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Samba da Vela grava 1º CD


Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

19/09/2005 | 08:50


Em 17 de julho de 2000, uma segunda-feira, os compositores Chapinha, Paqüera, Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira se encontraram por volta das 20h no Ziriguidum, boteco paulistano do próprio Chapinha, hoje fechado. Junto a outros amigos, eles cantaram suas músicas, acompanhados por cavaquinho, tamborim, pandeiro e surdo. A roda de samba só terminou lá pelas 4h. O quarteto teve então a idéia de se encontrar semanalmente no local. Porém, era preciso achar uma forma de limitar o tempo das reuniões, já que não dava para repetir sempre a balada madrugada adentro. Pensaram em usar ampulheta, despertador e, até mesmo, galo. Mas veio a luz: vela. A roda só terminaria quando ela apagasse. Nasceu assim a Comunidade Samba da Vela e, como a cada encontro o número de compositores participantes e mais pessoas da comunidade local só fazia aumentar, o simples encontro de amigos virou um projeto cultural, descontraído e sério ao mesmo tempo.

Agora chegou o primeiro disco: A Comunidade Samba da Vela (Pôr do Som, R$ 15 em média). São 20 músicas, conteúdo exclusivo de samba raiz, tradicional. Entre as faixas, só duas não são inéditas: A Comunidade Chora (Magnu, Maurílio, Edvaldo Galdino) e Madrinha (Edvaldo, Magnu, Paqüera), ambas gravadas pela bamba Beth Carvalho, madrinha do projeto. Vale mencionar que os fundadores do Samba da Vela, Magnu e Maurílio, que são irmãos, integram o respeitado Quinteto em Branco e Preto, grupo que já gravou outras sete músicas criadas no evento.

O CD foi registrado em duas etapas. "Fizemos quatro Samba da Vela no Estúdio Espaço Cachuera!, em São Paulo, e gravamos a voz do povo. Em cada dia, pelo menos 120 pessoas cantavam (não eram sempre as mesmas). Depois, em outro estúdio, colocamos os instrumentos sobre as vozes do pessoal", afirma Chapinha.

Além desses freqüentadores do projeto, o disco conta ainda com uma série de participações especiais, entre elas as das velhas guardas das escolas de samba paulistanas Camisa Verde e Branco e Nenê da Vila Matilde.

O que se ouve no álbum é um desfile de bons sambas. Como exemplos: Polivalente (Azambuja, Chapinha), que fala do gosto pelo partido-alto, "cantado e batido na palma da mão"; Minha Vida Melhorou (Rodrigo Junior, Japão, Willian Fialho), da vida em harmonia que um homem teve depois de conhecer uma boa mulher; e Forrobodó (Dú Oliveira), sobre o casal que não combina. Lançado semana passada em evento para convidados, o disco deve ganhar shows de lançamento ainda este ano.

Rosa, azul e branca – "Revelamos ao longo desses anos de 35 a 40 compositores. Boa parte deles escreveram as primeiras linhas no projeto. Tem gente de todas as idades. Por exemplo, de adolescentes até a Vó Suzana, 67 anos, que tem uma música no CD", diz Chapinha. O samba da Vó Suzana é Pra Vela Não se Apagar, uma canção muito bonita na qual a compositora revela o amor que tem pelo Samba da Vela (letra completa abaixo).

No fim de 2001, o projeto foi transferido do bar para a Casa de Cultura de Santo Amaro (praça Francisco Ferreira Lopes, 434, altura do 820 da av. João Dias. Tel.: 5522-8897). Lá, sempre às segundas-feiras, o samba come solto a partir das 20h30. Atualmente, cerca de 200 pessoas marcam presença a cada rodada. Uma contribuição de R$ 2 é pedida para pagar a sopa "maneira mesmo" que é servida no final. A vela, em geral, se apaga entre 23h e 23h30, dependendo da temperatura ambiente. Nas noites frias, dura mais. "Tem gente que gosta tanto do evento que quer acender vela de 7 dias", brinca Chapinha.

O Samba da Vela tem três versões. No dia em que os sambas são mostrados pela primeira vez, é vela rosa. Para a segunda apresentação das composições, vela azul. Quando os sambas já foram aprovadas e publicados em cadernos, o show tem vela branca.

Chapinha afirma que a aprovação das composições é feita pelo povo: "Se o público gostar, o samba vai para o caderno, e isso já ocorreu com cerca de 400 composições". Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas no site da internet www.sambadavela.com.br.

Pra Vela Não se Apagar (Vó Suzana)

‘Quando olhei a vela acesa
Rezei para ela não se apagar
Pois cantando
Eu esqueço as tristezas
E as amarguras
Que essa vida me dá
A vela ilumina os meus passos
E o samba ilumina o meu cantar
Por isso quando olhei a vela acesa
Rezei para ela não se apagar
O Samba da Vela
Reúne carinho e amor
O Samba da Vela
É o reduto do compositor
No Samba da Vela
Gostamos de nos encontrar
E rezamos juntos
Pra vela não se apagar’



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Samba da Vela grava 1º CD

Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

19/09/2005 | 08:50


Em 17 de julho de 2000, uma segunda-feira, os compositores Chapinha, Paqüera, Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira se encontraram por volta das 20h no Ziriguidum, boteco paulistano do próprio Chapinha, hoje fechado. Junto a outros amigos, eles cantaram suas músicas, acompanhados por cavaquinho, tamborim, pandeiro e surdo. A roda de samba só terminou lá pelas 4h. O quarteto teve então a idéia de se encontrar semanalmente no local. Porém, era preciso achar uma forma de limitar o tempo das reuniões, já que não dava para repetir sempre a balada madrugada adentro. Pensaram em usar ampulheta, despertador e, até mesmo, galo. Mas veio a luz: vela. A roda só terminaria quando ela apagasse. Nasceu assim a Comunidade Samba da Vela e, como a cada encontro o número de compositores participantes e mais pessoas da comunidade local só fazia aumentar, o simples encontro de amigos virou um projeto cultural, descontraído e sério ao mesmo tempo.

Agora chegou o primeiro disco: A Comunidade Samba da Vela (Pôr do Som, R$ 15 em média). São 20 músicas, conteúdo exclusivo de samba raiz, tradicional. Entre as faixas, só duas não são inéditas: A Comunidade Chora (Magnu, Maurílio, Edvaldo Galdino) e Madrinha (Edvaldo, Magnu, Paqüera), ambas gravadas pela bamba Beth Carvalho, madrinha do projeto. Vale mencionar que os fundadores do Samba da Vela, Magnu e Maurílio, que são irmãos, integram o respeitado Quinteto em Branco e Preto, grupo que já gravou outras sete músicas criadas no evento.

O CD foi registrado em duas etapas. "Fizemos quatro Samba da Vela no Estúdio Espaço Cachuera!, em São Paulo, e gravamos a voz do povo. Em cada dia, pelo menos 120 pessoas cantavam (não eram sempre as mesmas). Depois, em outro estúdio, colocamos os instrumentos sobre as vozes do pessoal", afirma Chapinha.

Além desses freqüentadores do projeto, o disco conta ainda com uma série de participações especiais, entre elas as das velhas guardas das escolas de samba paulistanas Camisa Verde e Branco e Nenê da Vila Matilde.

O que se ouve no álbum é um desfile de bons sambas. Como exemplos: Polivalente (Azambuja, Chapinha), que fala do gosto pelo partido-alto, "cantado e batido na palma da mão"; Minha Vida Melhorou (Rodrigo Junior, Japão, Willian Fialho), da vida em harmonia que um homem teve depois de conhecer uma boa mulher; e Forrobodó (Dú Oliveira), sobre o casal que não combina. Lançado semana passada em evento para convidados, o disco deve ganhar shows de lançamento ainda este ano.

Rosa, azul e branca – "Revelamos ao longo desses anos de 35 a 40 compositores. Boa parte deles escreveram as primeiras linhas no projeto. Tem gente de todas as idades. Por exemplo, de adolescentes até a Vó Suzana, 67 anos, que tem uma música no CD", diz Chapinha. O samba da Vó Suzana é Pra Vela Não se Apagar, uma canção muito bonita na qual a compositora revela o amor que tem pelo Samba da Vela (letra completa abaixo).

No fim de 2001, o projeto foi transferido do bar para a Casa de Cultura de Santo Amaro (praça Francisco Ferreira Lopes, 434, altura do 820 da av. João Dias. Tel.: 5522-8897). Lá, sempre às segundas-feiras, o samba come solto a partir das 20h30. Atualmente, cerca de 200 pessoas marcam presença a cada rodada. Uma contribuição de R$ 2 é pedida para pagar a sopa "maneira mesmo" que é servida no final. A vela, em geral, se apaga entre 23h e 23h30, dependendo da temperatura ambiente. Nas noites frias, dura mais. "Tem gente que gosta tanto do evento que quer acender vela de 7 dias", brinca Chapinha.

O Samba da Vela tem três versões. No dia em que os sambas são mostrados pela primeira vez, é vela rosa. Para a segunda apresentação das composições, vela azul. Quando os sambas já foram aprovadas e publicados em cadernos, o show tem vela branca.

Chapinha afirma que a aprovação das composições é feita pelo povo: "Se o público gostar, o samba vai para o caderno, e isso já ocorreu com cerca de 400 composições". Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas no site da internet www.sambadavela.com.br.

Pra Vela Não se Apagar (Vó Suzana)

‘Quando olhei a vela acesa
Rezei para ela não se apagar
Pois cantando
Eu esqueço as tristezas
E as amarguras
Que essa vida me dá
A vela ilumina os meus passos
E o samba ilumina o meu cantar
Por isso quando olhei a vela acesa
Rezei para ela não se apagar
O Samba da Vela
Reúne carinho e amor
O Samba da Vela
É o reduto do compositor
No Samba da Vela
Gostamos de nos encontrar
E rezamos juntos
Pra vela não se apagar’

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