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Papai Noel busca auxiliares no ABC


Roberta Nomura
Especial para o Diário

11/12/2005 | 08:14


"Querido Papai Noel." Os primeiros dizeres são quase sempre os mesmos. O que diferem uma das outras as cartinhas com destino ao Pólo Norte ou Lapônia são as linhas seguintes. Milhares de crianças contam ao Bom Velhinho as histórias de suas vidas, como se comportaram durante o ano, as dificuldades financeiras de seus pais e, por fim, fazem um pedido. De bonecas de pano a bicicletas. De cestas básicas a videogames. Com o intuito de manter a mística natalina, o Projeto Papai Noel dos Correios permite que pessoas adotem cartinhas até o dia 23, para atender ao pedido explícito nos milhares de envelopes endereçados ao recordista de cartas. Cerca de 700 crianças da região já esperam uma resposta e um presente de Natal.

Com o capricho de quem esperou um ano inteiro para se comunicar com o Papai Noel, Jane, 11 anos, escreve em poucas palavras que é uma boa aluna e gosta de estudar, por isso, ela gostaria de ganhar uma boneca de pano ou um fichário. O pedido, que custa em média R$ 30, pode ser atendido por "qualquer Papai Noel". Para fazer as honras do Bom Velhinho é só comparecer a uma das sete agências que abrigam o projeto e adotar a cartinha (ver quadro ao lado).

Lançado em 2001 no Grande ABC, o projeto recolhe as correspondências enviadas ao Papai Noel, que antes eram incineradas. Cerca de 15 funcionários trabalham diariamente na leitura das cartas, na sede regional em Santo André, para depois encaminhá-las aos postos de adoção. Sessenta dentre 700 cartas foram escritas por adultos. "Essas, a gente não encaminha para adoção, porque esse não é o propósito do projeto. A intenção é preservar a magia em torno do Papai Noel. É responder a carta, independentemente do presente", explica o gerente da Região Operacional Santo André, Antonio Rabello, 39 anos. Ele diz que ao final da campanha, a agência pretende encaminhar os desejos dos adultos, que quase sempre pedem emprego, à ONGs ou entidades que possam oferecer algum tipo de assistência.

Uma das estratégias para a estatal manter a crença no Bom Velhinho é a resposta-padrão enviada a todos que querem se corresponder com ele. "A cada ano tem uma dica específica em todo o Brasil. No ano passado, além de desejar boas festas, o Papai Noel falou da importância da preservação da natureza", diz Rabello. O tema deste ano ainda não foi definido.

Receber a mensagem do morador do Pólo Norte não é garantia da chegada do presente. Como há um grande volume de correspondências, não é possível atender a todos os pedidos. No ano passado, a região concentrou 2,5 mil cartas, das quais apenas 241 foram adotadas. "Gostaríamos que todos fossem contemplados, principalmente as crianças carentes, mas é difícil", diz a organizadora do projeto na região Eunice Aparecida de Jesus, 42 anos. A expectativa é que este ano 3 mil crianças enviem seus pedidos pelos Correios, já que o movimento nas agências deve aumentar nas próximas semanas.

Alguns preferiram não perder tempo e já enviaram seu pedido ao Papai Noel. O garoto Roger, 12 anos, conta que mora com cinco pessoas e como apenas sua mãe trabalha, ela não terá condições de comprar seu presente: uma bicicleta. Além de falar sobre as dificuldades financeiras, Talita, 7, tenta conquistar o Bom Velhinho com desenhos caprichados. Os pedidos foram um DVD, mesmo que usado, para a mãe, uma boneca para ela e uma mesinha com quatro cadeiras para a irmã de apenas 2 anos.

O contato com um pedido como o de Andréia, 12 anos, que quer apenas receber cartões com mensagens do Papai Noel, emociona os funcionários dos Correios, que trabalham voluntariamente na abertura e leitura das correspondências. "É gratificante participar porque você sabe que vai beneficiar muita gente. Mas tem a parte triste de ler situações complicadas e não poder ajudar todo mundo", diz a técnica administrativa Marli Aparecida Rodrigues, 42, que participa do projeto desde começou a trabalhar na agência de Santo André, há três anos.

A princípio, as cartas eram adotadas apenas por funcionários que se sensibilizavam com os pedidos. Depois que foi aberto ao público o projeto conta principalmente com adesão de pessoas físicas. Nos postos de adoção, o interessado anota o pedido e o endereço da criança. Após comprar o presente, ele mesmo pode ser o Papai Noel ou pode deixar a cargo dos Correios, sem necessidade de pagar qualquer taxa de entrega.



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