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Por dia, 60 milhões de litros de esgoto são despejados no Rio Tamanduateí

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Segundo especialistas, corpo d’água está ‘morto’ devido à contaminação de dejetos lançados


Daniel Macário

04/02/2019 | 07:05


O Rio Tamanduateí recebe 698 litros de esgoto in natura produzidos a cada segundo por moradores de Santo André e Mauá. A quantidade equivale a 60 milhões de litros diários de dejetos despejados no principal corpo d’água urbano da região, que nasce no Parque Ecológico Gruta Santa Luzia, em Mauá, e deságua no Rio Tietê, na Capital, passando ainda por São Caetano. Em conta hipotética, o volume equivale a quase 30 milhões de garrafas PET de dois litros sendo lançadas a cada dia no leito, que tem 35 quilômetros de extensão, sendo deles 19 quilômetros na Avenida dos Estados. 

Sozinha, Santo André contribuiu no ano passado com 1,3 milhão de metros cúbicos de esgoto jogados por mês no rio, média de 233 litros por segundo. O volume, conforme o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), tem sido reduzido gradativamente. Em 2017, o despejo foi de 521,5 litros por segundo. 

Mauá, que alcançou índice de 73% de tratamento de esgoto, é outro município que ainda não conseguiu solução para o problema. No ano passado, o Rio Tamanduateí recebeu 199 litros de esgoto por segundo, algo em torno de 516,3 mil metros cúbicos por mês. O índice é inferior aos 233 litros de esgoto lançado no rio em 2017.

São Caetano, que também é cortada pelo rio, é a única cidade que não despeja mais dejetos desde 2009, quando atingiu a marca de 100% de esgoto coletado e tratado.

Para o mestre em tecnologia ambiental João Carlos Mucciacito, docente da FSA (Fundação Santo André), embora municípios venham apresentando queda do volume de esgoto doméstico descartados no Tamanduateí, o atual cenário faz com que as probabilidades de reverter a contaminação sejam mínimas. “Essa situação é praticamente irreversível. Hoje, o Tamanduateí está morto, sem qualquer vida de plantas e animais. Para agravar a situação, o rio está exposto a ser o principal canal de esgoto da região.”

Segundo ele, o problema é agravado com a falta de políticas públicas para saneamento básico, como a criação de redes e coletores tronco para permitir o transporte do material para tratamento. “Falta vontade das prefeituras em executar essas ações para que o Estado, que tem feito isso em diversos locais, efetive o tratamento dessa água.” Acabar com as ligações clandestinas de esgoto e aprimorar a fiscalização, segundo o estudioso, ajudariam o processo.

Segundo a bióloga e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marta Ângela Marcondes, o que nota-se hoje é cenário oposto. “As ocupações estão crescendo e o rio tem morrido a 500 metros de sua nascente. Depois disso, é só lixo e bactérias fecais.”

Tal situação, conforme a bióloga, tem exposto moradores do entorno do rio a problemas de saúde. “Em janeiro, com as enchentes, essa água contaminada do rio invadiu diversas casas colocando em risco moradores”, explicou.

OUTRO LADO

Por meio de nota, o Semasa afirma que trabalha constantemente na ampliação do tratamento de esgoto. A principal frente de trabalho para alcançar a meta é a implantação de 6.700 metros de redes e coletores tronco em várias regiões da cidade, num investimento de R$ 15,6 milhões. As obras, que foram iniciadas no fim de 2017, serão concluídas ao longo deste ano e têm financiamento da Caixa, com recursos do governo federal.

De acordo com a BRK Ambiental, responsável pelo saneamento básico de Mauá, a empresa tem tratado cerca de 50 milhões de litros de esgoto diariamente, o que representa média de 16,9 milhões de metros cúbicos ao ano de esgoto que deixam de ser lançados no leito do rio.

Estudiosos criticam baixo índice de monitoramento do corpo d’água

Apenas dois pontos dos 19 quilômetros de extensão do Tamanduateí na região são monitorados pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Segundo especialistas, o baixo índice de acompanhamento das amostras de água retiradas do canal é um dos principais fatores para o estado crítico do rio.

“Sem esse monitoramento é impossível saber a real situação da qualidade do rio e o que pode ser feito para sanar o problema”, aponta a bióloga e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marta Ângela Marcondes.

A crítica é compartilhada pelo professor e mestre em tecnologia ambiental João Carlos Mucciacito. “Se não tem coleta de amostra pouco se sabe do rio.” Segundo a Cetesb, os pontos de análise estão na Avenida do Estado, na divisa de Santo André com Mauá, e outro no trecho de São Caetano.

Daee promete recuperação de pontos críticos nas margens do rio

O Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) de São Paulo diz que está investindo R$ 2,9 milhões no desenvolvimento de “grande projeto executivo” para recuperação de pontos críticos, contenção de margens, avaliação de segurança e monitoramento em 16 dos 35 quilômetros das margens do Rio Tamanduateí. O trecho inclui os municípios de São Paulo, São Caetano e Santo André. O trabalho teve início em abril de 2017 e a previsão é concluí-lo no mês que vem. 

Em relação aos municípios da região, o órgão argumenta que foi feita inspeção das contenções no trecho da foz do córrego Oratório até proximidades do Carrefour, em Santo André, numa extensão de cinco quilômetros, para os quais deverão ser elaborados os respectivos projetos de recuperação. 



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Por dia, 60 milhões de litros de esgoto são despejados no Rio Tamanduateí

Segundo especialistas, corpo d’água está ‘morto’ devido à contaminação de dejetos lançados

Daniel Macário

04/02/2019 | 07:05


O Rio Tamanduateí recebe 698 litros de esgoto in natura produzidos a cada segundo por moradores de Santo André e Mauá. A quantidade equivale a 60 milhões de litros diários de dejetos despejados no principal corpo d’água urbano da região, que nasce no Parque Ecológico Gruta Santa Luzia, em Mauá, e deságua no Rio Tietê, na Capital, passando ainda por São Caetano. Em conta hipotética, o volume equivale a quase 30 milhões de garrafas PET de dois litros sendo lançadas a cada dia no leito, que tem 35 quilômetros de extensão, sendo deles 19 quilômetros na Avenida dos Estados. 

Sozinha, Santo André contribuiu no ano passado com 1,3 milhão de metros cúbicos de esgoto jogados por mês no rio, média de 233 litros por segundo. O volume, conforme o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), tem sido reduzido gradativamente. Em 2017, o despejo foi de 521,5 litros por segundo. 

Mauá, que alcançou índice de 73% de tratamento de esgoto, é outro município que ainda não conseguiu solução para o problema. No ano passado, o Rio Tamanduateí recebeu 199 litros de esgoto por segundo, algo em torno de 516,3 mil metros cúbicos por mês. O índice é inferior aos 233 litros de esgoto lançado no rio em 2017.

São Caetano, que também é cortada pelo rio, é a única cidade que não despeja mais dejetos desde 2009, quando atingiu a marca de 100% de esgoto coletado e tratado.

Para o mestre em tecnologia ambiental João Carlos Mucciacito, docente da FSA (Fundação Santo André), embora municípios venham apresentando queda do volume de esgoto doméstico descartados no Tamanduateí, o atual cenário faz com que as probabilidades de reverter a contaminação sejam mínimas. “Essa situação é praticamente irreversível. Hoje, o Tamanduateí está morto, sem qualquer vida de plantas e animais. Para agravar a situação, o rio está exposto a ser o principal canal de esgoto da região.”

Segundo ele, o problema é agravado com a falta de políticas públicas para saneamento básico, como a criação de redes e coletores tronco para permitir o transporte do material para tratamento. “Falta vontade das prefeituras em executar essas ações para que o Estado, que tem feito isso em diversos locais, efetive o tratamento dessa água.” Acabar com as ligações clandestinas de esgoto e aprimorar a fiscalização, segundo o estudioso, ajudariam o processo.

Segundo a bióloga e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marta Ângela Marcondes, o que nota-se hoje é cenário oposto. “As ocupações estão crescendo e o rio tem morrido a 500 metros de sua nascente. Depois disso, é só lixo e bactérias fecais.”

Tal situação, conforme a bióloga, tem exposto moradores do entorno do rio a problemas de saúde. “Em janeiro, com as enchentes, essa água contaminada do rio invadiu diversas casas colocando em risco moradores”, explicou.

OUTRO LADO

Por meio de nota, o Semasa afirma que trabalha constantemente na ampliação do tratamento de esgoto. A principal frente de trabalho para alcançar a meta é a implantação de 6.700 metros de redes e coletores tronco em várias regiões da cidade, num investimento de R$ 15,6 milhões. As obras, que foram iniciadas no fim de 2017, serão concluídas ao longo deste ano e têm financiamento da Caixa, com recursos do governo federal.

De acordo com a BRK Ambiental, responsável pelo saneamento básico de Mauá, a empresa tem tratado cerca de 50 milhões de litros de esgoto diariamente, o que representa média de 16,9 milhões de metros cúbicos ao ano de esgoto que deixam de ser lançados no leito do rio.

Estudiosos criticam baixo índice de monitoramento do corpo d’água

Apenas dois pontos dos 19 quilômetros de extensão do Tamanduateí na região são monitorados pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Segundo especialistas, o baixo índice de acompanhamento das amostras de água retiradas do canal é um dos principais fatores para o estado crítico do rio.

“Sem esse monitoramento é impossível saber a real situação da qualidade do rio e o que pode ser feito para sanar o problema”, aponta a bióloga e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marta Ângela Marcondes.

A crítica é compartilhada pelo professor e mestre em tecnologia ambiental João Carlos Mucciacito. “Se não tem coleta de amostra pouco se sabe do rio.” Segundo a Cetesb, os pontos de análise estão na Avenida do Estado, na divisa de Santo André com Mauá, e outro no trecho de São Caetano.

Daee promete recuperação de pontos críticos nas margens do rio

O Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) de São Paulo diz que está investindo R$ 2,9 milhões no desenvolvimento de “grande projeto executivo” para recuperação de pontos críticos, contenção de margens, avaliação de segurança e monitoramento em 16 dos 35 quilômetros das margens do Rio Tamanduateí. O trecho inclui os municípios de São Paulo, São Caetano e Santo André. O trabalho teve início em abril de 2017 e a previsão é concluí-lo no mês que vem. 

Em relação aos municípios da região, o órgão argumenta que foi feita inspeção das contenções no trecho da foz do córrego Oratório até proximidades do Carrefour, em Santo André, numa extensão de cinco quilômetros, para os quais deverão ser elaborados os respectivos projetos de recuperação. 

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