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Motoqueiros agridem e roubam idosas


Rafael Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

08/01/2012 | 07:00


Um soco no rosto e quatro dentes perdidos. Esse foi o pesadelo vivido por uma senhora de pouco mais de 80 anos na Vila Humaitá, em Santo André. Tudo por resistir a entregar sua bolsa a um ladrão que usava motocicleta. Dentro haviam apenas R$ 4, o troco de pequena compra que foi fazer, e as chaves de casa. Como ela, senhoras da região, incluindo Vila Linda e Vila América, são as vítimas favoritas de quadrilha de motoqueiros que vem agindo livremente, espalhando o medo entre as moradoras.

Joventina (nome fictício), 83, que o diga. Há cerca de 20 dias, voltava da farmácia às 9h quando recebeu um soco nas costas e teve sua bolsa roubada. Dias antes, viu uma colega ser roubada na sua frente. Há mais de 60 anos morando no local, disse que jamais imaginou passar por algo semelhante. Os R$ 25 que tinha pouco importava. A preocupação era com as chaves. "Pedi que trocassem a fechadura, vai que ele volta."

Medo é um sentimento comum nos bairros, que possuem grande população idosa, alvo preferencial dos bandidos. Pelos relatos, há vários deles atuando. Mas as características do veículo são iguais: moto preta com baú de carga atrás. O que leva a polícia a acreditar que sejam viciados buscando dinheiro para bancar suas drogas. Mas, receosas, não há nenhum caso registrado nos DPs da cidade.

O efeito é sentido na rotina das senhoras. Quase nenhuma quer dizer o nome. "Não coloca minha rua não, tá", pediu. Até para lavar o quintal, uma vigia a outra. O dinheiro e os demais pertences são escondidos nos bolsos. Bolsas, nem pensar.

 

Bom humor - Gilmar Jorge, 54 anos, trabalha em loja de bebidas e viu de perto a ação de um dos motoqueiros. "A senhora estava andando aqui em frente, ele passou, puxou, a empurrou e saiu correndo", disse. Segundo ele, as idosas ficam sem rumo. "Já vieram umas três aqui depois de serem roubadas. Coitadas, o choque é muito grande. Elas não esperam por esse tipo de coisa."

Joventina sente dores nas costas até agora. É a única lembrança que tem do dia. A rapidez com que o bandido atacou a deixou com sentimento estranho. "Não lembro de nada. Caminhei vendo tudo escuro." Felizmente, tudo passou e hoje a senhora garante que já anda novamente sozinha. "Minha filha ficou mais preocupada, diz que preciso ir morar com ela. Mas não vou deixar minha casinha por causa de um ladrão", completou.

O bom humor é uma das armas usadas pelas senhoras para superar o trauma. A diarista Marilene Fercundini, 64, estava sentada na porta de casa, por volta das 12h30, há dois meses, quando motoqueiro loiro se aproximou e pediu celular e dinheiro. "Falei que não tinha nada disso, pois estava apenas descansando na minha calçada. Ele me agradeceu e foi embora, sem nenhuma reação. Vê se pode." Apesar da seriedade, elas acreditam que isso é algo passageiro. "Quando prender um, para tudo", disse.

 

 

Vítimas preferem não registrar queixas na polícia

 

Apesar de os motoqueiros começarem as suas ações há cerca de dois meses e, segundo moradores, terem feito mais de 100 vítimas no período, uma curiosidade impediu a ação policial: a falta de registros dos casos. Com medo e despreocupadas com a baixa quantia financeira levada pelos bandidos, as idosas simplesmente não acionaram a Polícia Militar ou registraram ocorrências dos ataques no 3º DP (Vila Pires), que atende aaquela região.

Para investigar os acontecimentos, o delegado Marcos Cattani, temporariamente responsável pela área, pediu as imagens dos circuitos de filmagens de lojas e residências da região que flagaram ações dos bandidos.

"Infelizmente, só soubemos do ocorrido por terceiros, por isso é importante que se relate os crimes, pois só assim saberemos que está acontecendo esse tipo de ação", apontou.

Investigadores do DP deverão ir ao local nos próximos dias para encontrar vítimas, colher depoimentos e, assim, traçar o perfil dos motoqueiros. Ou de apenas um, já que até isso é incerto. "É um caso de fácil solução. Basta mapearmos os lugares onde mais acontecem esses ataques. Mas, para isso, é preciso que haja a notificação à polícia." Sabe-se, de imediato, além das características da motocicleta, que os roubos não têm horário definido para acontecer, apesar da prioridade ser para a manhã, quando as idosas saem mais para a rua.

Se estuda a possibilidade da facilidade de se roubar idosas, agravada ao fato de a polícia não ter sido acionada, ter atraído mais bandidos para esse tipo de crime.

A despreocupação das vítimas, que preferem não "levar a história para a frente" é visível. Joventina, mesmo agredida e roubada, preferiu não ir registrar queixa do crime que sofreu. Ficou com medo de ser seguida pelo motoqueiro. "Nem foi tanto dinheiro assim', refletiu.

Outra vítima vai além. "Quem garante que se a gente desse queixa, eles iam prender esse homem? É complicado", duvidou.



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Motoqueiros agridem e roubam idosas

Rafael Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

08/01/2012 | 07:00


Um soco no rosto e quatro dentes perdidos. Esse foi o pesadelo vivido por uma senhora de pouco mais de 80 anos na Vila Humaitá, em Santo André. Tudo por resistir a entregar sua bolsa a um ladrão que usava motocicleta. Dentro haviam apenas R$ 4, o troco de pequena compra que foi fazer, e as chaves de casa. Como ela, senhoras da região, incluindo Vila Linda e Vila América, são as vítimas favoritas de quadrilha de motoqueiros que vem agindo livremente, espalhando o medo entre as moradoras.

Joventina (nome fictício), 83, que o diga. Há cerca de 20 dias, voltava da farmácia às 9h quando recebeu um soco nas costas e teve sua bolsa roubada. Dias antes, viu uma colega ser roubada na sua frente. Há mais de 60 anos morando no local, disse que jamais imaginou passar por algo semelhante. Os R$ 25 que tinha pouco importava. A preocupação era com as chaves. "Pedi que trocassem a fechadura, vai que ele volta."

Medo é um sentimento comum nos bairros, que possuem grande população idosa, alvo preferencial dos bandidos. Pelos relatos, há vários deles atuando. Mas as características do veículo são iguais: moto preta com baú de carga atrás. O que leva a polícia a acreditar que sejam viciados buscando dinheiro para bancar suas drogas. Mas, receosas, não há nenhum caso registrado nos DPs da cidade.

O efeito é sentido na rotina das senhoras. Quase nenhuma quer dizer o nome. "Não coloca minha rua não, tá", pediu. Até para lavar o quintal, uma vigia a outra. O dinheiro e os demais pertences são escondidos nos bolsos. Bolsas, nem pensar.

 

Bom humor - Gilmar Jorge, 54 anos, trabalha em loja de bebidas e viu de perto a ação de um dos motoqueiros. "A senhora estava andando aqui em frente, ele passou, puxou, a empurrou e saiu correndo", disse. Segundo ele, as idosas ficam sem rumo. "Já vieram umas três aqui depois de serem roubadas. Coitadas, o choque é muito grande. Elas não esperam por esse tipo de coisa."

Joventina sente dores nas costas até agora. É a única lembrança que tem do dia. A rapidez com que o bandido atacou a deixou com sentimento estranho. "Não lembro de nada. Caminhei vendo tudo escuro." Felizmente, tudo passou e hoje a senhora garante que já anda novamente sozinha. "Minha filha ficou mais preocupada, diz que preciso ir morar com ela. Mas não vou deixar minha casinha por causa de um ladrão", completou.

O bom humor é uma das armas usadas pelas senhoras para superar o trauma. A diarista Marilene Fercundini, 64, estava sentada na porta de casa, por volta das 12h30, há dois meses, quando motoqueiro loiro se aproximou e pediu celular e dinheiro. "Falei que não tinha nada disso, pois estava apenas descansando na minha calçada. Ele me agradeceu e foi embora, sem nenhuma reação. Vê se pode." Apesar da seriedade, elas acreditam que isso é algo passageiro. "Quando prender um, para tudo", disse.

 

 

Vítimas preferem não registrar queixas na polícia

 

Apesar de os motoqueiros começarem as suas ações há cerca de dois meses e, segundo moradores, terem feito mais de 100 vítimas no período, uma curiosidade impediu a ação policial: a falta de registros dos casos. Com medo e despreocupadas com a baixa quantia financeira levada pelos bandidos, as idosas simplesmente não acionaram a Polícia Militar ou registraram ocorrências dos ataques no 3º DP (Vila Pires), que atende aaquela região.

Para investigar os acontecimentos, o delegado Marcos Cattani, temporariamente responsável pela área, pediu as imagens dos circuitos de filmagens de lojas e residências da região que flagaram ações dos bandidos.

"Infelizmente, só soubemos do ocorrido por terceiros, por isso é importante que se relate os crimes, pois só assim saberemos que está acontecendo esse tipo de ação", apontou.

Investigadores do DP deverão ir ao local nos próximos dias para encontrar vítimas, colher depoimentos e, assim, traçar o perfil dos motoqueiros. Ou de apenas um, já que até isso é incerto. "É um caso de fácil solução. Basta mapearmos os lugares onde mais acontecem esses ataques. Mas, para isso, é preciso que haja a notificação à polícia." Sabe-se, de imediato, além das características da motocicleta, que os roubos não têm horário definido para acontecer, apesar da prioridade ser para a manhã, quando as idosas saem mais para a rua.

Se estuda a possibilidade da facilidade de se roubar idosas, agravada ao fato de a polícia não ter sido acionada, ter atraído mais bandidos para esse tipo de crime.

A despreocupação das vítimas, que preferem não "levar a história para a frente" é visível. Joventina, mesmo agredida e roubada, preferiu não ir registrar queixa do crime que sofreu. Ficou com medo de ser seguida pelo motoqueiro. "Nem foi tanto dinheiro assim', refletiu.

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