Fechar
Publicidade

Sábado, 30 de Maio

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

dmais@dgabc.com.br | 4435-8396

Quase isolados no cotidiano

Adolescentes contam sobre nova rotina e fazem reflexão sobre período dentro de casa


Luís Felipe Soares

30/03/2020 | 12:38


A recomendação do governo do Estado de São Paulo, das cidades do Grande ABC e da Organização Mundial da Saúde é a de que, quem puder, fique em casa. Esse isolamento social proposto tem como objetivo tentar controlar a proliferação da Covid-19, responsável por infectar mais de 662,5 mil pessoas em todo o mundo e matar mais de 30,8 mil indivíduos, incluindo casos espalhados pela região. Grande parte dos munícipes teve suas rotinas modificadas e os adolescentes também estão em quarentena por tempo indeterminado.

Eles tentam aproveitar ao máximo a rotina caseira, mesclando lazer, estudos e saudades da liberdade de poder realizar atividades, andar pela rua e visitar parentes. “O isolamento tem sido mais do que necessário. Tenho acompanhado diariamente, por jornais, a situação do vírus no mundo todo e vejo que é a melhor opção, pois a forma como vírus é transmitido é muito fácil e rápida”, analisa Beatriz Calderari Maffessoni, 16 anos, de Santo André.

A estudante explica que sente falta de tomar sorvete na praça e se divertir em encontros sociais com os amigos, com quem vive a falar pela internet. Entre o tempo livre vendo séries e filmes e leituras e escritas, sabe que não pode deixar os estudos de lado. “Não sigo necessariamente uma rotina, porém, tenho feito as minhas lições. Todos os dias praticamente os professores mandam atividades pelo aplicativo da escola ou por outras maneiras on-line e anoto em um papel o que deve ser feito.”

Para Renan Ribeiro Pissolotto, 15, a web é elemento fundamental durante esse afastamento físico do mundo externo. “Eu estou usando principalmente o WhatsApp e o Discord para me comunicar com qualquer pessoa. A internet é essencial neste período que estamos passando, já que evita o contato pessoal, porém, permite ter uma relação virtual com uma pessoa, protegendo um ao outro”, comenta o andreense, ressaltando que um dos grandes sacrifícios tem sido estar longe dos avós, que fazem parte do grupo de risco da contaminação do vírus.

O adolescente observa que o ritmo atual de estudos não é igual da agenda escolar normal, mesmo com seu colégio disponibilizando aulas on-line. Tocar instrumentos faz parte da rotina, que abriu espaço para reencontrar um antigo hobby. “Fazia muito tempo que eu não jogava videogames, porém, para diversificar um pouco as minhas atividades, voltei a jogar.” Detalhe que a plataforma digital Steam divulgou, na primeira quinzena de março, que bateu recorde de usuários simultâneos, chegando a ter 20.313.451 pessoas logadas, com cerca de 6,4 milhões jogando algum título. Possivelmente o boom tenha ocorrido justamente por causa da quarentena dos gamers.

A pausa forçada na correria do cotidiano dificilmente será esquecida pelos jovens e motiva reflexão sobre o período. “Antes da quarentena, acho que a maioria das pessoas estava acostumada a ter suas responsabilidades diárias, dando um ritmo ao dia a dia. Porém, ao ficar em casa durante vários dias, o ritmo é bem mais lento. Esse período ‘longe do mundo’ é necessário, já que estamos lidando com um vírus que mal conhecemos ainda”, diz Pissolotto.

Beatriz chama a atenção para o lado positivo do autoconhecimento. “Nada te impede de usar esse tempo para você e descobrir coisas fantásticas sobre si mesmo. Acredito que todos sentem falta da vida normal, porém, devemos ficar em casa. A vida não é algo que se recupera, então se sinta na obrigação de salvar o próximo, além, claro, se ajudar a ver coisas maravilhosas sobre você e o mundo.”

Jovens podem atuar como agentes que transmitem o vírus

A preocupação sobre a proliferação da Covid-19 é mundial e afeta todas as pessoas. Mesmo que o grupo de risco envolva principalmente idosos com idade superior a 60 anos, os adolescentes devem se proteger do contágio para não atuarem como agentes transmissores para outras pessoas. Gestantes, portadores de doenças crônicas (casos de diabetes e hipertensão) e populações imunossuprimidas (indivíduos com deficiência imunológica) também estão dentro da faixa capaz de desenvolver quadro grave da doença.

O risco do contato dos jovens com o novo coronavírus é baixo, mas não inexistente. Parte dos casos envolve o contágio sem que o paciente tenha os sintomas. Algumas das milhares de vítimas fatais espalhadas pelo mundo eram adolescentes, sendo que a faixa de idade também apresenta complicações médicas, a exemplo da asma, que intensificam a atuação do vírus no doente.

Nota do Ministério Público do Trabalho reforça que estagiários, aprendizes e empregados adolescentes com idade entre 16 e 18 anos de todo o Brasil sejam liberados de irem às empresas por tempo indeterminado. O documento ainda diz que esse afastamento deve ocorrer sem prejuízo da remuneração integral. 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Quase isolados no cotidiano

Adolescentes contam sobre nova rotina e fazem reflexão sobre período dentro de casa

Luís Felipe Soares

30/03/2020 | 12:38


A recomendação do governo do Estado de São Paulo, das cidades do Grande ABC e da Organização Mundial da Saúde é a de que, quem puder, fique em casa. Esse isolamento social proposto tem como objetivo tentar controlar a proliferação da Covid-19, responsável por infectar mais de 662,5 mil pessoas em todo o mundo e matar mais de 30,8 mil indivíduos, incluindo casos espalhados pela região. Grande parte dos munícipes teve suas rotinas modificadas e os adolescentes também estão em quarentena por tempo indeterminado.

Eles tentam aproveitar ao máximo a rotina caseira, mesclando lazer, estudos e saudades da liberdade de poder realizar atividades, andar pela rua e visitar parentes. “O isolamento tem sido mais do que necessário. Tenho acompanhado diariamente, por jornais, a situação do vírus no mundo todo e vejo que é a melhor opção, pois a forma como vírus é transmitido é muito fácil e rápida”, analisa Beatriz Calderari Maffessoni, 16 anos, de Santo André.

A estudante explica que sente falta de tomar sorvete na praça e se divertir em encontros sociais com os amigos, com quem vive a falar pela internet. Entre o tempo livre vendo séries e filmes e leituras e escritas, sabe que não pode deixar os estudos de lado. “Não sigo necessariamente uma rotina, porém, tenho feito as minhas lições. Todos os dias praticamente os professores mandam atividades pelo aplicativo da escola ou por outras maneiras on-line e anoto em um papel o que deve ser feito.”

Para Renan Ribeiro Pissolotto, 15, a web é elemento fundamental durante esse afastamento físico do mundo externo. “Eu estou usando principalmente o WhatsApp e o Discord para me comunicar com qualquer pessoa. A internet é essencial neste período que estamos passando, já que evita o contato pessoal, porém, permite ter uma relação virtual com uma pessoa, protegendo um ao outro”, comenta o andreense, ressaltando que um dos grandes sacrifícios tem sido estar longe dos avós, que fazem parte do grupo de risco da contaminação do vírus.

O adolescente observa que o ritmo atual de estudos não é igual da agenda escolar normal, mesmo com seu colégio disponibilizando aulas on-line. Tocar instrumentos faz parte da rotina, que abriu espaço para reencontrar um antigo hobby. “Fazia muito tempo que eu não jogava videogames, porém, para diversificar um pouco as minhas atividades, voltei a jogar.” Detalhe que a plataforma digital Steam divulgou, na primeira quinzena de março, que bateu recorde de usuários simultâneos, chegando a ter 20.313.451 pessoas logadas, com cerca de 6,4 milhões jogando algum título. Possivelmente o boom tenha ocorrido justamente por causa da quarentena dos gamers.

A pausa forçada na correria do cotidiano dificilmente será esquecida pelos jovens e motiva reflexão sobre o período. “Antes da quarentena, acho que a maioria das pessoas estava acostumada a ter suas responsabilidades diárias, dando um ritmo ao dia a dia. Porém, ao ficar em casa durante vários dias, o ritmo é bem mais lento. Esse período ‘longe do mundo’ é necessário, já que estamos lidando com um vírus que mal conhecemos ainda”, diz Pissolotto.

Beatriz chama a atenção para o lado positivo do autoconhecimento. “Nada te impede de usar esse tempo para você e descobrir coisas fantásticas sobre si mesmo. Acredito que todos sentem falta da vida normal, porém, devemos ficar em casa. A vida não é algo que se recupera, então se sinta na obrigação de salvar o próximo, além, claro, se ajudar a ver coisas maravilhosas sobre você e o mundo.”

Jovens podem atuar como agentes que transmitem o vírus

A preocupação sobre a proliferação da Covid-19 é mundial e afeta todas as pessoas. Mesmo que o grupo de risco envolva principalmente idosos com idade superior a 60 anos, os adolescentes devem se proteger do contágio para não atuarem como agentes transmissores para outras pessoas. Gestantes, portadores de doenças crônicas (casos de diabetes e hipertensão) e populações imunossuprimidas (indivíduos com deficiência imunológica) também estão dentro da faixa capaz de desenvolver quadro grave da doença.

O risco do contato dos jovens com o novo coronavírus é baixo, mas não inexistente. Parte dos casos envolve o contágio sem que o paciente tenha os sintomas. Algumas das milhares de vítimas fatais espalhadas pelo mundo eram adolescentes, sendo que a faixa de idade também apresenta complicações médicas, a exemplo da asma, que intensificam a atuação do vírus no doente.

Nota do Ministério Público do Trabalho reforça que estagiários, aprendizes e empregados adolescentes com idade entre 16 e 18 anos de todo o Brasil sejam liberados de irem às empresas por tempo indeterminado. O documento ainda diz que esse afastamento deve ocorrer sem prejuízo da remuneração integral. 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;