Fechar
Publicidade

Domingo, 5 de Abril

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Street dance de Ribeirão: da rua para o auge


Roberta Nomura
Especial para o Diário

29/01/2006 | 09:30


O ano é 2000. Os 20 alunos de Sonia Aparecida Cabral estão prontos para sua primeira apresentação de dança de rua, realizada em uma escola estadual. No ano passado, 39 pupilos da mesma professora sobem ao palco do maior festival de dança do mundo, em Joinville (SC). O projeto, que começou há seis anos com uma “brincadeira”, chegou ao auge sem qualquer pretensão e hoje faz parte do sonho de 90 jovens que dedicam três horas semanais às aulas gratuitas de street dance.

Como sempre gostou de dança, a professora de Ciências e Biologia da Escola Estadual João Roncon, do Jardim Luzo, em Ribeirão Pires, decidiu montar um grupo de atividades fora dos horários de aula. A primeira turma de Sonia contava apenas com 20 alunos da 7ªsérie do ensino fundamental à 3ªsérie do ensino médio. “Esse é um grupo de muita vulnerabilidade às drogas e ao álcool. Como aqui não tem muita coisa para fazer, decidi ensaiar para eles terem alguma ocupação”, explica Sonia.

Com as apresentações em festivais e eventos fora da cidade, o projeto ganhou novas proporções e hoje é composto por 90 alunos, divididos em quatro turmas. “Comecei por amor à dança. Nunca imaginei que se transformaria em algo deste tamanho”, comemora a idealizadora, que conta com a ajuda da coordenadora da escola e uma psicóloga.

Como todo o trabalho é voluntário, muitos detalhes do projeto são improvisados. O espaço para os ensaios é o pátio da escola em que Sonia leciona. Os figurinos para apresentação são confeccionados graças ao dinheiro arrecadado em rifas ou bingos. As viagens também dependem de recursos obtidos com as famílias dos alunos ou eventos beneficentes. Mesmo com toda a dificuldade, o interesse pelas aulas de dança aumentam a cada ano. “Agora fazemos seletiva. Além de avaliar a forma de dançar, presto atenção no brilho do olhar para ver quem realmente quer se dedicar a isso”, revela Sonia. Outros pré-requisitos para fazer parte do seleto grupo são notas boas e não ter problemas de indisciplina.

Kátia Cristina Rezende, 15 anos, passou a fazer parte do projeto desde a primeira turma. Mas o comportamento e rendimento em sala de aula determinaram seu afastamento em 2003. “Aprendi a lição. Depois desse tempo, passei a me esforçar para não sair mais do grupo. Por causa dessa mudança minha mãe dá o maior incentivo”, conta.

Quem participa não quer mais sair. Flávio Assis Santana, 18 anos, terminou o ensino médio em 2004, mas não se desvinculou do grupo. Ao contrário. Após o primeiro contato com a dança de rua com Sonia, o garoto passou a se dedicar à atividade. “Gostei tanto que conseguia conciliar o projeto aqui e ainda dava aula para pessoas em Ouro Fino”, afirma. Outra pupila da professora de Ciências que não pretende deixar o grupo é Valéria Cristina de Araújo, 17. Formada no final do ano passado, a ex-aluna não quer ficar longe do projeto depois de ter feito parte desde a primeira turma. “Não tinha idéia de como era legal. Agora não consigo nem pensar em como vai ser”, diz.

A partir deste ano, Sonia pretende manter turmas formadas apenas por estudantes da escola, priorizando aqueles que ainda não tiveram oportunidade de participar, como também incentivar que os atuais alunos possam um dia também dar aulas.

Resultados positivos em festivais e constantes apresentações aumentaram a concorrência por uma vaga no projeto. “Quando fiz a seletiva tinha umas 30 pessoas e só podiam entrar seis. Quando vi meu nome fiquei muito feliz. Era meu sonho”, revela Jéssica França de Andrade, 15 anos. Com o grupo de dança, a jovem conheceu cidades a que nunca imaginou ter acesso. A viagem mais marcante foi para Joinville. “Minha família não tem muitos recursos. Tive de passar muito roupa para poder viajar, mas valeu muito a pena”, conta Jéssica.

Assim como a jovem, Sonia considera a participação no maior festival de dança do mundo como o ápice da história de seu projeto. “Não competimos, apenas participamos do palco aberto. Mas só de ter sido convidado foi uma glória”, diz. Para continuar a crescer, a professora espera contar com parcerias ou patrocínios.

Escola Estadual João Roncon – rua Guilhermina Roncon, 26, Jardim Luzo, Ribeirão Pires. Telefones: 4827-4000 / 4825-8951 / 9871-4485



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Street dance de Ribeirão: da rua para o auge

Roberta Nomura
Especial para o Diário

29/01/2006 | 09:30


O ano é 2000. Os 20 alunos de Sonia Aparecida Cabral estão prontos para sua primeira apresentação de dança de rua, realizada em uma escola estadual. No ano passado, 39 pupilos da mesma professora sobem ao palco do maior festival de dança do mundo, em Joinville (SC). O projeto, que começou há seis anos com uma “brincadeira”, chegou ao auge sem qualquer pretensão e hoje faz parte do sonho de 90 jovens que dedicam três horas semanais às aulas gratuitas de street dance.

Como sempre gostou de dança, a professora de Ciências e Biologia da Escola Estadual João Roncon, do Jardim Luzo, em Ribeirão Pires, decidiu montar um grupo de atividades fora dos horários de aula. A primeira turma de Sonia contava apenas com 20 alunos da 7ªsérie do ensino fundamental à 3ªsérie do ensino médio. “Esse é um grupo de muita vulnerabilidade às drogas e ao álcool. Como aqui não tem muita coisa para fazer, decidi ensaiar para eles terem alguma ocupação”, explica Sonia.

Com as apresentações em festivais e eventos fora da cidade, o projeto ganhou novas proporções e hoje é composto por 90 alunos, divididos em quatro turmas. “Comecei por amor à dança. Nunca imaginei que se transformaria em algo deste tamanho”, comemora a idealizadora, que conta com a ajuda da coordenadora da escola e uma psicóloga.

Como todo o trabalho é voluntário, muitos detalhes do projeto são improvisados. O espaço para os ensaios é o pátio da escola em que Sonia leciona. Os figurinos para apresentação são confeccionados graças ao dinheiro arrecadado em rifas ou bingos. As viagens também dependem de recursos obtidos com as famílias dos alunos ou eventos beneficentes. Mesmo com toda a dificuldade, o interesse pelas aulas de dança aumentam a cada ano. “Agora fazemos seletiva. Além de avaliar a forma de dançar, presto atenção no brilho do olhar para ver quem realmente quer se dedicar a isso”, revela Sonia. Outros pré-requisitos para fazer parte do seleto grupo são notas boas e não ter problemas de indisciplina.

Kátia Cristina Rezende, 15 anos, passou a fazer parte do projeto desde a primeira turma. Mas o comportamento e rendimento em sala de aula determinaram seu afastamento em 2003. “Aprendi a lição. Depois desse tempo, passei a me esforçar para não sair mais do grupo. Por causa dessa mudança minha mãe dá o maior incentivo”, conta.

Quem participa não quer mais sair. Flávio Assis Santana, 18 anos, terminou o ensino médio em 2004, mas não se desvinculou do grupo. Ao contrário. Após o primeiro contato com a dança de rua com Sonia, o garoto passou a se dedicar à atividade. “Gostei tanto que conseguia conciliar o projeto aqui e ainda dava aula para pessoas em Ouro Fino”, afirma. Outra pupila da professora de Ciências que não pretende deixar o grupo é Valéria Cristina de Araújo, 17. Formada no final do ano passado, a ex-aluna não quer ficar longe do projeto depois de ter feito parte desde a primeira turma. “Não tinha idéia de como era legal. Agora não consigo nem pensar em como vai ser”, diz.

A partir deste ano, Sonia pretende manter turmas formadas apenas por estudantes da escola, priorizando aqueles que ainda não tiveram oportunidade de participar, como também incentivar que os atuais alunos possam um dia também dar aulas.

Resultados positivos em festivais e constantes apresentações aumentaram a concorrência por uma vaga no projeto. “Quando fiz a seletiva tinha umas 30 pessoas e só podiam entrar seis. Quando vi meu nome fiquei muito feliz. Era meu sonho”, revela Jéssica França de Andrade, 15 anos. Com o grupo de dança, a jovem conheceu cidades a que nunca imaginou ter acesso. A viagem mais marcante foi para Joinville. “Minha família não tem muitos recursos. Tive de passar muito roupa para poder viajar, mas valeu muito a pena”, conta Jéssica.

Assim como a jovem, Sonia considera a participação no maior festival de dança do mundo como o ápice da história de seu projeto. “Não competimos, apenas participamos do palco aberto. Mas só de ter sido convidado foi uma glória”, diz. Para continuar a crescer, a professora espera contar com parcerias ou patrocínios.

Escola Estadual João Roncon – rua Guilhermina Roncon, 26, Jardim Luzo, Ribeirão Pires. Telefones: 4827-4000 / 4825-8951 / 9871-4485

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;