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Empresas adiam investimento com perspectiva de nova alta dos juros
29/05/2005 | 08:11
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A possibilidade de novas altas no juro básico, sugerida na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), já preocupa os empresários. Se confirmada, isso comprometeria não só o crescimento da economia neste ano como em 2006, já que muitos investimentos estão sendo engavetados ou adiados ante a perspectiva de queda no consumo.

"Se o próprio Copom admite desaceleração no ritmo de crescimento, como pode sinalizar novos aumentos dos juros?", questiona o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf. Para ele, o governo parece ser o único a não saber que os juros altos são um dos motivos de o Brasil crescer menos do que outras economias semelhantes.

Skaf se baseia em estudo do FMI (Fundo Monetário Internacional) segundo o qual a economia mundial deve crescer 19% entre 2003 e 2006. Nesse contexto, os países emergentes teriam expansão de 28,52%. E o Brasil cresceria apenas 13,48%.

"A teimosia dos juros é um dos sete pecados capitais da política econômica do governo", diz o presidente da Fiesp. Entre os outros pecados, Skaf aponta a falta de controle dos gastos públicos, a meta irreal de inflação e a imposição de pessimismo à sociedade.

Para Boris Tabacof, diretor do Departamento de Economia do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), "a sensação é de que a situação está ruim e vai piorar". Nesse cenário, as decisões de investimento são as primeiras a serem adiadas. "O investimento se relaciona com endividamento, e a experiência mostra que é preciso cautela, principalmente quando o tapete é puxado."

Para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a continuidade da política de alta dos juros seria catastrófica. "Depois de nove meses de elevação, seria prudente esperar o resultado dessas medidas, já que há defasagem entre o aperto monetário e o impacto efetivo sobre a atividade econômica", diz Flávio Castelo Branco, coordenador de Política Econômica da CNI.




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