Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 24 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

turismo@dgabc.com.br | 4435-8367

Cardápio exótico


Heloísa Cestari
Do Diário do Grande ABC

02/09/2010 | 07:05


A culinária paraense é caracterizada por sabores, aromas e aparências exóticos, resultado da imensa variedade de ervas extraídas da Amazônia e frutas só encontradas no Norte do País. Pratos que misturam a cultura lusitana com a influência dos temperos indígenas dão origem a especialidades como o tacacá, a maniçoba e o tradicional pato no tucupi, que estrela nas mesas para o almoço do domingo de Círio com a mesma pompa de um peru no Natal.

Reza a cartilha das boas maneiras que quem se hospeda na casa de parentes para participar do Círio de Nazaré deve, ao menos, se incumbir de "pagar o pato", que na receita leva um molho amarelo, de gosto amargo, feito do suco da mandioca ralada e folhas de jambu, verdura que causa leve dormência na língua.

Plantinha rasteira, considerada medicinal, afrodisíaca e recentemente patenteada pelo Japão para ser utilizada na fabricação de anestésicos, o jambu também integra outro pratos típicos. Entre eles, o tacacá, espécie de sopa feita com goma de mandioca, tucupi, camarão seco e pimenta-de-cheiro, encontrada em toda esquina de Belém.

Para tomar o preparado, outra regra de etiqueta pra lá de tribal: esqueça os talheres e meta a boca na tigela. É assim que pede a tradição indígena. Antes de arriscar fazer a receita em casa, no entanto, é bom ficar atento às formalidades: tanto no tacacá quanto no ensopado de pato, o suco do tucupi deve ser fervido horas a fio para perder o veneno.

Já a maniçoba - espécie de feijoada paraense que leva folha de mandioca no lugar de feijão -, é ainda mais radical: depois de moída, a folha da maniva (mandioca) deve ser fervida por nada menos que seis dias para perder de vez o veneno. Só depois deste lento processo é que são acrescentadas as demais iguarias suínas, como charque, bucho, toucinho, chouriço, mocotó, linguiça, paio, orelhas e pés de porco, ao gosto do cozinheiro. Para acompanhar, arroz e farinha d'água.

PEIXES E BÚFALOS
Quem prefere ingredientes menos pesados também pode recorrer à infinidade de peixes de água doce próprios dos rios amazônicos. Entre eles, tamuatã, filhote, pardo, tucunaré e tambaqui. Já na ilha de Marajó, o destaque fica por conta da manteiga, do queijo e da carne de búfalo, que rende pratos como o filé marajoara (bife do animal coberto com queijo de búfala derretido) e o frito do vaqueiro, originalmente criado para conservar a carne que serviria de alimento aos vaqueiros durante jornadas em locais isolados da ilha.

Neste caso, os cortes fritos do búfalo, como fraldinha e minguinha, não costumam levar temperos fortes, a fim de que os cubos de carne com farinha possam ser consumidos no café da manhã. Mas lembre-se de reservar um espaço no estômago também para a sobremesa. Afinal, dificilmente você encontrará geleias de açaí, bombons de cupuaçu, sorvetes de taperebá ou cremes de bacuri à disposição nos supermercados de São Paulo.

Nomes como uxi, graviola, buriti, tucumã, pupunha, sapoti, abricó, mangaba, muruci, araçá e marinamba completam o exótico cardápio de frutas regionais, para se esbaldar de comer e ‘ver o peso' depois.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;