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Patrulheiros: esperança de emprego para jovens


Luciano Cavenagui
Do Diário do Grande ABC

09/01/2005 | 17:24


Gleice Pereira Dias, 17 anos, moradora do Parque João Ramalho, em Santo André, foi efetivada depois do Natal como corretora em uma empresa de seguros situada na cidade. Ela conseguiu ficar fora do contingente de 17,8% de desempregados do Grande ABC, número do último levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). Se a adolescente Gleice não fizesse parte do programa Patrulheiros Mirins do Camp (Círculo de Amigos do Menor Patrulheiro) do Rotary Norte de Santo André, dificilmente conseguiria o emprego.

Filha de uma auxiliar de serviços gerais e de um aposentado por invalidez, Gleice não teria dinheiro para pagar os cursos que realizou durante seis meses se não tivesse integrado a iniciativa do Rotary. Ela está entre os mais de 32 mil jovens que se formaram desde 1959 nas cinco entidades da região que desenvolvem o programa. O objetivo principal é oferecer perspectivas de emprego para adolescentes carentes.

No Grande ABC, existem cinco entidades desta natureza. Três em Santo André (duas mantidas pelo Rotary e um pelo clube Lions), uma em São Bernardo (mantida pelo Rotary) e outra em São Caetano (sustentada pela entidade Patrulheiros Mirins de São Caetano). Todas funcionam, com pequenas variações, no mesmo esquema. Após fazer diversos cursos, com duração de até seis meses, os jovens entre 14 e 18 anos podem conseguir estágios em empresas conveniadas com as entidades. São Caetano aceita participantes com 12 anos.

O estágio é regido pela Lei do Aprendiz (10.097 da CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas), de 2000, que determina jornada de meio período e remuneração igual a pelo menos um salário mínimo, além dos demais direitos trabalhistas.

O nome do projeto tem origem na filosofia do patrulheirismo, criada na década de 1950, que prevê oferta de educação, recreação e trabalho aos menores carentes. “Não tem nada a ver com trabalho de vigia ou policial como alguns pensam. A intenção é fornecer formação básica ao jovem e prepará-lo para encarar o mercado de trabalho”, afirma o coordenador do programa em São Caetano, Guilherme Rainho Teixeira.

Ele trabalha no mais antigo programa de Patrulheiros Mirins da região, criado em 1959. Na região, é o único que ainda tem inscrições abertas para selecionar 120 jovens, que serão integrados ainda neste semestre. Os interessados podem se inscrever até o dia 15. A seleção, como nas outras entidades, é baseada no critério de nível socioeconômico das famílias dos jovens candidatos, que precisam também estarem estudando.

Os participantes fazem cursos de informática e técnicas administrativas, entre outros. Ainda praticam esportes. “É como se fosse uma escola profissinalizante, sem perder o contato com a educação básica que todo jovem tem direito”, ressalta o presidente do Rotary Norte de Santo André, Rodenei Gomes Júnior.

Experiências – “Aprendi a ser uma pessoa com esperança, a ter auto-estima. Antes do Patrulheiro Mirim, não tinha motivação para o futuro”, diz Alina Aparecido Leôncio, 20 anos, que fez o projeto no primeiro semestre de 2001 no Rotary Santo André Norte e hoje é funcionária do departamento pessoal da entidade. “Não tinha noção de informática nem de trabalho de escritório. Aprendi a fazer cartas comerciais e procedimentos de contas a pagar e receber, entre outras coisas”, conta Alina.

Gleice Dias, 17 anos, é outro exemplo de superação. Vinda de uma família humilde, ela conseguiu emprego como corretora de seguros em uma empresa na cidade. Mas o caminho não foi muito fácil. Após a conclusão do curso, trabalhou como atendente no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e atuou como vendedora numa empresa varejista. “Tive problemas de adaptação nos dois empregos. Mas o importante é acumular experiências para ter um bom currículo e aprender mais”, afirma Gleice.



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