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País mantém forte desigualdade na geração de riqueza


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

13/08/2010 | 07:02


Apesar da queda na concentração de renda no Brasil nos últimos anos, ainda é expressiva a desigualdade territorial na geração de riqueza nacional. Um número reduzido de municípios responde pela maior parte do PIB (Produto Interno Bruto) - que é a soma da riqueza produzida no País.

É o que aponta o estudo Desigualdade da Renda no Território Brasileiro, divulgado ontem pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e que analisa o grau de concentração/desigualdade dos Estados e regiões por meio dos PIBs e dos PIBs per capita dos municípios.

A análise mostra que, em relação à participação na riqueza nacional, os municípios 10% mais ricos ampliaram seu peso relativo, passando de 72,1% em 1970 para 78,1% em 2007, enquanto os 40% mais pobres tiveram retração, de 5,7% para 4,7% no período.

No Grande ABC, de forma geral, a atividade econômica tem ganhado impulso desde a década de 1970. Importante polo industrial do País, São Bernardo, por exemplo, registrou forte expansão em sua economia. De 1975 a 1985, cresceu 22,81%, e de 1996 a 2007, teve salto de 52,15%. Outros municípios da região também tiveram expansão expressiva.

Por outro lado, o estudo aponta que, a partir da segunda metade da década de 1990, houve certo congelamento na concentração/desigualdade dos PIBs municipais, sob a ótica do Gini (que é um índice que mede a distribuição da renda da população). Em plena fase de estabilidade inflacionária, o grau de concentração dos PIBs municipais caiu levemente (-2%), passando o índice de Gini de 0,88 (numa escala que vai de zero a um), em 1996, para 0,82, em 2007.

Pelo estudo, entre 1996 e 2007, a desigualdade caiu mais na Região Nordeste (-4,8%), com o Gini passando de 0,84 para 0,80. O Sudeste, altamente concentrado, foi o que teve redução de apenas 1,1% (de 0,90 para 0,89). Para o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, a queda da desigualdade reflete políticas de descentralização dos gastos públicos. O coordenador do curso de Economia da Fundação Santo André, Ricardo Balistiero, cita ainda fatores como reajustes do salário-mínimo acima da inflação e as ações de transferência de renda.

Para Pochmann, o País ainda carece de uma política do desenvolvimento nacional em âmbitos regional e local (de desconcentração de gastos e investimentos). Do contrário, segundo ele, o País poderá continuar a registrar queda na desigualdade da renda, sem que, necesssariamente, prevaleça a desconcentração na participação dos municípios no PIB nacional.



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País mantém forte desigualdade na geração de riqueza

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

13/08/2010 | 07:02


Apesar da queda na concentração de renda no Brasil nos últimos anos, ainda é expressiva a desigualdade territorial na geração de riqueza nacional. Um número reduzido de municípios responde pela maior parte do PIB (Produto Interno Bruto) - que é a soma da riqueza produzida no País.

É o que aponta o estudo Desigualdade da Renda no Território Brasileiro, divulgado ontem pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e que analisa o grau de concentração/desigualdade dos Estados e regiões por meio dos PIBs e dos PIBs per capita dos municípios.

A análise mostra que, em relação à participação na riqueza nacional, os municípios 10% mais ricos ampliaram seu peso relativo, passando de 72,1% em 1970 para 78,1% em 2007, enquanto os 40% mais pobres tiveram retração, de 5,7% para 4,7% no período.

No Grande ABC, de forma geral, a atividade econômica tem ganhado impulso desde a década de 1970. Importante polo industrial do País, São Bernardo, por exemplo, registrou forte expansão em sua economia. De 1975 a 1985, cresceu 22,81%, e de 1996 a 2007, teve salto de 52,15%. Outros municípios da região também tiveram expansão expressiva.

Por outro lado, o estudo aponta que, a partir da segunda metade da década de 1990, houve certo congelamento na concentração/desigualdade dos PIBs municipais, sob a ótica do Gini (que é um índice que mede a distribuição da renda da população). Em plena fase de estabilidade inflacionária, o grau de concentração dos PIBs municipais caiu levemente (-2%), passando o índice de Gini de 0,88 (numa escala que vai de zero a um), em 1996, para 0,82, em 2007.

Pelo estudo, entre 1996 e 2007, a desigualdade caiu mais na Região Nordeste (-4,8%), com o Gini passando de 0,84 para 0,80. O Sudeste, altamente concentrado, foi o que teve redução de apenas 1,1% (de 0,90 para 0,89). Para o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, a queda da desigualdade reflete políticas de descentralização dos gastos públicos. O coordenador do curso de Economia da Fundação Santo André, Ricardo Balistiero, cita ainda fatores como reajustes do salário-mínimo acima da inflação e as ações de transferência de renda.

Para Pochmann, o País ainda carece de uma política do desenvolvimento nacional em âmbitos regional e local (de desconcentração de gastos e investimentos). Do contrário, segundo ele, o País poderá continuar a registrar queda na desigualdade da renda, sem que, necesssariamente, prevaleça a desconcentração na participação dos municípios no PIB nacional.

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