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A tragédia que abalou duas famílias

Morte de menino de 3 anos deixa professora sem habilitação em prisão preventiva


Rafael Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

14/12/2011 | 07:00


A professora Andréia Alves Pereira, 33 anos, teve negado o pedido de habeas corpus e seguirá em prisão preventiva pela morte de um menino de 3 anos no domingo, em Mauá. Ela continua em uma cela do 1º DP (Centro) da cidade, à espera de vaga na detenção feminina, onde aguardará julgamento.

Andréia perdeu o controle de um Meriva prata ao sair de restaurante no Parque das Américas, bairro onde ela mora. A professora não tem carteira de habilitação e foi indiciada por quatro crimes, entre eles homicídio culposo (sem intenção de matar) e lesão corporal culposa em outras três vítimas.

Na rua onde ela mora, a notícia foi recebida com surpresa. Considerada reservada, não tinha o hábito de conversar com os vizinhos, apesar de morar ali desde que nasceu. Nas festas realizadas em casa, preferia ficar em seu quarto. Não consome bebidas alcoólicas e ensinava artes em escola estadual do Jardim Cruzeiro. Nunca tinha dirigido. A decisão de aprender foi recente. E o pai, dono do veículo, a estaria ajudando, deixando-a guiar por pequenos trechos.

A família preferiu o silêncio após o caso. Desde o ocorrido, ficam isolados em casa, com entrada e saída constante de parentes e amigos mais próximos. O advogado contratado para a professora largou o caso, alegando que faltavam recursos para poder pagá-lo. Os vizinhos lamentam a situação.

"Nunca a vi no volante", disse Cesarina Rodrigues, 67. A aposentada ajudou na criação de Andréia, acompanhou toda a sua vida, garante que daria o que for preciso para vê-la longe da prisão e acredita na sua inocência. Mas reconhece a dificuldade e resume a situação: "Foi uma tragédia que destruiu duas famílias.

O sentimento é o mesmo da avó do menino, Rosa Ventura, 60. Lágrimas nos olhos, ela pede que Andréia "mofe na cadeia pelo que fez." Pouco depois, admite que perdoa a professora, mas lembra que, além do menino morto, outros dois netos estavam no local. Um deles teve ferimentos leves nas costas. "Quase perdi todos os meus anjinhos", disse.

O garoto era filho único e sua morte abalou os pais, que estão em Suzano para esquecer o bairro e as lembranças. Rosa prefere encará-las de frente. Vai ao quintal, respira fundo e tira o pano que cobre a bicicleta dada por ela de presente de Natal no domingo da tragédia. "Não adianta você querer mudar achando que isso vai ajudar a superar", disse.

Do dia, aliás, pouca coisa ela prefere se lembrar. Era por volta das 14h quando o menino acompanhou os primos e um tio ao restaurante para comprar o almoço. Andréia teve de fugir para não ser linchada. Fica a lembrança do garoto franzino e alegre. "Ele era a coisa mais linda do mundo."



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A tragédia que abalou duas famílias

Morte de menino de 3 anos deixa professora sem habilitação em prisão preventiva

Rafael Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

14/12/2011 | 07:00


A professora Andréia Alves Pereira, 33 anos, teve negado o pedido de habeas corpus e seguirá em prisão preventiva pela morte de um menino de 3 anos no domingo, em Mauá. Ela continua em uma cela do 1º DP (Centro) da cidade, à espera de vaga na detenção feminina, onde aguardará julgamento.

Andréia perdeu o controle de um Meriva prata ao sair de restaurante no Parque das Américas, bairro onde ela mora. A professora não tem carteira de habilitação e foi indiciada por quatro crimes, entre eles homicídio culposo (sem intenção de matar) e lesão corporal culposa em outras três vítimas.

Na rua onde ela mora, a notícia foi recebida com surpresa. Considerada reservada, não tinha o hábito de conversar com os vizinhos, apesar de morar ali desde que nasceu. Nas festas realizadas em casa, preferia ficar em seu quarto. Não consome bebidas alcoólicas e ensinava artes em escola estadual do Jardim Cruzeiro. Nunca tinha dirigido. A decisão de aprender foi recente. E o pai, dono do veículo, a estaria ajudando, deixando-a guiar por pequenos trechos.

A família preferiu o silêncio após o caso. Desde o ocorrido, ficam isolados em casa, com entrada e saída constante de parentes e amigos mais próximos. O advogado contratado para a professora largou o caso, alegando que faltavam recursos para poder pagá-lo. Os vizinhos lamentam a situação.

"Nunca a vi no volante", disse Cesarina Rodrigues, 67. A aposentada ajudou na criação de Andréia, acompanhou toda a sua vida, garante que daria o que for preciso para vê-la longe da prisão e acredita na sua inocência. Mas reconhece a dificuldade e resume a situação: "Foi uma tragédia que destruiu duas famílias.

O sentimento é o mesmo da avó do menino, Rosa Ventura, 60. Lágrimas nos olhos, ela pede que Andréia "mofe na cadeia pelo que fez." Pouco depois, admite que perdoa a professora, mas lembra que, além do menino morto, outros dois netos estavam no local. Um deles teve ferimentos leves nas costas. "Quase perdi todos os meus anjinhos", disse.

O garoto era filho único e sua morte abalou os pais, que estão em Suzano para esquecer o bairro e as lembranças. Rosa prefere encará-las de frente. Vai ao quintal, respira fundo e tira o pano que cobre a bicicleta dada por ela de presente de Natal no domingo da tragédia. "Não adianta você querer mudar achando que isso vai ajudar a superar", disse.

Do dia, aliás, pouca coisa ela prefere se lembrar. Era por volta das 14h quando o menino acompanhou os primos e um tio ao restaurante para comprar o almoço. Andréia teve de fugir para não ser linchada. Fica a lembrança do garoto franzino e alegre. "Ele era a coisa mais linda do mundo."

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