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Xanana Gusmão toma posse em Timor Leste


Das Agências

17/04/2002 | 09:09


O ex-chefe rebelde Xanana Gusmão foi eleito quarta-feira primeiro presidente do Timor Leste para construir passo a passo o Estado mais jovem do mundo sobre as ruínas da miséria.

Xanana Gusmão, "o poeta guerreiro", precisará de todo seu carisma para conseguir a reconciliação e manter instituições ainda precárias neste pequeno território do sudeste asiático, um dos mais pobres do planeta.

Sua eleição por ampla maioria, com quase 83% dos votos, ocorreu a um mês da proclamação formal da Independência, em 20 de maio. O Timor Leste se tornará então oficialmente o Estado mais jovem do mundo.

Gusmão, 55 anos, que passou a metade de sua vida na guerrilha contra o exército indonésio e na prisão, prometeu ser presidente de "toda a Nação" e aceitou esta responsabilidade com "gratidão e humildade".

O ex-chefe da guerrilha independentista explicou saber que as "expectativas eram grandes, a ansiedade e as necessidades, enormes".

Povoado por apenas 730 mil habitantes, em sua maioria cristãos, o pequeno território emerge das terríveis violências de 1999. Em um referendo organizado pela ONU, quase 80% dos habitantes votou pela independência da Indonésia.

Mas as milícias hostis, treinadas e apoiadas pelo exército indonésio, destruíram parte das infra-estruturas, assassinaram cerca de 2 mil civis e obrigaram cerca de 250 mil a fugir para o Timor Ocidental (Indonésia).

Anteriormente, o território viveu quase quatro séculos de colonização portuguesa e depois 24 anos de brutal ocupação indonésia. Durante este último período, até 200 mil habitantes, ou seja, um quarto da população, morreu de fome ou de alguma doença.

A imensa popularidade de Gusmão o tornou franco favorito para a presidência, obtendo 82,69% dos votos contra os 17,31% de seu único adversário, Francisco Xavier do Amaral, segundo os resultados oficiais.

Mas a amplitude desta vitória não diminui os enormes desafios que esperam o presidente ao que a Constituição dá poderes relativamente limitados, frente a um governo e a um parlamento que serão dominados por seus irmãos armados o Fretilin.

As relações têm se deteriorado há um ano e Gusmão acusou o Fretilin de ter apoiado o voto nulo ou em favor de seu rival em uma tentativa de reduzir seu poder político. Um primeiro tema de discórdia poderá aparecer em breve, pois Gusmão prometeu atuar por uma anistia - em favor inclusive dos autores de violências de 1999 - a que apenas o Parlamento pode votar. A maior parte da classe política é hostil à referida anistia.

Outras tensões políticas vêm dos desafios econômicos que deve enfrentar o novo Estado. O país, rural em 80%, sofre alto índice de desemprego, principalmente entre os jovens, e carece de elites, equipes, infra-estruturas e eletricidade.

Durante vários anos precisará de assistência internacional em massa para equilibrar um modesto orçamento, até que haja ingressos que se espera obter da exploração de petróleo do Mar do Timor.

Assim que a comunidade internacional saudou unanimemente o fim do processo eleitoral e a vitória de Gusmão, existe o risco de o território cair no esquecimento, sobretudo quando a ONU reduzir sua presença naquele país.



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Xanana Gusmão toma posse em Timor Leste

Das Agências

17/04/2002 | 09:09


O ex-chefe rebelde Xanana Gusmão foi eleito quarta-feira primeiro presidente do Timor Leste para construir passo a passo o Estado mais jovem do mundo sobre as ruínas da miséria.

Xanana Gusmão, "o poeta guerreiro", precisará de todo seu carisma para conseguir a reconciliação e manter instituições ainda precárias neste pequeno território do sudeste asiático, um dos mais pobres do planeta.

Sua eleição por ampla maioria, com quase 83% dos votos, ocorreu a um mês da proclamação formal da Independência, em 20 de maio. O Timor Leste se tornará então oficialmente o Estado mais jovem do mundo.

Gusmão, 55 anos, que passou a metade de sua vida na guerrilha contra o exército indonésio e na prisão, prometeu ser presidente de "toda a Nação" e aceitou esta responsabilidade com "gratidão e humildade".

O ex-chefe da guerrilha independentista explicou saber que as "expectativas eram grandes, a ansiedade e as necessidades, enormes".

Povoado por apenas 730 mil habitantes, em sua maioria cristãos, o pequeno território emerge das terríveis violências de 1999. Em um referendo organizado pela ONU, quase 80% dos habitantes votou pela independência da Indonésia.

Mas as milícias hostis, treinadas e apoiadas pelo exército indonésio, destruíram parte das infra-estruturas, assassinaram cerca de 2 mil civis e obrigaram cerca de 250 mil a fugir para o Timor Ocidental (Indonésia).

Anteriormente, o território viveu quase quatro séculos de colonização portuguesa e depois 24 anos de brutal ocupação indonésia. Durante este último período, até 200 mil habitantes, ou seja, um quarto da população, morreu de fome ou de alguma doença.

A imensa popularidade de Gusmão o tornou franco favorito para a presidência, obtendo 82,69% dos votos contra os 17,31% de seu único adversário, Francisco Xavier do Amaral, segundo os resultados oficiais.

Mas a amplitude desta vitória não diminui os enormes desafios que esperam o presidente ao que a Constituição dá poderes relativamente limitados, frente a um governo e a um parlamento que serão dominados por seus irmãos armados o Fretilin.

As relações têm se deteriorado há um ano e Gusmão acusou o Fretilin de ter apoiado o voto nulo ou em favor de seu rival em uma tentativa de reduzir seu poder político. Um primeiro tema de discórdia poderá aparecer em breve, pois Gusmão prometeu atuar por uma anistia - em favor inclusive dos autores de violências de 1999 - a que apenas o Parlamento pode votar. A maior parte da classe política é hostil à referida anistia.

Outras tensões políticas vêm dos desafios econômicos que deve enfrentar o novo Estado. O país, rural em 80%, sofre alto índice de desemprego, principalmente entre os jovens, e carece de elites, equipes, infra-estruturas e eletricidade.

Durante vários anos precisará de assistência internacional em massa para equilibrar um modesto orçamento, até que haja ingressos que se espera obter da exploração de petróleo do Mar do Timor.

Assim que a comunidade internacional saudou unanimemente o fim do processo eleitoral e a vitória de Gusmão, existe o risco de o território cair no esquecimento, sobretudo quando a ONU reduzir sua presença naquele país.

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