferação das motos tem muitas causas. Uma é o custo menor que o de um carro. Há de se considerar também a incrível valorização do real observada nos últimos anos que colaborou diretamente na redução dos custos de importação. Há consórcios em que se pode comprar uma moto por 90 reais ao mês, mas o financiamento a médio e longo prazos com taxas reduzidas e subsidiadas pelas próprias marcas é hoje o carro chefe das vendas. Motos menos equipadas podem ser adquiridas em prestações de 70 reais por mês, em 36 parcelas ou mais. A maior parte das pessoas que tira dinheiro do bolso para comprar uma moto de baixa cilindrada não ganha mais que um salário mínimo.

A segunda razão é o menor custo de operação. Segundo a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), uma viagem de sete quilômetros num grande centro urbano custa 60 centavos numa moto; 1 real e 20 em ônibus; e 1 real e 80 centavos de carro.

A terceira razão é o tempo menor gasto nas viagens de moto. Nesse mesmo percurso de sete quilômetros, enquanto a moto gasta 16 minutos, o carro precisa de pelo menos 20 minutos e o ônibus de 43 minutos. Por isso, parte dos usuários de motos tem carros também, mas usam motocicletas para ganhar tempo. A agilidade de operação e sua relativa facilidade de estacionamento são contadas como grande vantagem deste meio de transporte.

A grande desvantagem da motocicleta, no entanto, é a insegurança que o veículo representa, uma vez que o risco de acidentes com vítimas graves e fatais é cinco vezes superior ao de quem usa automóvel.

E com certeza a falta de regras - ou a não obediência pelos motoqueiros - está agravando os problemas do trânsito nas grandes cidades. As motos em geral não respeitam regras para ultrapassagem e até mesmo sinais fechados e faixas de pedestres.

A indústria do setor deve ser questionada sobre seu papel na mobilidade sustentável urbana uma vez que se beneficia do bônus do aumento de vendas versus o ônus do poder público e da sociedade pelas consequências negativas do uso da moto. Ou os fabricantes partem para uma prática sustentável e enxergam o problema, ou podem começar a perder terreno pagando alto preço pelo próprio crescimento. Parece evidente que o Brasil terá que formular com urgência uma política pública específica com normas e regras rigorosas tanto para a fabricação e para o trânsito de motocicletas. Por que não vender os acessórios conjuntamente com as motos? Por que não impedir que pessoas sem a habilitação adequada continuem comprando motos? Por que não incluir o treinamento na venda da moto?

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