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Uma estorinha...

E os dois viveram felizes para sempre. Terminou assim. Quer dizer, talvez não tão felizes, e ‘para sempre' talvez seja um pouco de exagero


Carlos Ferrari

20/10/2010 | 00:00


E os dois viveram felizes para sempre. Terminou assim. Quer dizer, talvez não tão felizes, e ‘para sempre' talvez seja um pouco de exagero. Mas com certeza viveram e um dia se conheceram.

O amor não foi à primeira vista, já que um dos dois não enxergava, mas há quem diga que talvez tenha sido ao primeiro sorriso. Mateus e Julia, donos de nome da moda, poderiam ainda ser quem sabe João e Maria, Paulo e Cristina, enfim, poderiam ser tantos outros casais anônimos com uma história parecida, se não fosse o fato de que uma das partes não podia ver a outra.

Nossos personagens se conheceram em uma festa, ou será que foi em um ponto de ônibus? Pensando bem deve ter sido em um cruzamento movimentado da São Paulo que nunca para, ou bem provavelmente em meio a uma aula de História ou Geografia. Mas, como rolou a paquera se não teve troca de olhares? Calma, calma, caro leitor, não fique sem graça de fazer uma pergunta como essa! Tenha certeza: você não foi o primeiro ou primeira a perguntar.

Nossa historinha traz o ocorrido entre um casal que se encantou e se apaixonou por tantas outras coisas, que não foi necessária nenhuma piscada de olhos para que rapidamente pudessem estar juntos. O perfume dela, o jeito engraçado e às vezes decidido pelo qual ele se colocava; ela com aqueles cabelos longos e macios, ele com um tom de voz que dizia tudo sem precisar dizer quase nada. Aquela química no ar, impossível de não ser percebida, tinha um poder à prova de qualquer preconceito ou do medo do que poderiam dizer mais tarde.

Como em toda história de amor, é claro que nem tudo foram flores para os pombinhos apaixonados. Praticar a diversidade pode causar estranhamento ou, como se diz popularmente, uma pequena torção de nariz de uma sociedade acostumada, sabe-se lá por quem, a esperar ‘casais-padrão'. Sempre, então, os dois da mesma idade, da mesma raça, da mesma classe social, só nunca do mesmo sexo. Surdo com surda, cego com cega, a gordinha com gordinho. Felizmente porém, nossos personagens além de muita paixão e amor, também sempre tiveram muito bom humor, ingrediente indispensável nos dias de hoje para entender muitas vezes uma sociedade em alguns casos ainda tão conservadora.

Nossa historinha fala sobre conquista e sedução sem a necessidade do olhar. Fala da paixão e do relacionamento entre pessoas em condições diferentes. Enfim, fala de coisas óbvias, porém, ainda para muitos, possibilidades para lá do impossíveis.

Vivemos em uma sociedade cada vez mais pautada pelo visual e pela padronização. Muitos, então, desconsideram o fato de se sentir atraídos por outra pessoa, priorizando aquela que possa ser mais interessante para ostentar socialmente. Quem já não viu em uma roda de amigos uma piadinha, expondo ao ridículo aquele que saiu com a feia?

Certa vez, uma amiga cega, na oportunidade grávida, estava no ônibus voltando para casa quando ouviu: "Quem foi o cafajeste que fez isso com a moça?" Isso mostra que, mais do que desconsiderar o amor construído a partir da diversidade, muitos ainda precisam aprender que amar nunca é pecado!



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Uma estorinha...

E os dois viveram felizes para sempre. Terminou assim. Quer dizer, talvez não tão felizes, e ‘para sempre' talvez seja um pouco de exagero

Carlos Ferrari

20/10/2010 | 00:00


E os dois viveram felizes para sempre. Terminou assim. Quer dizer, talvez não tão felizes, e ‘para sempre' talvez seja um pouco de exagero. Mas com certeza viveram e um dia se conheceram.

O amor não foi à primeira vista, já que um dos dois não enxergava, mas há quem diga que talvez tenha sido ao primeiro sorriso. Mateus e Julia, donos de nome da moda, poderiam ainda ser quem sabe João e Maria, Paulo e Cristina, enfim, poderiam ser tantos outros casais anônimos com uma história parecida, se não fosse o fato de que uma das partes não podia ver a outra.

Nossos personagens se conheceram em uma festa, ou será que foi em um ponto de ônibus? Pensando bem deve ter sido em um cruzamento movimentado da São Paulo que nunca para, ou bem provavelmente em meio a uma aula de História ou Geografia. Mas, como rolou a paquera se não teve troca de olhares? Calma, calma, caro leitor, não fique sem graça de fazer uma pergunta como essa! Tenha certeza: você não foi o primeiro ou primeira a perguntar.

Nossa historinha traz o ocorrido entre um casal que se encantou e se apaixonou por tantas outras coisas, que não foi necessária nenhuma piscada de olhos para que rapidamente pudessem estar juntos. O perfume dela, o jeito engraçado e às vezes decidido pelo qual ele se colocava; ela com aqueles cabelos longos e macios, ele com um tom de voz que dizia tudo sem precisar dizer quase nada. Aquela química no ar, impossível de não ser percebida, tinha um poder à prova de qualquer preconceito ou do medo do que poderiam dizer mais tarde.

Como em toda história de amor, é claro que nem tudo foram flores para os pombinhos apaixonados. Praticar a diversidade pode causar estranhamento ou, como se diz popularmente, uma pequena torção de nariz de uma sociedade acostumada, sabe-se lá por quem, a esperar ‘casais-padrão'. Sempre, então, os dois da mesma idade, da mesma raça, da mesma classe social, só nunca do mesmo sexo. Surdo com surda, cego com cega, a gordinha com gordinho. Felizmente porém, nossos personagens além de muita paixão e amor, também sempre tiveram muito bom humor, ingrediente indispensável nos dias de hoje para entender muitas vezes uma sociedade em alguns casos ainda tão conservadora.

Nossa historinha fala sobre conquista e sedução sem a necessidade do olhar. Fala da paixão e do relacionamento entre pessoas em condições diferentes. Enfim, fala de coisas óbvias, porém, ainda para muitos, possibilidades para lá do impossíveis.

Vivemos em uma sociedade cada vez mais pautada pelo visual e pela padronização. Muitos, então, desconsideram o fato de se sentir atraídos por outra pessoa, priorizando aquela que possa ser mais interessante para ostentar socialmente. Quem já não viu em uma roda de amigos uma piadinha, expondo ao ridículo aquele que saiu com a feia?

Certa vez, uma amiga cega, na oportunidade grávida, estava no ônibus voltando para casa quando ouviu: "Quem foi o cafajeste que fez isso com a moça?" Isso mostra que, mais do que desconsiderar o amor construído a partir da diversidade, muitos ainda precisam aprender que amar nunca é pecado!

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