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Salários: 95,6% têm aumento real


Anderson Amaral
Do Diário do Grande ABC

18/08/2006 | 08:25


Quase 96% das negociações de reajustes salariais registradas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no primeiro semestre conseguiu repor ao menos a inflação acumulada nos 12 meses anteriores à data-base. O resultado é o melhor para um primeiro semestre desde a criação do levantamento Balanço das Negociações de Reajustes Salariais, em 1996. Para o estudo, as decrescentes taxas inflacionárias verificadas neste ano possibilitaram os bons resultados.

Do total de 271 negociações acompanhadas pelo SAS (Sistema de Acompanhamento de Salários) do Dieese entre janeiro e junho deste ano, 259 (95,6%) terminaram em acordo igual ou superior ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e 81,9% (222) conquistaram aumentos reais de salário. Em apenas 4,4% dos casos os trabalhadores não conseguiram repor as perdas inflacionárias do ano anterior à data-base. Quando o parâmetro utilizado é o ICV (Índice de Custo de Vida), do Dieese, 97% das negociações superaram o indicador.

O levantamento revelou também que 35,4% dos acordos terminaram com aumento real (acima do INPC) até 1%; 25,5% conseguiram entre 1,01% e 2%; 13,7% tiveram de 2,01% a 3%; 4,4% alcançaram de 3,01% a 4%; 2,2% atingiram de 4,01% a 5%, e 0,7% das negociações conseguiram mais de 5% de aumento real.

Para o supervisor do escritório regional do Dieese, José Silvestre, a queda da inflação teve importância destacada nos resultados obtidos nas negociações. Prova disso é que a taxa recuou de 5% nos 12 meses anteriores a janeiro para 2,75% em junho. Silvestre ressalta, no entanto, que outros fatores também contribuíram para esse desempenho. “Além da inflação em queda, a perspectiva de melhor cenário econômico e a recuperação do salário mínimo também foram determinantes, assim como o esforço do movimento sindical para participar da riqueza gerada no período”, avalia o pesquisador.

Silvestre considera ainda que a expansão do mercado consumidor interno e a redução da taxa de juro básica, ainda que não acompanhada de queda substancial nos juros praticados pelo mercado, também favoreceram o cenário. “Deve-se destacar também que 2006 é um ano de eleições e Copa do Mundo, o que resulta em crescimento nos gastos com infra-estrutura e estimula alguns setores da economia, como o eletroeletrônico e o de bebidas”, ressalta.

Vantagens – O levantamento mostra também que, além de reajustes iguais ou superiores à inflação, os trabalhadores também conquistaram outras vantagens nos acordos firmados. Somente 4% das negociações acompanhadas pelo Dieese no primeiro semestre registraram a concessão de abonos salariais (prêmios não incorporados aos vencimentos regulares). Esse índice superou 15% em 1999 e oscilou entre 5% e 10% a partir de 2000.

Da mesma forma, o parcelamento de reajustes foi praticamente abandonado na primeira metade do ano, sendo adotado apenas em 3% das negociações, contra 30% em 2003. Por outro lado, o escalonamento de reajustes – correção diferenciada em função de faixas de rendimento – mostra trajetória relativamente estável, representando 12% dos acordos fechados no período.


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Salários: 95,6% têm aumento real

Anderson Amaral
Do Diário do Grande ABC

18/08/2006 | 08:25


Quase 96% das negociações de reajustes salariais registradas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no primeiro semestre conseguiu repor ao menos a inflação acumulada nos 12 meses anteriores à data-base. O resultado é o melhor para um primeiro semestre desde a criação do levantamento Balanço das Negociações de Reajustes Salariais, em 1996. Para o estudo, as decrescentes taxas inflacionárias verificadas neste ano possibilitaram os bons resultados.

Do total de 271 negociações acompanhadas pelo SAS (Sistema de Acompanhamento de Salários) do Dieese entre janeiro e junho deste ano, 259 (95,6%) terminaram em acordo igual ou superior ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e 81,9% (222) conquistaram aumentos reais de salário. Em apenas 4,4% dos casos os trabalhadores não conseguiram repor as perdas inflacionárias do ano anterior à data-base. Quando o parâmetro utilizado é o ICV (Índice de Custo de Vida), do Dieese, 97% das negociações superaram o indicador.

O levantamento revelou também que 35,4% dos acordos terminaram com aumento real (acima do INPC) até 1%; 25,5% conseguiram entre 1,01% e 2%; 13,7% tiveram de 2,01% a 3%; 4,4% alcançaram de 3,01% a 4%; 2,2% atingiram de 4,01% a 5%, e 0,7% das negociações conseguiram mais de 5% de aumento real.

Para o supervisor do escritório regional do Dieese, José Silvestre, a queda da inflação teve importância destacada nos resultados obtidos nas negociações. Prova disso é que a taxa recuou de 5% nos 12 meses anteriores a janeiro para 2,75% em junho. Silvestre ressalta, no entanto, que outros fatores também contribuíram para esse desempenho. “Além da inflação em queda, a perspectiva de melhor cenário econômico e a recuperação do salário mínimo também foram determinantes, assim como o esforço do movimento sindical para participar da riqueza gerada no período”, avalia o pesquisador.

Silvestre considera ainda que a expansão do mercado consumidor interno e a redução da taxa de juro básica, ainda que não acompanhada de queda substancial nos juros praticados pelo mercado, também favoreceram o cenário. “Deve-se destacar também que 2006 é um ano de eleições e Copa do Mundo, o que resulta em crescimento nos gastos com infra-estrutura e estimula alguns setores da economia, como o eletroeletrônico e o de bebidas”, ressalta.

Vantagens – O levantamento mostra também que, além de reajustes iguais ou superiores à inflação, os trabalhadores também conquistaram outras vantagens nos acordos firmados. Somente 4% das negociações acompanhadas pelo Dieese no primeiro semestre registraram a concessão de abonos salariais (prêmios não incorporados aos vencimentos regulares). Esse índice superou 15% em 1999 e oscilou entre 5% e 10% a partir de 2000.

Da mesma forma, o parcelamento de reajustes foi praticamente abandonado na primeira metade do ano, sendo adotado apenas em 3% das negociações, contra 30% em 2003. Por outro lado, o escalonamento de reajustes – correção diferenciada em função de faixas de rendimento – mostra trajetória relativamente estável, representando 12% dos acordos fechados no período.

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