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'Cultivo a essência do black power'


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

21/11/2004 | 11:38


O dançarino Eduardo Souza, 22 anos, de São Bernardo, parece ter saltado de um episódio do seriado ‘That’s 70s Show’, ambientado nos anos 70 e exibido pelo canal pago Sony. Apesar do cabelo black power, cultivado há três anos, das camisas coloridas e do sapato bicolor, ele não é um clichê ambulante como muitos devem julgar. Além da cor da pele não denunciar suas origens, ele é um jovem bem informado a respeito de suas raízes: como se refere à sua afro-ascendência. Rato de sebos e brechós, ele coleciona, além das roupas antiquadas e biblioteca sobre a identidade africana, uma grande curiosidade e respeito sobre a negritude.

“Eu me assumo como uma pessoa negra. Quem estudar vai saber que ser negro não é só ter a pele mais pigmentada. É também ter outras características como o meu cabelo, por exemplo”, afirmou Souza, mais conhecido pelo nome artístico Soul Dubs, escolhido a partir da junção de um ritmo que adora (soul, ou alma em português) com o apelido de infância (dubs, que derivou de Du, diminutivo de Eduardo). Apesar de tanta pesquisa, o dançarino disse não ter todas as respostas. “Por mais que se estude, nunca vamos descobrir as origens da negritude mesmo. Já se sabe que os arquivos sobre escravidão no Brasil foram todos queimados”, disse.

Sua identificação com as raízes africanas começou quando tinha 16 anos e descobriu as letras do rap e, mais tarde, as aulas de dança na Casa do Hip-Hop de Diadema. Foi lá que ele cortou o cabelo pela primeira vez e foi incentivado a assumir sua negritude, apesar da pele mais clara. “O preconceito ao contrário nunca aconteceu comigo, sempre tive muita sorte. Todo mundo lá me dizia: ‘Você é preto’”, afirmou. Porém, de acordo com ele, demorou para se sentir aceito por seu modo de vestir e se expressar, inclusive pela família.

Dançarino há três anos, ele faz hoje performances para a banda de funk do trombonista de São Bernardo Bocato, que se apresenta semanalmente na casa noturna paulista Urbano e para a cantora andreense Ieda Rios. “Eu cultivo a essência do black power, que é saber dos meus direitos e nunca me sentir oprimido.”



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'Cultivo a essência do black power'

Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

21/11/2004 | 11:38


O dançarino Eduardo Souza, 22 anos, de São Bernardo, parece ter saltado de um episódio do seriado ‘That’s 70s Show’, ambientado nos anos 70 e exibido pelo canal pago Sony. Apesar do cabelo black power, cultivado há três anos, das camisas coloridas e do sapato bicolor, ele não é um clichê ambulante como muitos devem julgar. Além da cor da pele não denunciar suas origens, ele é um jovem bem informado a respeito de suas raízes: como se refere à sua afro-ascendência. Rato de sebos e brechós, ele coleciona, além das roupas antiquadas e biblioteca sobre a identidade africana, uma grande curiosidade e respeito sobre a negritude.

“Eu me assumo como uma pessoa negra. Quem estudar vai saber que ser negro não é só ter a pele mais pigmentada. É também ter outras características como o meu cabelo, por exemplo”, afirmou Souza, mais conhecido pelo nome artístico Soul Dubs, escolhido a partir da junção de um ritmo que adora (soul, ou alma em português) com o apelido de infância (dubs, que derivou de Du, diminutivo de Eduardo). Apesar de tanta pesquisa, o dançarino disse não ter todas as respostas. “Por mais que se estude, nunca vamos descobrir as origens da negritude mesmo. Já se sabe que os arquivos sobre escravidão no Brasil foram todos queimados”, disse.

Sua identificação com as raízes africanas começou quando tinha 16 anos e descobriu as letras do rap e, mais tarde, as aulas de dança na Casa do Hip-Hop de Diadema. Foi lá que ele cortou o cabelo pela primeira vez e foi incentivado a assumir sua negritude, apesar da pele mais clara. “O preconceito ao contrário nunca aconteceu comigo, sempre tive muita sorte. Todo mundo lá me dizia: ‘Você é preto’”, afirmou. Porém, de acordo com ele, demorou para se sentir aceito por seu modo de vestir e se expressar, inclusive pela família.

Dançarino há três anos, ele faz hoje performances para a banda de funk do trombonista de São Bernardo Bocato, que se apresenta semanalmente na casa noturna paulista Urbano e para a cantora andreense Ieda Rios. “Eu cultivo a essência do black power, que é saber dos meus direitos e nunca me sentir oprimido.”

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