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Simplesmente amor

Em meio a piadinhas infames do inconveniente...


Carlos Ferrari

10/04/2013 | 00:00


Em meio a piadinhas infames do inconveniente 'humorista' Rafinha Bastos, até a coroação previamente anunciada como rainha da parada gay, que ocorrerá no mês de setembro em Salvador (BA), o casamento de Daniela Mercury com a jornalista Malu Verçosa resgatou a cantora baiana do ostracismo midiático. 

Como se emergisse das sombras das badaladas Claudia Leite e Ivete Sangalo, Daniela foi acolhida e aclamada com o glamour de excelência da comunidade LGBT e, de quebra, ainda se posicionou como uma antítese perfeita aos absurdos cometidos e profanados pelo bizarro deputado Marco Feliciano. 

A atitude de Daniela, compreendida por muitos como uma estratégia de marketing, por outros como uma postura corajosa, e ainda por tantos como um simples ato de amor, escancara para quem queira ver o novo lugar das minorias na pauta de prioridades do Brasil. Fica claro que avançamos na conquista e na garantia de direitos, e que condições humanas como orientação sexual, deficiências congênitas e adquiridas, dentre outras particularidades, um dia compreendidas como defeito, vergonha, pela quase totalidade da população, hoje podem ser sinal de pessoas bem resolvidas, passaporte carimbado para um nível mais elevado de exercício da cidadania.

Não quero dizer, com tais afirmações, que os preconceitos acabaram, ou mesmo que seja uma vantagem ser parte de um segmento considerado minoritário dentro da sociedade brasileira. O que trago nesta coluna é o fato concreto de que hoje conseguimos fazer ecoar nossas vozes, e o melhor, com cada vez mais adesões dos diferentes segmentos sociais.

Adesões de ocasião e oportunistas de carteirinha, por mais eficientes que possam parecer em determinado momento, são danosos por excelência, pois trazem com sua falta de compromisso uma ameaça concreta para qualquer segmento que busca na efetividade de suas ações um dos principais sustentáculos na luta pelo reconhecimento de suas causas. 

Não sei se esse é o caso de nossa cantora em pauta, e creio que não nos cabe julgar. Por amor, por coragem ou por conveniência, ela tomou uma decisão. 

Futebolisticamente falando, ela saiu da segunda divisão de nossa nova MPB para jogar, ganhando de goleada, na linha de frente do time vencedor, composto por aqueles que jogam contra a intolerância e o preconceito. Nessa turma, com certeza, a grande maioria é composta por idealistas, gente que já sofreu várias vezes e sentiu na pele a ira daqueles que acreditavam que, por alguém ser diferente, não podia conviver em sociedade.

Com certeza, o jogo ainda está longe do fim. Por hora, nossa certeza é que o placar está a favor e que a vitória parcial foi conquistada graças a uma virada histórica, de um povo que como dizia Gonzaguinha, "não tá na saudade e constrói a manhã desejada. Aquele que sabe que é negro o coro da gente. E segura a batida da vida o ano inteiro. Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro e apesar dos pesares ainda se orgulha de ser brasileiro."



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