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Rudge Ramos reúne tradições e antiguidades para todos os gostos

Andréa Iseki/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Bairro de S.Bernardo abriga sebo, relojoaria e barbeiro que corta cabelos masculinos há 50 anos


Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

10/05/2014 | 07:00


 Um dos bairros mais antigos de São Bernardo, o Rudge Ramos é conhecido por seus personagens tradicionais. Um deles está numa singela sala localizada em um dos prédios em frente ao Largo do Rudge. Logo na entrada, sua placa é a de maior destaque, em letras pretas num fundo prateado: Osvaldo – Barbeiro. Osvaldo Bento Alves, 73 anos, está há 50 deles cortando cabelos e fazendo barbas da gente de toda a cidade. Ali, Seo Osvaldo, como é conhecido, reuniu público fiel, de avôs a netos, como ele costuma dizer. “Faço cortes de crianças, da moda, e os mais tradicionais também. O cliente manda.”

Foi no Rudge que Seo Osvaldo se casou e onde teve quatro filhos, duas moças e dois rapazes. Três deles ainda vivem em São Bernardo, mas uma das moças morreu ainda aos 17 anos, numa viagem ao Litoral. “Foi quando pensei em deixar tudo para trás e voltar para o Interior. Mas toquei a vida e aqui estou.” Os filhos lhe deram quatro netos, de quem ele fala com brilho no olhar.

Após deixar o trabalho na roça em Paranapanema, no interior paulista, ainda adolescente Seo Osvaldo aprendeu o ofício com um antigo barbeiro da cidade. “Ele costumava tomar café com pinga o dia inteiro. Quando não estava bebendo, me ensinava a cortar cabelo e fazer barba.”

Já em São Bernardo, onde chegou por volta dos anos 1960, trabalhou com outros barbeiros do Rudge antes de abrir seu próprio salão, em 1970. “O primeiro foi o espanhol. Eu cortava os cabelos e ganhava fichas, que depois trocava pelo pagamento. Mas ele gostava sempre de pagar menos fichas do que eu realmente ganhava”, lembra.

Com clientela fiel, Seo Osvaldo não pensa em largar a profissão tão logo. “Enquanto tiver gente para cortar o cabelo, vou ficar por aqui.”

O TEMPO

Descendo as escadas e entrando na porta ao lado daquela que dá acesso à barbearia de Seo Osvaldo está a relojoaria do casal Erivaldo Rodrigues Dias, 46, e Telma Heid. Há 27 anos eles consertam relógios no Rudge Ramos. “Os mais antigos, com funcionamento mecânico, são os mais difíceis”, esclarece Dias.

Na loja há desde modelos modernos, com pulseiras coloridas e caras de bichinhos, a antigos cucos que anunciam a passagem do tempo.

O relojoeiro começou no ofício aos 12 anos e, desde então, está sempre cercado por relógios. “Não perco a hora nunca”, brinca. Os ponteiros são tão inseparáveis de sua história de vida que até mesmo a mulher ele conheceu enquanto arrumava um aparelho. “Trabalhava com reforma de mostradores, e ele sempre levava serviço na empresa. Estamos juntos até hoje”, relembra Telma.

E O SEBO

Numa travessa da Avenida Caminho do Mar, quase escondido por uma fachada de banco, está o sebo do jornalista Paulo Rosa, 52. Aberto há quase dez anos, o espaço reúne desde os tradicionais livros a gibis, discos e CDs.

Rosa abriu o sebo por gosto e necessidade. “A área de jornalismo estava difícil e fiquei sem emprego. Uma tia tinha um sebo em Suzano e sugeriu que montasse o meu aqui.”

No começo, os livros do sebo eram os exemplares de Rosa. Com o tempo, as portas abertas do estabelecimento e a simpatia do dono atraíram vendedores e compradores. O que Rosa mais gosta são os clássicos como Ernest Hemingway, Gabriel Garcia Marques e Graciliano Ramos. Mas o que ele mais vende são romances espíritas, talvez um alívio para a vida corrida que passa pelas avenidas do bairro.

Mercado municipal oferece aulas de crochê e tricô

O Mercado Municipal do Rudge Ramos não é só opção para fazer compras no bairro. Às terças e quintas-feiras pela manhã e à tarde, e aos sábados pela manhã, mulheres têm aula de crochê e tricô ali mesmo, em meio aos boxes que vendem desde alimentos a artigos de decoração.

Para participar das atividades, basta adquirir o material na loja que oferece as aulas e pagar taxa simbólica de R$ 8 por pessoa. “Ensinamos também técnicas como tapeçaria e bordados”, destaca a professora Adelina Patrício, 65 anos.

Uma das alunas é a pensionista Manoela Servilha Sganzela, 82, que mora há 11 anos próximo ao mercado. “Vivo em apartamento e me sinto numa gaiola. Aqui jogo conversa fora e faço novos amigos.”

A dona de casa Ivone Pereira Belucci, 64, também procura interação social no espaço, além de fazer presentes para os netos. “O de 5 meses ganhou roupinha há pouco tempo e agora estou fazendo uma blusa para o de 6 anos”, garante a vovó coruja.

Loja de surfe atrai os mais modernos

Na Rua João de Campos, a única referência ao mar é uma onda azul no muro da casa de número 80. É lá que está o Espaço Surf Allmada, que mistura loja, oficina de pranchas, escola e ponto de convivência para apaixonados pela água. Os proprietários são o casal Daniela e Ricardo Allmada, acompanhados de dois simpáticos cães enormes e um pé de romã que toma conta do quintal.

Daniela nasceu no Rudge e conta que o espaço começou bem simples. “Fazíamos pranchas artesanais aqui, onde também moramos. Aos poucos, fomos atendendo outras necessidades dos clientes e ampliando nossos serviços.”

Hoje eles oferecem curso de surfe para adultos iniciantes que têm pouca ou nenhuma experiência com ondas. Daniela explica que o curso tem duração de um fim de semana. No sábado, o aluno aprende a teoria na parte da manhã e, à tarde, treina os fundamentos em piscina de academia em São Caetano. Já no domingo, o grupo, com um instrutor para cada dois alunos, desce para a praia de Itaguaré, no Litoral Norte, e tenta se equilibrar sobre as pranchas. “Não precisa ter equipamento, pois fornecemos tudo. Basta ter vontade de aprender.” O custo é de R$ 350 por pessoa.

Para quem ainda não está preparado para ser tão radical, a opção é o stand up paddle, ali pertinho, no Riacho Grande. O grupo tem o divertido nome de Supirados, em alusão ao apelido do stand up, sup. Aos sábados e domingos, pela manhã, interessados pagam R$ 50 por uma hora e meia de aluguel da prancha especial para a prática do esporte, além de orientação de instrutores. Para participar, é preciso agendar, principalmente nos dias de calor.

Além disso, o espaço também tem oficina para consertos de pranchas, além de promover encontros entre os amantes das ondas e ainda arrecadar alimentos para instituições de caridade. “No começo achávamos que a localização seria um ponto fraco. Agora, porém, vemos que é o melhor do nosso espaço, porque vem quem realmente está interessado”, garante Daniela.

Tradicional quermesse do bairro chega à 85ª edição

A 85ª edição da Quermesse do Rudge Ramos, realizada pela Paróquia São João Batista, inicia os festejos no dia 16. Todas as sextas, sábados e domingos, até 13 de julho, o público poderá usufruir das tradicionais barracas de comidas e bebidas típicas, além de parque de diversões para a criançada e bingo com prendas especiais, como televisores, tablet, celulares, eletrodomésticos e uma moto zero-quilômetro.

Para Gian Carlos Montibeller, 40 anos, que integra a equipe de organização da quermesse neste ano, a festa se tornou tradição do bairro pela qualidade. “Os alimentos são ótimos e os prêmios especiais da barraca do bingo atraem os visitantes. Além disso, o local é seguro e tem ambiente familiar. Em todos estes anos a marca fundamental foi atender bem os participantes”, garante.



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Rudge Ramos reúne tradições e antiguidades para todos os gostos

Bairro de S.Bernardo abriga sebo, relojoaria e barbeiro que corta cabelos masculinos há 50 anos

Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

10/05/2014 | 07:00


 Um dos bairros mais antigos de São Bernardo, o Rudge Ramos é conhecido por seus personagens tradicionais. Um deles está numa singela sala localizada em um dos prédios em frente ao Largo do Rudge. Logo na entrada, sua placa é a de maior destaque, em letras pretas num fundo prateado: Osvaldo – Barbeiro. Osvaldo Bento Alves, 73 anos, está há 50 deles cortando cabelos e fazendo barbas da gente de toda a cidade. Ali, Seo Osvaldo, como é conhecido, reuniu público fiel, de avôs a netos, como ele costuma dizer. “Faço cortes de crianças, da moda, e os mais tradicionais também. O cliente manda.”

Foi no Rudge que Seo Osvaldo se casou e onde teve quatro filhos, duas moças e dois rapazes. Três deles ainda vivem em São Bernardo, mas uma das moças morreu ainda aos 17 anos, numa viagem ao Litoral. “Foi quando pensei em deixar tudo para trás e voltar para o Interior. Mas toquei a vida e aqui estou.” Os filhos lhe deram quatro netos, de quem ele fala com brilho no olhar.

Após deixar o trabalho na roça em Paranapanema, no interior paulista, ainda adolescente Seo Osvaldo aprendeu o ofício com um antigo barbeiro da cidade. “Ele costumava tomar café com pinga o dia inteiro. Quando não estava bebendo, me ensinava a cortar cabelo e fazer barba.”

Já em São Bernardo, onde chegou por volta dos anos 1960, trabalhou com outros barbeiros do Rudge antes de abrir seu próprio salão, em 1970. “O primeiro foi o espanhol. Eu cortava os cabelos e ganhava fichas, que depois trocava pelo pagamento. Mas ele gostava sempre de pagar menos fichas do que eu realmente ganhava”, lembra.

Com clientela fiel, Seo Osvaldo não pensa em largar a profissão tão logo. “Enquanto tiver gente para cortar o cabelo, vou ficar por aqui.”

O TEMPO

Descendo as escadas e entrando na porta ao lado daquela que dá acesso à barbearia de Seo Osvaldo está a relojoaria do casal Erivaldo Rodrigues Dias, 46, e Telma Heid. Há 27 anos eles consertam relógios no Rudge Ramos. “Os mais antigos, com funcionamento mecânico, são os mais difíceis”, esclarece Dias.

Na loja há desde modelos modernos, com pulseiras coloridas e caras de bichinhos, a antigos cucos que anunciam a passagem do tempo.

O relojoeiro começou no ofício aos 12 anos e, desde então, está sempre cercado por relógios. “Não perco a hora nunca”, brinca. Os ponteiros são tão inseparáveis de sua história de vida que até mesmo a mulher ele conheceu enquanto arrumava um aparelho. “Trabalhava com reforma de mostradores, e ele sempre levava serviço na empresa. Estamos juntos até hoje”, relembra Telma.

E O SEBO

Numa travessa da Avenida Caminho do Mar, quase escondido por uma fachada de banco, está o sebo do jornalista Paulo Rosa, 52. Aberto há quase dez anos, o espaço reúne desde os tradicionais livros a gibis, discos e CDs.

Rosa abriu o sebo por gosto e necessidade. “A área de jornalismo estava difícil e fiquei sem emprego. Uma tia tinha um sebo em Suzano e sugeriu que montasse o meu aqui.”

No começo, os livros do sebo eram os exemplares de Rosa. Com o tempo, as portas abertas do estabelecimento e a simpatia do dono atraíram vendedores e compradores. O que Rosa mais gosta são os clássicos como Ernest Hemingway, Gabriel Garcia Marques e Graciliano Ramos. Mas o que ele mais vende são romances espíritas, talvez um alívio para a vida corrida que passa pelas avenidas do bairro.

Mercado municipal oferece aulas de crochê e tricô

O Mercado Municipal do Rudge Ramos não é só opção para fazer compras no bairro. Às terças e quintas-feiras pela manhã e à tarde, e aos sábados pela manhã, mulheres têm aula de crochê e tricô ali mesmo, em meio aos boxes que vendem desde alimentos a artigos de decoração.

Para participar das atividades, basta adquirir o material na loja que oferece as aulas e pagar taxa simbólica de R$ 8 por pessoa. “Ensinamos também técnicas como tapeçaria e bordados”, destaca a professora Adelina Patrício, 65 anos.

Uma das alunas é a pensionista Manoela Servilha Sganzela, 82, que mora há 11 anos próximo ao mercado. “Vivo em apartamento e me sinto numa gaiola. Aqui jogo conversa fora e faço novos amigos.”

A dona de casa Ivone Pereira Belucci, 64, também procura interação social no espaço, além de fazer presentes para os netos. “O de 5 meses ganhou roupinha há pouco tempo e agora estou fazendo uma blusa para o de 6 anos”, garante a vovó coruja.

Loja de surfe atrai os mais modernos

Na Rua João de Campos, a única referência ao mar é uma onda azul no muro da casa de número 80. É lá que está o Espaço Surf Allmada, que mistura loja, oficina de pranchas, escola e ponto de convivência para apaixonados pela água. Os proprietários são o casal Daniela e Ricardo Allmada, acompanhados de dois simpáticos cães enormes e um pé de romã que toma conta do quintal.

Daniela nasceu no Rudge e conta que o espaço começou bem simples. “Fazíamos pranchas artesanais aqui, onde também moramos. Aos poucos, fomos atendendo outras necessidades dos clientes e ampliando nossos serviços.”

Hoje eles oferecem curso de surfe para adultos iniciantes que têm pouca ou nenhuma experiência com ondas. Daniela explica que o curso tem duração de um fim de semana. No sábado, o aluno aprende a teoria na parte da manhã e, à tarde, treina os fundamentos em piscina de academia em São Caetano. Já no domingo, o grupo, com um instrutor para cada dois alunos, desce para a praia de Itaguaré, no Litoral Norte, e tenta se equilibrar sobre as pranchas. “Não precisa ter equipamento, pois fornecemos tudo. Basta ter vontade de aprender.” O custo é de R$ 350 por pessoa.

Para quem ainda não está preparado para ser tão radical, a opção é o stand up paddle, ali pertinho, no Riacho Grande. O grupo tem o divertido nome de Supirados, em alusão ao apelido do stand up, sup. Aos sábados e domingos, pela manhã, interessados pagam R$ 50 por uma hora e meia de aluguel da prancha especial para a prática do esporte, além de orientação de instrutores. Para participar, é preciso agendar, principalmente nos dias de calor.

Além disso, o espaço também tem oficina para consertos de pranchas, além de promover encontros entre os amantes das ondas e ainda arrecadar alimentos para instituições de caridade. “No começo achávamos que a localização seria um ponto fraco. Agora, porém, vemos que é o melhor do nosso espaço, porque vem quem realmente está interessado”, garante Daniela.

Tradicional quermesse do bairro chega à 85ª edição

A 85ª edição da Quermesse do Rudge Ramos, realizada pela Paróquia São João Batista, inicia os festejos no dia 16. Todas as sextas, sábados e domingos, até 13 de julho, o público poderá usufruir das tradicionais barracas de comidas e bebidas típicas, além de parque de diversões para a criançada e bingo com prendas especiais, como televisores, tablet, celulares, eletrodomésticos e uma moto zero-quilômetro.

Para Gian Carlos Montibeller, 40 anos, que integra a equipe de organização da quermesse neste ano, a festa se tornou tradição do bairro pela qualidade. “Os alimentos são ótimos e os prêmios especiais da barraca do bingo atraem os visitantes. Além disso, o local é seguro e tem ambiente familiar. Em todos estes anos a marca fundamental foi atender bem os participantes”, garante.

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