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A lenta expansão urbana no subúrbio paulistano

Não se falava em Região Metropolitana. O regime era de exceção, chamado Estado Novo...


Ademir Medici

27/02/2015 | 07:00


Não se falava em Região Metropolitana. O regime era de exceção, chamado Estado Novo. Era a ditadura de Getúlio vivendo os últimos momentos. Cabia à imprensa, como sempre, pensar em planejamento urbano, mesmo sem a utilização de termos como este.

Em fevereiro de 1945 o jornal O Estado de S.Paulo publicou interessante comentário, sem a assinatura do autor, tratando do que chamou de fenômenos demográficos. O autor sintetiza o seu estudo numa frase: “Uma região densamente povoada que se parcela mui lentamente do ponto de vista administrativo.”

Do artigo, pincelamos alguns dados:

- O Estado de São Paulo passou a ter 305 municípios em 1-1-1945, de acordo com a última lei quinquenal, para uma superficie que não alcança 250 mil km².

- Minas Gerais se emparelha com São Paulo, com 300 municípios e uma superficie que ultrapassa os 600 mil km².

- Isso mostra que, mantida a proporção, Minas deveria ter mais que o dobro dos municípios paulistas, se o total da população o permitisse.

Nesta altura do seu comentário, o articulista chama a atenção para o clichê ilustrativo, o gráfico que Memória reproduz, 70 anos depois.

- Em volta do município da Capital, de longa data se formaram alguns núcleos de relativa importância e que conseguiram obter as franquias municipais (autonomia): São Bernardo, Itapecerica, Cotia, Parnaíba, Juqueri, Guarulhos.

- Embora se trate de zona mais altamente povoada do Estado, estas sedes municipais se organizaram fora das linhas férreas, inteiramente afastadas dos trilhos da São Paulo Railway e da Sorocabana.

- Somente em 1939 se fez a transferência do município de São Bernardo para Santo André. E somente neste ano de 1945 o distrito de paz de Franco da Rocha, localizado na estação de Juqueri, logrou a mesma regalia.

- Uma tentativa de explicação: as populações preferem aglomerar-se em volta do núcleo maior. Mas isso só seria verdade para estes últimos tempos depois que São Paulo, iniciado seu grande crescimento industrial, enveredou pelo caminho que a levaria em menos de 30 anos para a lista das grandes cidades da América.

- A estrada de ferro, porém, existe há muito mais tempo, pois a Inglesa (SPR – depois Santos-Jundiaí, da Rede Ferroviária Federal) é a pioneira do Estado e já tem quase 80 anos de tráfego intenso.

- Em toda parte, o estabelecimento de vias férreas sempre determinou o aparecimento de núcleos vivos de população, os quais, em pouco tempo, passam a sede de distrito de paz, município e comarca.

- É fenômeno comum em todo o território bandeirante, havendo exemplos de crescimento tão rápido e estonteante que o núcleo logra esses três melhoramentos de uma vez. Tal aconteceu em Andradina, com Lucélia e Votuporanga. Os que conseguiram os dois primeiros ao mesmo tempo, distrito e município, são muitos, a começar por Presidente Prudente.

- Nada disso ocorreu em volta da Capital. Aqui, entre Santos e Jundiaí, a estrada de ferro, embora venha sendo o máximo coletor de transporte do Estado, não foi capaz de provocar o mesmo crescimento de suas estações intermediárias, senão em ritmo muitíssimo lento.

Tinha razão o articulista do Estadão naquele 1945. Dois anos depois, com a abertura da Via Anchieta, tudo mudaria, com a chegada da indústria automobilística e a semeadura de mais e mais rodovias, em detrimento do transporte ferroviário. Bom? Ruim?

O DESENHO – Assina a ilustração publicada pelo Estadão, simplesmente, Samuel, autor de outros desenhos do gênero publicados à época pelo jornal. Fica a sugestão ao pessoal do Acervo Estado para descobrir mais dados daquele ilustrador.

Em 27 de fevereiro de...

1915 – O cinema de Vicente Arnaldi continua a funcionar no Teatro Carlos Gomes, distrito de Santo André.

- A guerra. Do noticiário do Estadão: ‘Os belgas reconquistam parte das posições perdidas.’

1920 – Engenheiro e professor Carlos Galante nasce no bairro do Brás, em São Paulo. Depois mudou para Santo André e aqui fez sucesso com uma obra didática nacional: os livros sobre Matemática Moderna, bastante populares nas décadas de 1950, 1960 e 1970.

1943 – Augusto Toldo nasce no bairro da Mooca, em São Paulo, mudando-se com a família para o Rudge Ramos em 1951. Ele guarda relíquias do esporte em geral sobre a cidade.

1970 – Clube Bochófilo de Santo André sagra-se campeão estadual de basquete juvenil feminino ao vencer o São Bernardo por 41 a 38. O jogo foi em São Caetano.

- Instalada a Terceira Vara Cível do Tribunal de Justiça em Santo André.

1985 - Morre Ismael Emiliano da Silva, o Ismael da Farmácia, uma das figuras mais queridas de São Bernardo. Desde junho de 1941 residia na cidade, onde hoje é nome de rua por indicação do vereador Gilberto Frigo.

2000 – Inaugurada a Brinquedoteca Pública de Santo André, no Parque Chácara Pignatari.

Diário há 30 anos

Quarta-feira, 27 de fevereiro de 1985 – ano 27, nº 5760

Manchete – Greve de ônibus causa transtornos na região e Capital

Ribeirão Pires – Atrasada a restauração da Capela do Pilar.

Santo André – Volta à pauta o Parque Municipal, futuro Parque Central.

Indústria – General Motors venderá mais picapes para a África.

Cultura – Teatro Municipal de Santo André abre a temporada 1985 com o espetáculo Piaf – A Vida de uma Estrela da Canção, com direção de Flavio Rangel. Bibi Ferreira vive Edith Piaf.

Santos do dia

- Gabriel da Virgem Dolorosa ou de Nossa Senhora das Dores (Itália, Assis, 1838 – Ancona 1862). Religioso da Congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, fundada por São Paulo da Cruz, ou seja, os passionistas.

- Besas

- Leandro de Sevilha

- Procópio

- Valdomiro

Hoje

- Dia do Agente Fiscal da Receita Federal

- Dia do Livro Didático 



Comentários

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A lenta expansão urbana no subúrbio paulistano

Não se falava em Região Metropolitana. O regime era de exceção, chamado Estado Novo...

Ademir Medici

27/02/2015 | 07:00


Não se falava em Região Metropolitana. O regime era de exceção, chamado Estado Novo. Era a ditadura de Getúlio vivendo os últimos momentos. Cabia à imprensa, como sempre, pensar em planejamento urbano, mesmo sem a utilização de termos como este.

Em fevereiro de 1945 o jornal O Estado de S.Paulo publicou interessante comentário, sem a assinatura do autor, tratando do que chamou de fenômenos demográficos. O autor sintetiza o seu estudo numa frase: “Uma região densamente povoada que se parcela mui lentamente do ponto de vista administrativo.”

Do artigo, pincelamos alguns dados:

- O Estado de São Paulo passou a ter 305 municípios em 1-1-1945, de acordo com a última lei quinquenal, para uma superficie que não alcança 250 mil km².

- Minas Gerais se emparelha com São Paulo, com 300 municípios e uma superficie que ultrapassa os 600 mil km².

- Isso mostra que, mantida a proporção, Minas deveria ter mais que o dobro dos municípios paulistas, se o total da população o permitisse.

Nesta altura do seu comentário, o articulista chama a atenção para o clichê ilustrativo, o gráfico que Memória reproduz, 70 anos depois.

- Em volta do município da Capital, de longa data se formaram alguns núcleos de relativa importância e que conseguiram obter as franquias municipais (autonomia): São Bernardo, Itapecerica, Cotia, Parnaíba, Juqueri, Guarulhos.

- Embora se trate de zona mais altamente povoada do Estado, estas sedes municipais se organizaram fora das linhas férreas, inteiramente afastadas dos trilhos da São Paulo Railway e da Sorocabana.

- Somente em 1939 se fez a transferência do município de São Bernardo para Santo André. E somente neste ano de 1945 o distrito de paz de Franco da Rocha, localizado na estação de Juqueri, logrou a mesma regalia.

- Uma tentativa de explicação: as populações preferem aglomerar-se em volta do núcleo maior. Mas isso só seria verdade para estes últimos tempos depois que São Paulo, iniciado seu grande crescimento industrial, enveredou pelo caminho que a levaria em menos de 30 anos para a lista das grandes cidades da América.

- A estrada de ferro, porém, existe há muito mais tempo, pois a Inglesa (SPR – depois Santos-Jundiaí, da Rede Ferroviária Federal) é a pioneira do Estado e já tem quase 80 anos de tráfego intenso.

- Em toda parte, o estabelecimento de vias férreas sempre determinou o aparecimento de núcleos vivos de população, os quais, em pouco tempo, passam a sede de distrito de paz, município e comarca.

- É fenômeno comum em todo o território bandeirante, havendo exemplos de crescimento tão rápido e estonteante que o núcleo logra esses três melhoramentos de uma vez. Tal aconteceu em Andradina, com Lucélia e Votuporanga. Os que conseguiram os dois primeiros ao mesmo tempo, distrito e município, são muitos, a começar por Presidente Prudente.

- Nada disso ocorreu em volta da Capital. Aqui, entre Santos e Jundiaí, a estrada de ferro, embora venha sendo o máximo coletor de transporte do Estado, não foi capaz de provocar o mesmo crescimento de suas estações intermediárias, senão em ritmo muitíssimo lento.

Tinha razão o articulista do Estadão naquele 1945. Dois anos depois, com a abertura da Via Anchieta, tudo mudaria, com a chegada da indústria automobilística e a semeadura de mais e mais rodovias, em detrimento do transporte ferroviário. Bom? Ruim?

O DESENHO – Assina a ilustração publicada pelo Estadão, simplesmente, Samuel, autor de outros desenhos do gênero publicados à época pelo jornal. Fica a sugestão ao pessoal do Acervo Estado para descobrir mais dados daquele ilustrador.

Em 27 de fevereiro de...

1915 – O cinema de Vicente Arnaldi continua a funcionar no Teatro Carlos Gomes, distrito de Santo André.

- A guerra. Do noticiário do Estadão: ‘Os belgas reconquistam parte das posições perdidas.’

1920 – Engenheiro e professor Carlos Galante nasce no bairro do Brás, em São Paulo. Depois mudou para Santo André e aqui fez sucesso com uma obra didática nacional: os livros sobre Matemática Moderna, bastante populares nas décadas de 1950, 1960 e 1970.

1943 – Augusto Toldo nasce no bairro da Mooca, em São Paulo, mudando-se com a família para o Rudge Ramos em 1951. Ele guarda relíquias do esporte em geral sobre a cidade.

1970 – Clube Bochófilo de Santo André sagra-se campeão estadual de basquete juvenil feminino ao vencer o São Bernardo por 41 a 38. O jogo foi em São Caetano.

- Instalada a Terceira Vara Cível do Tribunal de Justiça em Santo André.

1985 - Morre Ismael Emiliano da Silva, o Ismael da Farmácia, uma das figuras mais queridas de São Bernardo. Desde junho de 1941 residia na cidade, onde hoje é nome de rua por indicação do vereador Gilberto Frigo.

2000 – Inaugurada a Brinquedoteca Pública de Santo André, no Parque Chácara Pignatari.

Diário há 30 anos

Quarta-feira, 27 de fevereiro de 1985 – ano 27, nº 5760

Manchete – Greve de ônibus causa transtornos na região e Capital

Ribeirão Pires – Atrasada a restauração da Capela do Pilar.

Santo André – Volta à pauta o Parque Municipal, futuro Parque Central.

Indústria – General Motors venderá mais picapes para a África.

Cultura – Teatro Municipal de Santo André abre a temporada 1985 com o espetáculo Piaf – A Vida de uma Estrela da Canção, com direção de Flavio Rangel. Bibi Ferreira vive Edith Piaf.

Santos do dia

- Gabriel da Virgem Dolorosa ou de Nossa Senhora das Dores (Itália, Assis, 1838 – Ancona 1862). Religioso da Congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, fundada por São Paulo da Cruz, ou seja, os passionistas.

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