Fechar
Publicidade

Sábado, 28 de Maio

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Bebê fica 68h com moeda entalada na garganta


Illenia Negrin
Do Diário do Grande ABC

08/03/2005 | 14:19


Depois de esperar 68 horas por atendimento, Natally Vitória do Carmo Ramos, 1 ano, foi submetida segunda-feira à endoscopia que retirou a moeda de R$ 0,10 alojada em sua garganta desde sexta-feira. Durante quase três dias, a menina permaneceu internada no PS (Pronto-Socorro) Central de São Bernardo e não pôde ingerir qualquer alimento ou água, na espera por uma vaga em hospital público que realizasse o procedimento. Segundo a mãe, Sandra Regina do Carmo Ramos, a equipe médica garantiu a transferência de Natally para a extração do objeto no sábado de manhã. Mas só no início da tarde de segunda-feira a paciente foi encaminhada ao Hospital Estadual da Vila Alpina, na capital.

Prefeitura e Secretaria Estadual de Saúde não se entendem quanto à responsabilidade pela demora na solução do problema de Natally, que permanece internada no PS Central com infecção na garganta e se alimentando por meio de sonda, mesmo livre da moeda. “Ela passou tanto tempo com a moeda entalada que pegou uma infecção horrível. Ficou quase três dias inteiros com a moeda. E a endoscopia levou oito minutos para resolver. Ela es-tá tão fraquinha que mal consegue falar ‘mamãe’”, conta Sandra.

Não há no Grande ABC nenhum centro público de atendimento à saúde que realize a endoscopia infantil. Todos os casos são encaminhados a hospitais da capital, por intermédio do Plantão Controlador de Vagas, serviço do Estado que busca vagas em todos os postos da rede em casos de urgência e emergência incapazes de ser atendidas no município de origem. A Secretaria afirma que o PS só informou o plantão sobre o caso ao meio-dia de sábado. A chefe da divisão de Prontos-Socorros de São Bernardo, Monica Carneiro, rebate a informação, apesar de admitir que, formalmente, a Estado só foi avisado por volta das 11h30.

Segundo ela, Natally só conseguiu uma vaga na tarde de terça-feira no Hospital da Vila Alpina porque o endoscopista do PS Central trabalha também na capital e tem “bons contatos”. “Se fôssemos esperar pelo Plantão Controlador, a garota estaria até agora com a moeda parada na garganta. Tem sido muito difícil conseguir vagas por intermédio do Estado. Durante toda a manhã de sábado, fizemos contatos com cinco hospitais, e só conseguimos o do Vila Alpina hoje (segunda-feira).”

A chefe dos Prontos-Socorros sustenta que, assim que foi constatada a necessidade do procedimento, às 22h de sexta-feira, a equipe do PS Central iniciou a procura pela vaga na rede pública. Esta é a segunda vez em uma semana que uma criança de São Bernardo sofre com a espera por uma vaga na endoscopia para retirada de moeda. No final de semana passado, Yasmin Rolim, 2 anos e 6 meses, só conseguiu se livrar do objeto depois de 34 horas com o objeto metálico de R$ 0,25 parado em sua garganta, também num hospital da capital.

A Secretaria Estadual de Saúde informou, via assessoria de imprensa, que todos os pacientes infantis da região que carecem de endoscopia são encaminhados para o Hospital São Paulo, conveniado do SUS (Sistema Único de Saúde). O equipamento do centro, que é referência para o Grande ABC segundo a assessoria, está quebrado, por isso a demora em encontrar outra vaga disponível. O Hospital Estadual Mario Covas, em Santo André, só conta com o endoscópio próprio para realizar o procedimento em adultos. Para facilitar o acesso das crianças, o Estado, ainda segundo a assessoria, estuda a possibilidade de comprar um equipamento apropriado para a região, sem, no entanto, definir prazos.

Cuidado – A ingestão de objetos estranhos é muito comum entre crianças, segundo a pediatra Maria Aparecida Dix Chehab, docente da Faculdade de Medicina do ABC, que há 20 anos trabalha no atendimento emergencial de meno-res. Ela explica que todos os casos do tipo devem ser considerados urgentes para evitar complicações no quadro.

“O objeto deve ser removido o mais rápido possível. Se uma moeda fica parada no esôfago, pode gerar parada respiratória aguda e levar a criança à morte. Tudo vai depender do quanto o objeto estiver obstruindo a passagem do ar pelas vias. De qualquer forma, é um acidente e, como tal, pode e deve ser prevenido. Os pais tem de ficar bastante atentos”, completa.


Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;