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Trabalho dos bombeiros inspira Jéssica


Do Diário do Grande ABC

08/01/2012 | 07:00


* Perfil: Jéssica Rangel Pereira, 17 anos, de Diadema. "Sou uma garota bem típica. Gosto de passear no shopping, sair com o namorado, ir para a balada e assistir a um bom filme. Também amo ler. A leitura permite entrar em um mundo onde todas as tristezas do dia a dia não existem. Entre meus autores preferidos, está Caio Fernando Abreu. Parece que me conhece como ninguém. Todos os seus livros simplesmente me fascinam."

 

Preguiça? Só se for o bicho

Em um dia qualquer de verão, quando o sol parece tomado de paixão, pintando o céu de vermelho e tornando ardente o calor da tarde, surge grande incêndio na floresta, causado por bituca de cigarro. O fogo é tão intenso, que mesmo a quilômetros da cidade, a fumaça é vista pela população, despertando curiosidade sobre o que estaria acontecendo. O corpo de bombeiros é chamado e, a princípio, o objetivo é impedir o fogo de se alastrar, já que seria praticamente impossível encontrar alguém ali com vida.

Ao chegarem, ficam estarrecidos com o enorme clarão que se levanta e se expande em tons crescentes de amarelo-ouro, laranja e púrpura, seguido de ondas cinzentas que formam mar de fumaça, dominando o espaço celeste. Um verdadeiro espetáculo a olho nu, jamais presenciado em suas jornadas de trabalho. Como pode luz tão bonita e forte ser a causa de tamanha ruína?

Basicamente, a visão dos bombeiros é de destruição. O que mais pedem (a Deus ou sabe-se lá a quem) é que as vidas que ali estivessem pudessem se salvar sozinhas, porque não havia condições de fazer buscas. O tempo foi passando e o fogo se acalmando, porém ainda se espalhava pelas extremidades da floresta. Com olhar fixo no fogo da mata, um dos bombeiros mira o jato de água além das chamas, com esperança de contê-lo. Em meio a fumaça, algo se move. Seu instinto profissional o guia até lá.

Os outros homens não conseguem acreditar no que ele estava fazendo. Todos gritavam desesperadamente para que voltasse, pois era perigoso demais. O trabalho do bombeiro é se arriscar, mas aquele incêndio era indescritível, parecia que tinha vida própria. O bombeiro temerário teve de se esforçar para chegar perto da árvore, já que o calor era incessante. Ao se aproximar, viu que realmente havia algo e que precisava de ajuda. Naquele instante, o homem estava ali não mais pela profissão, mas pelo seu coração e pelo valor que dava à vida.

Com grande esforço e sem hesitar, o bom bombeiro conseguiu, enfim, resgatar aquela vida que, consciente ou não, lutava para continuar neste mundo. Os outros bombeiros também agiram com êxito e deixaram o fogo sob controle. Todos estavam preocupados com o companheiro de trabalho que tinha adentrado aquele cenário suicida. Para felicidade geral, avistaram-no voltando com algo no colo. Ao se aproximarem, muitos não conseguiram acreditar no que viam: um bicho-preguiça!

A maioria questionou por que de ter arriscado sua vida para salvar um animal. Se fosse uma pessoa - que era o que todos esperavam - tudo bem. Mas não! Aos ouvidos do nobre bombeiro, as vozes sumiram. Ele ensurdeceu-se para críticas e sentou-se no chão para dar, gentilmente, água para o bichinho. Só o seu bem-estar importava.

Para acabar com o interrogatório, o bombeiro se levantou e, ainda com o animal no colo, resolveu dizer: "Ao me tornar bombeiro fiz o juramento de proteger a vida, o meio ambiente e o patrimônio da sociedade em quaisquer circunstâncias. Ao salvar este animal nada mais fiz do que honrá-lo. Ele tem o direito à vida. Enquanto eu estiver no meu posto de trabalho, seguirei esse lema". O silêncio impregnou aquele momento. De tudo poderiam os colegas tê-lo chamado, menos de bicho-preguiça. Essa certeza ele tinha!

* Gostou do texto de Jéssica? Você também pode mandar o seu. Envie contos, poesias, opiniões e até histórias em quadrinhos para o D+ (d+@dgabc.com.br).



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Trabalho dos bombeiros inspira Jéssica

Do Diário do Grande ABC

08/01/2012 | 07:00


* Perfil: Jéssica Rangel Pereira, 17 anos, de Diadema. "Sou uma garota bem típica. Gosto de passear no shopping, sair com o namorado, ir para a balada e assistir a um bom filme. Também amo ler. A leitura permite entrar em um mundo onde todas as tristezas do dia a dia não existem. Entre meus autores preferidos, está Caio Fernando Abreu. Parece que me conhece como ninguém. Todos os seus livros simplesmente me fascinam."

 

Preguiça? Só se for o bicho

Em um dia qualquer de verão, quando o sol parece tomado de paixão, pintando o céu de vermelho e tornando ardente o calor da tarde, surge grande incêndio na floresta, causado por bituca de cigarro. O fogo é tão intenso, que mesmo a quilômetros da cidade, a fumaça é vista pela população, despertando curiosidade sobre o que estaria acontecendo. O corpo de bombeiros é chamado e, a princípio, o objetivo é impedir o fogo de se alastrar, já que seria praticamente impossível encontrar alguém ali com vida.

Ao chegarem, ficam estarrecidos com o enorme clarão que se levanta e se expande em tons crescentes de amarelo-ouro, laranja e púrpura, seguido de ondas cinzentas que formam mar de fumaça, dominando o espaço celeste. Um verdadeiro espetáculo a olho nu, jamais presenciado em suas jornadas de trabalho. Como pode luz tão bonita e forte ser a causa de tamanha ruína?

Basicamente, a visão dos bombeiros é de destruição. O que mais pedem (a Deus ou sabe-se lá a quem) é que as vidas que ali estivessem pudessem se salvar sozinhas, porque não havia condições de fazer buscas. O tempo foi passando e o fogo se acalmando, porém ainda se espalhava pelas extremidades da floresta. Com olhar fixo no fogo da mata, um dos bombeiros mira o jato de água além das chamas, com esperança de contê-lo. Em meio a fumaça, algo se move. Seu instinto profissional o guia até lá.

Os outros homens não conseguem acreditar no que ele estava fazendo. Todos gritavam desesperadamente para que voltasse, pois era perigoso demais. O trabalho do bombeiro é se arriscar, mas aquele incêndio era indescritível, parecia que tinha vida própria. O bombeiro temerário teve de se esforçar para chegar perto da árvore, já que o calor era incessante. Ao se aproximar, viu que realmente havia algo e que precisava de ajuda. Naquele instante, o homem estava ali não mais pela profissão, mas pelo seu coração e pelo valor que dava à vida.

Com grande esforço e sem hesitar, o bom bombeiro conseguiu, enfim, resgatar aquela vida que, consciente ou não, lutava para continuar neste mundo. Os outros bombeiros também agiram com êxito e deixaram o fogo sob controle. Todos estavam preocupados com o companheiro de trabalho que tinha adentrado aquele cenário suicida. Para felicidade geral, avistaram-no voltando com algo no colo. Ao se aproximarem, muitos não conseguiram acreditar no que viam: um bicho-preguiça!

A maioria questionou por que de ter arriscado sua vida para salvar um animal. Se fosse uma pessoa - que era o que todos esperavam - tudo bem. Mas não! Aos ouvidos do nobre bombeiro, as vozes sumiram. Ele ensurdeceu-se para críticas e sentou-se no chão para dar, gentilmente, água para o bichinho. Só o seu bem-estar importava.

Para acabar com o interrogatório, o bombeiro se levantou e, ainda com o animal no colo, resolveu dizer: "Ao me tornar bombeiro fiz o juramento de proteger a vida, o meio ambiente e o patrimônio da sociedade em quaisquer circunstâncias. Ao salvar este animal nada mais fiz do que honrá-lo. Ele tem o direito à vida. Enquanto eu estiver no meu posto de trabalho, seguirei esse lema". O silêncio impregnou aquele momento. De tudo poderiam os colegas tê-lo chamado, menos de bicho-preguiça. Essa certeza ele tinha!

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