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Acidentes envolvendo ciclistas aumentam em rodovias da região

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Neste ano, foram registradas 26 ocorrências em
seis estradas com um total de19 vítimas, duas fatais


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

19/09/2016 | 07:00


De janeiro a setembro deste ano, as seis rodovias que cruzam municípios do Grande ABC (Anchieta, Imigrantes, Estrada Velha de Santos, Rodoanel, Índio Tibiriçá e Adib Chamas) registraram 26 acidentes de trânsito envolvendo bicicletas. Conforme dados da Polícia Militar Rodoviária, desse total, 19 ocorrências tiveram vítimas, sendo duas fatais. O número é maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando a região contabilizou 25 ocorrências, com 18 vítimas, sendo uma fatal. No acumulado de 2015, foram 34 acidentes com dois óbitos.

Os dois casos de mortes de ciclistas neste ano foram registrados na Rodovia dos Imigrantes, em trechos de Diadema e São Bernardo (confira ao lado mapa com os locais de todas as ocorrências).

A rodovia, que liga a Capital ao Litoral paulista, desde o ano passado tem sido responsável por um dos maiores índices de acidentes envolvendo ciclistas. Em 2015, foram oito ocorrências e, no acumulado de 2016 (janeiro até setembro), já tinham sido dez casos.

A Índio Tibiriçá, que passa por São Bernardo, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, foi a rodovia com o maior número de acidentes no ano passado. Foram nove casos, sendo que seis tiveram vítimas, incluindo uma morte. Neste ano, já foram oito acidentes, seis deles com vítimas. A Via Anchieta, por sua vez, que teve oito registros em 2015, viu neste ano os números baixarem para três casos.

Das rodovias que passam pelos municípios da região, apenas o Rodoanel, que registrou dois casos com vítimas no ano passado, não teve nenhum acidente do tipo em 2016.

Embora o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) permita a circulação de bicicletas em rodovias, especialistas ressaltam a necessidade de mudanças da legislação e também na estrutura de estradas para que o tráfego de ciclistas seja feito de maneira segura.

“Nas rodovias onde há demanda alta de ciclistas é interessante pensar em uma ciclovia lateral, que funcionaria como uma via segregada ao acostamento e se possível iluminada. Ainda não há nada desse tipo implantado no Estado, mas no Rio de Janeiro já existe um projeto piloto”, opinou o professor de Engenharia Civil da FEI (Fundação Educacional Inaciana) e mestre em Transportes Creso Peixoto.

Favorável a um sistema com integração de modais, Dirceu Rodrigues Alves Júnior, chefe do departamento de medicina de tráfego da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), defende uma legislação mais dura que apoie, inclusive, a proibição de bicicletas em vias perigosas. “Se não existe uma ciclovia, os ciclistas não podem circular numa rodovia de modo seguro. É um local com veículos de grandes massas e velocidades diferentes, por isso a probabilidade de acidente é grande.”

Segundo a Polícia Militar Rodoviária, nas rodovias de pista dupla, os ciclistas devem trafegar em ciclovia, ciclofaixa ou acostamento. “Ou não estando em condições de trafegabilidade, serão conduzidas pelos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via”, esclareceu em nota. Atualmente, a corporação é responsável por realizar operações e campanhas de conscientização junto às concessionárias para diminuição dos índices.

A Ecovias, responsável pelo SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), afirmou que realiza diversos programas de educação para o trânsito, executados também nas comunidades localizadas no entorno das vias. Além disso, há abordagem e orientação de pedestres e ciclistas que trafegam ao longo da rodovia.

A concessionária também destacou que analisa toda ocorrência em um programa de redução de acidentes e ressaltou que os locais mais perigosos são onde há maior concentração de população.

Visando diminuir os índices de ocorrências em suas vias, o DER (Departamento de Estradas de Rodagem), responsável pela Índio Tibiriçá, lançou em agosto a Campanha do Ciclista sobre condutas no trânsito que podem representar perigo para seus usuários. “Nas rodovias estaduais sob administração do DER estão sendo veiculadas mensagens nos 47 PMVs (Painéis de Mensagens Variáveis), com alertas e orientações de medidas que devem ser respeitadas pelos condutores”, disse, em nota.

A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), responsável pelas demais vias, também afirmou que faz constantes ações educativas com foco em motoristas, ciclistas e pedestres durante o ano.

 

Morte de vendedor marca família

No início do mês, o vendedor Valdilei Antônio Lemos, 42 anos, como de costume, saiu na companhia de dois cunhados para mais um passeio de bicicleta que costumava fazer semanalmente. O que os parentes não esperavam é que Lemos não voltaria para casa.

O grupo foi atingido por veículo Gol no km 20 da Imigrantes, em São Bernardo, conduzido pelo motorista Paulo Leonardo do Nascimento, 26. Ele assumiu que estava alcoolizado.

O cunhado Paulo Nunes, 42, viu tudo e até hoje busca superar o episódio. “Minha irmã não tem condições de conversar com ninguém. Ela não se conforma. Fica esperando ele entrar em casa e está tomando remédios fortes. Eu digo para ela que é necessário ser forte pelos dois filhos pequenos”, disse, emocionado.

Nunes afirmou que a família estuda entrar com ação na Justiça, porém, no momento ainda tenta se reestruturar. Além da dor da perda, também há a impunidade, já que o motorista responde o processo em liberdade, apesar de ter sido preso em flagrante pela Polícia Civil.

No local em que o vendedor foi morto, grupo de ciclistas colocou uma ghostbike, bicicleta pintada de branco que funciona como espécie de lembrança a memória do ciclista. “A Justiça solta o culpado. Isso é justo? A gente não acredita mais em Justiça”, disse Nunes.</CW>

Em julho, o vigia Dorgival Francisco de Souza, 59, morreu no km 17,5, no trecho da mesma via, em Diadema. O braço da vítima foi decepado após o impacto e, posteriormente, encontrado na Avenida Ulysses Guimarães, a cerca de dois quilômetros do local do acidente.

O motorista de ônibus Sergio Meliunas, 45, foi encontrado três dias depois. Ele fugiu sem prestar socorro e estava alcoolizado. Ele foi preso por homicídio doloso, fuga do local do crime e omissão de socorro.



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Acidentes envolvendo ciclistas aumentam em rodovias da região

Neste ano, foram registradas 26 ocorrências em
seis estradas com um total de19 vítimas, duas fatais

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

19/09/2016 | 07:00


De janeiro a setembro deste ano, as seis rodovias que cruzam municípios do Grande ABC (Anchieta, Imigrantes, Estrada Velha de Santos, Rodoanel, Índio Tibiriçá e Adib Chamas) registraram 26 acidentes de trânsito envolvendo bicicletas. Conforme dados da Polícia Militar Rodoviária, desse total, 19 ocorrências tiveram vítimas, sendo duas fatais. O número é maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando a região contabilizou 25 ocorrências, com 18 vítimas, sendo uma fatal. No acumulado de 2015, foram 34 acidentes com dois óbitos.

Os dois casos de mortes de ciclistas neste ano foram registrados na Rodovia dos Imigrantes, em trechos de Diadema e São Bernardo (confira ao lado mapa com os locais de todas as ocorrências).

A rodovia, que liga a Capital ao Litoral paulista, desde o ano passado tem sido responsável por um dos maiores índices de acidentes envolvendo ciclistas. Em 2015, foram oito ocorrências e, no acumulado de 2016 (janeiro até setembro), já tinham sido dez casos.

A Índio Tibiriçá, que passa por São Bernardo, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, foi a rodovia com o maior número de acidentes no ano passado. Foram nove casos, sendo que seis tiveram vítimas, incluindo uma morte. Neste ano, já foram oito acidentes, seis deles com vítimas. A Via Anchieta, por sua vez, que teve oito registros em 2015, viu neste ano os números baixarem para três casos.

Das rodovias que passam pelos municípios da região, apenas o Rodoanel, que registrou dois casos com vítimas no ano passado, não teve nenhum acidente do tipo em 2016.

Embora o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) permita a circulação de bicicletas em rodovias, especialistas ressaltam a necessidade de mudanças da legislação e também na estrutura de estradas para que o tráfego de ciclistas seja feito de maneira segura.

“Nas rodovias onde há demanda alta de ciclistas é interessante pensar em uma ciclovia lateral, que funcionaria como uma via segregada ao acostamento e se possível iluminada. Ainda não há nada desse tipo implantado no Estado, mas no Rio de Janeiro já existe um projeto piloto”, opinou o professor de Engenharia Civil da FEI (Fundação Educacional Inaciana) e mestre em Transportes Creso Peixoto.

Favorável a um sistema com integração de modais, Dirceu Rodrigues Alves Júnior, chefe do departamento de medicina de tráfego da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), defende uma legislação mais dura que apoie, inclusive, a proibição de bicicletas em vias perigosas. “Se não existe uma ciclovia, os ciclistas não podem circular numa rodovia de modo seguro. É um local com veículos de grandes massas e velocidades diferentes, por isso a probabilidade de acidente é grande.”

Segundo a Polícia Militar Rodoviária, nas rodovias de pista dupla, os ciclistas devem trafegar em ciclovia, ciclofaixa ou acostamento. “Ou não estando em condições de trafegabilidade, serão conduzidas pelos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via”, esclareceu em nota. Atualmente, a corporação é responsável por realizar operações e campanhas de conscientização junto às concessionárias para diminuição dos índices.

A Ecovias, responsável pelo SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), afirmou que realiza diversos programas de educação para o trânsito, executados também nas comunidades localizadas no entorno das vias. Além disso, há abordagem e orientação de pedestres e ciclistas que trafegam ao longo da rodovia.

A concessionária também destacou que analisa toda ocorrência em um programa de redução de acidentes e ressaltou que os locais mais perigosos são onde há maior concentração de população.

Visando diminuir os índices de ocorrências em suas vias, o DER (Departamento de Estradas de Rodagem), responsável pela Índio Tibiriçá, lançou em agosto a Campanha do Ciclista sobre condutas no trânsito que podem representar perigo para seus usuários. “Nas rodovias estaduais sob administração do DER estão sendo veiculadas mensagens nos 47 PMVs (Painéis de Mensagens Variáveis), com alertas e orientações de medidas que devem ser respeitadas pelos condutores”, disse, em nota.

A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), responsável pelas demais vias, também afirmou que faz constantes ações educativas com foco em motoristas, ciclistas e pedestres durante o ano.

 

Morte de vendedor marca família

No início do mês, o vendedor Valdilei Antônio Lemos, 42 anos, como de costume, saiu na companhia de dois cunhados para mais um passeio de bicicleta que costumava fazer semanalmente. O que os parentes não esperavam é que Lemos não voltaria para casa.

O grupo foi atingido por veículo Gol no km 20 da Imigrantes, em São Bernardo, conduzido pelo motorista Paulo Leonardo do Nascimento, 26. Ele assumiu que estava alcoolizado.

O cunhado Paulo Nunes, 42, viu tudo e até hoje busca superar o episódio. “Minha irmã não tem condições de conversar com ninguém. Ela não se conforma. Fica esperando ele entrar em casa e está tomando remédios fortes. Eu digo para ela que é necessário ser forte pelos dois filhos pequenos”, disse, emocionado.

Nunes afirmou que a família estuda entrar com ação na Justiça, porém, no momento ainda tenta se reestruturar. Além da dor da perda, também há a impunidade, já que o motorista responde o processo em liberdade, apesar de ter sido preso em flagrante pela Polícia Civil.

No local em que o vendedor foi morto, grupo de ciclistas colocou uma ghostbike, bicicleta pintada de branco que funciona como espécie de lembrança a memória do ciclista. “A Justiça solta o culpado. Isso é justo? A gente não acredita mais em Justiça”, disse Nunes.</CW>

Em julho, o vigia Dorgival Francisco de Souza, 59, morreu no km 17,5, no trecho da mesma via, em Diadema. O braço da vítima foi decepado após o impacto e, posteriormente, encontrado na Avenida Ulysses Guimarães, a cerca de dois quilômetros do local do acidente.

O motorista de ônibus Sergio Meliunas, 45, foi encontrado três dias depois. Ele fugiu sem prestar socorro e estava alcoolizado. Ele foi preso por homicídio doloso, fuga do local do crime e omissão de socorro.

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