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EUA discutem formação de governo interino no Iraque


Da AFP

11/04/2003 | 10:49


Saddam Hussein perdeu o poder no Iraque e talvez esteja morto, mas isso não resolveu um dos problemas essenciais do país: a instalação de uma administração iraquiana em Bagdá, o que no momento não parece algo muito fácil.

De início, nem o nome escolhido pelos americanos para o novo órgão de governo -"Autoridade iraquiana interina"- é do gosto do Congresso Nacional Iraquiano (CNI), principal movimento de oposição, cujo dirigente Ahmed Chalabi conta com o apoio do Pentágono.

Por outro lado, a denominação "Autoridade iraquiana interina" é vista como depreciativa pelos iraquianos, que pedem que a nova autoridade seja chamada de "governo de transição".

As divergências ficaram evidentes nas declarações contraditórias sobre uma reunião de iraquianos e chefes locais no sul do Iraque. O vice-presidente americano, Dick Cheney, declarou que a reunião será no sábado perto de Nasiriyah, onde está atualmente Ahmed Chalabi.

Contudo, para o departamento de Estado, não foi nem fixado o local nem a data de tal reunião e inclusive uma autoridade chegou a dizer que seu serviço não deseja que o encontro venha a se transformar na "coroação de Chalabi".

A futura autoridade, que segundo vários grupos de oposição deve se manter até a organização de eleições, poderia ser a extensão de um grupo colegiado formado recentemente em Londres, segundo o porta-voz de Chalabi.

Além do CNI de Chalabi, formariam o colegiado a Assembléia suprema da revolução islâmica no Iraque (Asrii) de Abdel Aziz al-Hakim, com sede em Teerã, e os dois dirigente curdos, Massud Barzani e Jalal Talabani.

O Asrii, que dispõe de milhares de combatentes, se considera o movimento mais representativo da comunidade xiita, a maioria no Iraque, e deseja um papel proporcional a esta importância. Mas Washington desconfia do Asrii por seus vínculos com Irã e não deseja que este seja seu principal interlocutor xiita.

A idéia de um grupo colegiado também foi rechaçada por duas personalidades que foram convidadas a integrá-lo: Iyad Allawi, do Movimento do Acordo Nacional, e o ex-ministro das Relações Exteriores Adnan Pachachi, que reapareceu há pouco no cenário político como dirigente de uma aliança que diz falar em nome dos "democratas" independentes.

Pachachi, um octogenário que vive exilado em Abu Dhabi, é considerado o mais representativo dos muçulmanos sunitas de Iraque, cuja participação no poder desejam não só os sunitas iraquianos mas também os regimes árabes sunitas vizinhos.

Contrariamente ao CNI, que rechaça que a ONU tenha ingerência no pós-guerra, Pachachi defende uma administração provisória considerando o modelo da que foi organizada no Afeganistão.

Se a designação por esta conferência de um "Karzai iraquiano" apoiado pelos Estados Unidos é uma possibilidade, a opção mais favorável parece ser uma direção colegial ou um "conselho soberano" durante a transição a um regime democrático no Iraque.

Os pretendentes ao poder se multiplicam e já na quarta-feira, nas horas seguintes à queda de Bagdá, um movimento desconhecido até agora, o Grupo republicano iraquiano (GRI), afirmou ter desempenhado um papel primordial no fim do regime de Saddam Hussein.



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EUA discutem formação de governo interino no Iraque

Da AFP

11/04/2003 | 10:49


Saddam Hussein perdeu o poder no Iraque e talvez esteja morto, mas isso não resolveu um dos problemas essenciais do país: a instalação de uma administração iraquiana em Bagdá, o que no momento não parece algo muito fácil.

De início, nem o nome escolhido pelos americanos para o novo órgão de governo -"Autoridade iraquiana interina"- é do gosto do Congresso Nacional Iraquiano (CNI), principal movimento de oposição, cujo dirigente Ahmed Chalabi conta com o apoio do Pentágono.

Por outro lado, a denominação "Autoridade iraquiana interina" é vista como depreciativa pelos iraquianos, que pedem que a nova autoridade seja chamada de "governo de transição".

As divergências ficaram evidentes nas declarações contraditórias sobre uma reunião de iraquianos e chefes locais no sul do Iraque. O vice-presidente americano, Dick Cheney, declarou que a reunião será no sábado perto de Nasiriyah, onde está atualmente Ahmed Chalabi.

Contudo, para o departamento de Estado, não foi nem fixado o local nem a data de tal reunião e inclusive uma autoridade chegou a dizer que seu serviço não deseja que o encontro venha a se transformar na "coroação de Chalabi".

A futura autoridade, que segundo vários grupos de oposição deve se manter até a organização de eleições, poderia ser a extensão de um grupo colegiado formado recentemente em Londres, segundo o porta-voz de Chalabi.

Além do CNI de Chalabi, formariam o colegiado a Assembléia suprema da revolução islâmica no Iraque (Asrii) de Abdel Aziz al-Hakim, com sede em Teerã, e os dois dirigente curdos, Massud Barzani e Jalal Talabani.

O Asrii, que dispõe de milhares de combatentes, se considera o movimento mais representativo da comunidade xiita, a maioria no Iraque, e deseja um papel proporcional a esta importância. Mas Washington desconfia do Asrii por seus vínculos com Irã e não deseja que este seja seu principal interlocutor xiita.

A idéia de um grupo colegiado também foi rechaçada por duas personalidades que foram convidadas a integrá-lo: Iyad Allawi, do Movimento do Acordo Nacional, e o ex-ministro das Relações Exteriores Adnan Pachachi, que reapareceu há pouco no cenário político como dirigente de uma aliança que diz falar em nome dos "democratas" independentes.

Pachachi, um octogenário que vive exilado em Abu Dhabi, é considerado o mais representativo dos muçulmanos sunitas de Iraque, cuja participação no poder desejam não só os sunitas iraquianos mas também os regimes árabes sunitas vizinhos.

Contrariamente ao CNI, que rechaça que a ONU tenha ingerência no pós-guerra, Pachachi defende uma administração provisória considerando o modelo da que foi organizada no Afeganistão.

Se a designação por esta conferência de um "Karzai iraquiano" apoiado pelos Estados Unidos é uma possibilidade, a opção mais favorável parece ser uma direção colegial ou um "conselho soberano" durante a transição a um regime democrático no Iraque.

Os pretendentes ao poder se multiplicam e já na quarta-feira, nas horas seguintes à queda de Bagdá, um movimento desconhecido até agora, o Grupo republicano iraquiano (GRI), afirmou ter desempenhado um papel primordial no fim do regime de Saddam Hussein.

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