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Dança de gente madura


Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

20/10/2010 | 07:12


A batalha começou há mais de 50 anos e ainda não acabou. A tal peleja - sem perdedor ou vencedor - é travada diariamente por Mikhail Baryshnikov, 62 anos, durante trabalho com a dança. "Você luta com o corpo a cada ano, a cada dia e a cada segundo. Não é sempre uma experiência prazerosa. Na maior parte do tempo é dolorosa, mas tem de ser feita."

Ao esforço exaustivo, o bailarino e a espanhola Ana Laguna, 54, estão habituados. Assim, a aposentadoria permanece distante. Tanto que em 2009, estrearam o espetáculo contemporâneo Três Solos e Um Dueto, projeto idealizado pelo coreógrafo sueco Mats Ek, marido de Ana. A première aconteceu em Estocolmo. Também estiveram em outros países da Europa e nos Estados Unidos.

Nesta semana, desembarcaram no Brasil, por onde iniciam turnê sul-americana. Passarão por São Paulo, com espetáculo hoje, às 21h, no Teatro Alfa, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília e Manaus, onde encerram temporada no Teatro Amazonas. Na maioria das cidades, os ingressos esgotaram em cerca de quatro dias.

No início da semana, a dupla concedeu entrevista coletiva na Capital. Tímida, Ana foi quem menos falou. "Prefiro dançar a responder perguntas." Coube ao dono dos reluzentes olhos azuis oferecer a maioria das respostas aos jornalistas.

As coreografias de Três Solos e Um Dueto foram feitas ou adequadas ao corpo e possibilidades dos veteranos. Entretanto, o público não deve confundir maturidade com limitação. Em Place, de Mats Ek (que também assina Solo For Two), a dupla mostra grande vigor durante ininterruptos 22 minutos. No programa, há ainda Valse-Fantasie, do russo Alexei Ratmansky, e Years Later, do francês Benjamin Millepied.

Em nenhuma das peças coreográficas os bailarinos interpretam personagens. "Somos nós. Não estamos fazendo nenhum papel. É muito tarde em nossas vidas para isso", ressalta Baryshnikov.

Histórias com personagens são características do balé clássico, estilo com o qual ele e Ana iniciaram a carreira. Mas isso foi há muito tempo e desse mundo, confessam, não sentem saudade.

Entretanto, o bailarino revela que não abandonou as aulas de balé; as faz constantemente para preparar o corpo. Também aderiu à ioga e fisioterapia. Faz o que for necessário para cumprir aquilo que se propôs a fazer. "Nunca é fácil acordar, trabalhar todo o dia e se apresentar. Mas esse é o trabalho", afirma Baryshnikov, que nasceu em Riga, Letônia (ex-integrante da União Soviética) e exilou-se em 1974 no Canadá.

BRASIL
Baryshnikov esteve no Brasil pela última vez em 2007 com a companhia Hell's Kitchen Dance. "É grande responsabilidade dançar neste País porque há fatores genéticos e culturais que fazem com que o público brasileiro saiba o que é bom e o que não é." Ana esteve aqui em quatro ocasiões.

Apesar de ser uma das grandes lendas vivas da dança, Baryshnikov rejeita título de o melhor do século 20. "Não é esporte. Alguns gostam do meu trabalho, outros não. É uma opinião subjetiva. Fazemos o que temos de fazer. Quem é o melhor ou está no topo não importa. É uma grande tolice."

Arrependimentos? Baryshnikov menciona um: não ter trabalhado com a coreógrafa Pina Bausch, que faleceu em 2009, pouco antes de se apresentar no Brasil. Defeitos? "Felizmente ou infelizmente, não sei, nunca tive talento e gêneses para coreografar. Não sou escritor, pintor, cineasta. Sou apenas bailarino, um instrumento na mão de outras pessoas."

E sobre o adeus aos palcos? "Se vou sentir falta quando parar de dançar um dia? Provavelmente. Mas eu não sei. Só vou descobrir quando acontecer."



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Dança de gente madura

Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

20/10/2010 | 07:12


A batalha começou há mais de 50 anos e ainda não acabou. A tal peleja - sem perdedor ou vencedor - é travada diariamente por Mikhail Baryshnikov, 62 anos, durante trabalho com a dança. "Você luta com o corpo a cada ano, a cada dia e a cada segundo. Não é sempre uma experiência prazerosa. Na maior parte do tempo é dolorosa, mas tem de ser feita."

Ao esforço exaustivo, o bailarino e a espanhola Ana Laguna, 54, estão habituados. Assim, a aposentadoria permanece distante. Tanto que em 2009, estrearam o espetáculo contemporâneo Três Solos e Um Dueto, projeto idealizado pelo coreógrafo sueco Mats Ek, marido de Ana. A première aconteceu em Estocolmo. Também estiveram em outros países da Europa e nos Estados Unidos.

Nesta semana, desembarcaram no Brasil, por onde iniciam turnê sul-americana. Passarão por São Paulo, com espetáculo hoje, às 21h, no Teatro Alfa, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília e Manaus, onde encerram temporada no Teatro Amazonas. Na maioria das cidades, os ingressos esgotaram em cerca de quatro dias.

No início da semana, a dupla concedeu entrevista coletiva na Capital. Tímida, Ana foi quem menos falou. "Prefiro dançar a responder perguntas." Coube ao dono dos reluzentes olhos azuis oferecer a maioria das respostas aos jornalistas.

As coreografias de Três Solos e Um Dueto foram feitas ou adequadas ao corpo e possibilidades dos veteranos. Entretanto, o público não deve confundir maturidade com limitação. Em Place, de Mats Ek (que também assina Solo For Two), a dupla mostra grande vigor durante ininterruptos 22 minutos. No programa, há ainda Valse-Fantasie, do russo Alexei Ratmansky, e Years Later, do francês Benjamin Millepied.

Em nenhuma das peças coreográficas os bailarinos interpretam personagens. "Somos nós. Não estamos fazendo nenhum papel. É muito tarde em nossas vidas para isso", ressalta Baryshnikov.

Histórias com personagens são características do balé clássico, estilo com o qual ele e Ana iniciaram a carreira. Mas isso foi há muito tempo e desse mundo, confessam, não sentem saudade.

Entretanto, o bailarino revela que não abandonou as aulas de balé; as faz constantemente para preparar o corpo. Também aderiu à ioga e fisioterapia. Faz o que for necessário para cumprir aquilo que se propôs a fazer. "Nunca é fácil acordar, trabalhar todo o dia e se apresentar. Mas esse é o trabalho", afirma Baryshnikov, que nasceu em Riga, Letônia (ex-integrante da União Soviética) e exilou-se em 1974 no Canadá.

BRASIL
Baryshnikov esteve no Brasil pela última vez em 2007 com a companhia Hell's Kitchen Dance. "É grande responsabilidade dançar neste País porque há fatores genéticos e culturais que fazem com que o público brasileiro saiba o que é bom e o que não é." Ana esteve aqui em quatro ocasiões.

Apesar de ser uma das grandes lendas vivas da dança, Baryshnikov rejeita título de o melhor do século 20. "Não é esporte. Alguns gostam do meu trabalho, outros não. É uma opinião subjetiva. Fazemos o que temos de fazer. Quem é o melhor ou está no topo não importa. É uma grande tolice."

Arrependimentos? Baryshnikov menciona um: não ter trabalhado com a coreógrafa Pina Bausch, que faleceu em 2009, pouco antes de se apresentar no Brasil. Defeitos? "Felizmente ou infelizmente, não sei, nunca tive talento e gêneses para coreografar. Não sou escritor, pintor, cineasta. Sou apenas bailarino, um instrumento na mão de outras pessoas."

E sobre o adeus aos palcos? "Se vou sentir falta quando parar de dançar um dia? Provavelmente. Mas eu não sei. Só vou descobrir quando acontecer."

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